Acordei as 05h40 da manhã (local), tomei um banho muito bom e fui para crew mess tomar café da manhã. É muito bom porque tem suco de laranja na máquina, no restante das refeições não há.
No crew mess encontrei a Amanda e a Cecília, comemos e de lá fomos para a laundry encontrar o cara que vende uniformes. Me perdi para achar o Norah, por que além dele ficar escondido, quando encontrei ele na lavanderia, ele me pediu para achar as duas meninas, quando voltei e não tinha achado elas, ele não estava mais lá, depois de duas perdidas e reviravoltas no mesmo lugar, um menino indonesiano ou das ilhas maurício me levou até lá. Agradeci muito.
Cheguei lá, e o Norah me deu duas peças de cima do uniforme que serão descontadas do meu salário, diz a lenda que 20% eu pago e 80% a MSC, mas não há nada disso escrito em nenhum lugar.
De lá sai e fui para o secure meeting que começaria as 08h00, onde perdida no corredor principal encontrei a Andressa.
Depois do meeting (a sala fica perto do Gym e da sala da internet) onde nos foi mostrado as musterstations e o lugar onde cada um deve ficar em caso de emergência e treinamentos. Aliás eu fui escolhido para ser um dos Stairway Guides, fico com um bonezinho amarelo surrado escrito isso, junto com o lifejacket (jaqueta inflável) lá no deck 15 do navio.
De lá fui direto me encontrar com o Putra, chefe do buffet, ele disse para eu ir comer e para 11h30 subir para começar a trabalhar. Nota já eram 11h00. Comi bastante rápido e já subi para me encontrar com o pessoal do buffet.
Quem me recebeu foi o Rodolfo, carioca com 8 anos de experiência em restaurante e com 2 semanas no navio. Me apresentou o Alex e o Ed, 2 indonesianos que são muito gente boa.
O buffet é quente, nada infernal mas chega a ser desagradável, veste-se um avental de plástico, luvas de plástico e a tarefa é simples, preencher as bacias de comida que tem um nome estranho) que acabam. Pegar essas coisas é outros quinhentos...
Pega-se com dois panos forrando a mão Direita, e com a mão esquerda vai puxando a bacia até chegar na borda. Põe a mão direita protegida em baixo da bacia e leva sobre o ombro para a cozinha que fica o outro lado. SEMPRE cobrindo a comida.
Essa é a parte complexa pois tudo é pesado e quente, as luvas de plástico atrapalham porque faz o pano escorregar na sua mão e desprotegido seus dedos queimas muito fácil, eu queimei levemente várias vezes, mas nada grave.
Atravessa-se uma área livre de passageiros e chega-se na galley onde se pega a comida, certas comidas que não se acham lá facilmente pode-se pedir ajuda para alguém, lá teve um indonesiano alto e levemente forte muito estranho com cara de mau que tem um interesse muito próprio de querer que brasileiros falem português para ele aprender. Como não gostei dele, só falei em inglês com ele, ele ficou puto e jogou várias indiretas em mim mas fiquei de boa. Afinal eu tenho o qu ele quer e não o contrário.
Mesmo com mau humor todos são prestativos, afinal nada pode parar alí. Na galley do buffet foi onde encobtrei o Rafa pela primeira vez, muito estressado, mas quando me viu ele ficou feliz, isso foi bom, combinamos de sair mais tarde.
O Rodolfo conseguiu tempo para almoçar e na ausência dele eu perguntava algo para o Alex ou o Ed, mas é incompreensível o inglês que eles falam. A Paola me ajudou muito também e tudo foi fácil. Acabado o horário do buffet, pensei que estava tudo certo, mas não.
Está em sua resposabilidade, desfazer TUDO e limpar o local. Toda a comida é jogada fora na galley e depois de organizar as trays, limpar as coisas todas engordurardas, o que é um saco pois são muitas coisas engorduradas, ainda é preciso lavar o chão. Complexo, mas descobre-se que tudo pode ser no jeitinho brasileiro de ser.
Por motivos X, tanto o Alex quanto Ed foram tranferidos e eu fui “promovido” como encarregado da galley. Um absurdo total, fiquei um pouco assustado, mas estava tranquilo, a paola e o rodolfo ainda por algum tempo estariam ali para me ajudar. O Alex deu a coca dele que estava escondida no refrigerador para mim. Esta coca salvou meu dia.
Nota: Agua gelada a toda hora não existe no navio, sucos então nem pensar. É preciso as máfias (e isso fez muito sentido pra mim agora) para se conseguir algo. Os garçons sempre pedem algo e dando eles são legais com você. Sobrou algo, coma ou guarde pra mais tarde. Coca cola ainda não consegui pegar, mas já conheci brasileiros que trabalham no bar e isso será muito útil.
Depois de limpar tudo, consegui 30 de folga para o Tea Time que começa as 16h00 e vai até as 18h00. Lá encontrei novamente o Putra e o chefe dele, o Rafael, um italiano que se não me engano é o captain De restaurant e o Pietro que é mestre de rang. (X pra mim...)
Me puseram para ajudar em uma linha de buffet e lá encontrei o Rafa. Ali ele me ensinou varias manhas para viver melhor. Os exmplos seguem abaixo:
Tea Time: anda-se a 1km/h, o objetivo é descansar, não gastar sua energia. A função é simples, retirar os pratos e talheres das mesas, e das “ilhas” de serviço com doces, depois disso passar um pano na mesa. Retirado os pratos é só levar para a estation, deu um enchida, leva pra galley e recomeça.
Acabou o Tea Time, limpa-se tudo, mas aí aprendi que: indo para a galley você pode comer tudo o que foi retirado, o segredo é não deixar que os oficiais vejam isso, os oficiais são aqueles com listas nos ombros e patentes. TODO mundo faz isso dentro da galley. Limpar é modo de dizer, até os chefes querem que voçê acabe rápido para eles irem embora também. Tudo o que foi feito é dar um varrida e com o mob (esfregão) passar uma àgua, tudo por cima, tudo superficial, se puder transfira o trabalho para algum indonesiano. Jeitinho brasileiro na veia.
Neste momento depois do tea time, o Rafael chefe perguntou para o Rafinha se eu seria melhor e mais forte que o Rafael empregado que vivia choramingando. Com um positivo das partes agora eu trabalho diretamente com o Rafinha a partir de amanhã que será um dia de cão.
Serão nada menos que 17 horas trabalhando em pé sem break nem nada. Foda. Fomos avisados que pernas vão doer, inchar e etc. Nas desgraças fiquei sabendo de algumas coisas.
O buffet geralmente tem Dayoff no domigo, os horários são loucos, mas é menos sacrificante do que o restaurante onde o peso destrói coluna e pulsos das pessoas. Pelo que eu carreguei hoje é bem verdade.
Contra pernas inchadas, há uma injeção que se toma aqui que depois de um tempo a pessoa volta na hora, o inchaço desaparece. É muito comum as pernas incharem por causa dos excessos, tem gente que já tomou 5 injeções dessas na bunda. Complexo.
No restaurante os descanços são picados e há a posibilidade de sair mais para fora por causas desses descanços, mas o esforço também é maior.
Em qualquer lugar, se você acabou seu trabalho e o companheiro não, você fica até ele acabar também! Quem determina se você pode sair ou não é o seu chefe, mas com jeitinho se resolve isso também.
Conclusão: Viver pelas regras aqui é complexo e muito desgastante, é necessário viver de aparência. Parecer uma coisa e fazer outra, ser meio que mal caráter mesmo e aí eu entendo porque os indonesianos não gostam dos brasileiros...
Análise Swot brasileiros vs Indonesianos: Nós sabemos ser mais falso que eles porque somos muito mais simpáticos e bonitos, isso é fato, logo o trabalho extra cai nas costas deles. O navio passa pelo Brasil e não na indonésia. Nós ganhamos mais que eles. Nós nos divertimos mais que eles. Nós falamos português e temporada brasileira é o que há para navios.
Eles são muito mais técnicos do que nós. Mais habilidosos e esforçados. Aguentam muita carga de trabalho e se sacrificam MESMO pelo serviço, alguns danos sérios podem acontecer para os que não se cuidam. Eles são a imensa maioria do navio.
Nota 2: Praticamente não se fala inglês no navio. Muito mais importante do que o inglês é saber italiano. TODOS os chefes são italianos e TODOS ELES só falam italiano. Entendem inglês mas não falam. O inglês é útil por ser uma lingua oficial e no perigo e para abordar qualquer pessoa pode-se usar sem medo, mas mesmo assim o peso da impotância de uso de linguas fica: Italiano esmagadoramente em 1º lugar, até indonesianos entem italiano. Indonesiano em 2 lugar pela quantidade de indonesianos no navio, e eles falam muito pelas costas. Francês, porque os francese SÓ entendem e falam francês, os italianos ainda entendem e sabem pouco de inglês. Português, porque sempre tem um brasileiro que pode te ajudar. E por último, Inglês.
Preciso dormir. Acordar 04h00 é mal, vou dormir parcialmente de uniforme para conseguir dormir mais fora que os fusos mudam toda hora e isso é bom por um lado, mas é ruim por outro. Minha noção de tempo não existe mais.
Nota 3: A MSC é uma empresa muito desorganizada e isso gera muitas falhas que podem e aqui são exploradas pelos brasileiros. O atendimento relamnte deixa a desejar em alguns momentos e se ocê não for atrás do seu chefe, talvez nem ele se lembre de você. Lógico qu isso no começo depois que você ica marcado essa vantagem não existe mais, mas há muitas falhas de organização.
Por enquanto é só marujos,
See ya!
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