quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O que fica é saudade
Toda vez que penso e falo dessa experiência, tenho orgulho em falar... tenho orgulho de sentir o que sinto. Porque eu fui foda... porque lá eu era realmente foda.
Lá, tudo de ruim, era pequeno apesar de grande. Lá, era um mundo a parte... e desculpem, vocês que não estiveram lá, não me entendam mal, mas vcs nunca saberao o que é... vcs nunca nem se quer, podem imaginar... e sabem porque? Porque, a maioria de vcs, gostam da vida comum... dessa vida, que se leva... da faculdade que se faz... do trabalho que se tem... do dinheiro que se ganha, das contas que se paga... e as diversões confortáveis.
E não entendam isso como crítica... mtas vezes, acho que gostaria de ser assim... mas meu coração pede mais...meu desejo de liberdade, mas não essa liberdade de ter dinheiro pra se sustentar... mas a liberdade de ir e vir... pra onde for, quando for... e conhecer o que existe de mais incrivel nessa vida... as diferenças do mundo... conhecer e viver em diversos lugares num único lugar... Isso sim, sou eu!
Esse local não me pertence... essa rotina não me agrada. Esse turbilhão de influencias externas, definitivamente, só nos destroem...destroem coraçoes, relacionamentos, destroem o que há de melhor dentro da gente.... principalmente pq a gente tenta se enganar, tenta fingir que quer o que não quer... e não quer o que quer.
Pode não ter mto sentido em tudo isso, pq mtas vezes nem mesmo eu entendo... não é tão claro...e nem tão fácil.
O Musica chegou no Brasil... e eu fui no porto ver... vi aquele navio maravilhoso chegando... foi um momento lindo... uma sensação e uma emoção sem tamanho... há uma ligação forte... existem momentos intensos vividos ali... e parece que por alguns segundos, qd ele estava atracando, eu senti todas essas sensaçoes juntas... pareceu até um pouco irreal, que naquele mesmo lugar, aquele mesmo navio, me levou pra viagens tão incriveis...
Mas, o melhor, foi quando aquelas pessoas que nem pensava que ainda pudessem estar lá, estavam, e eu vi, e eles lembraram-se de mim, me chamaram pelo meu nome e me abraçaram... amigos pra vida toda... amigos que mto possivelmente nunca mais vou ver... mas que fazem parte dessa história, dessa vida a parte que vivi.
Só tenho a dizer, que parte do meu coração, ficou ali dentro... pq como dizem lá, o que se vive lá dentro, acaba lá dentro. E acabou... e foi um final feliz. E sabe o que tenho que dizer, é que eu fui mais do que vitoriosa, pq eu fiz algo, que mts de vcs nao fariam, ou desistiriam nos primeiros momentos, pq nem todo mundo, sabe se rebaixar a certos cargos e situaçoes... e eu soube, e independentemente disso, eu fui MELHOR do que qualquer um lá dentro, e daqui de fora... lá eu fui uma realização... lá eu fui eu... fui um sonho... um sonho que não quero que adormeça ou morra dentro de mim.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Relembrando....
Estava aqui no orkut, vendo o perfil dos amigos que fiz, vendo perfil de um monte de passageiros que foram no Musica na temporada brasileira, fotos e mais fotos. Engraçada a saudade forte que bate. Engraçada a sensação boa de lembrar daquele lugar. E mais engraçado ainda é o fato de que a gente sempre deixa de lado as coisas ruins e só lembra das boas.
Mas foi pensando nisso que comecei a lembrar das coisas ruins, de como eu passei mal nos primeiros dias, só vomitava, de como estava nervosa, de ficar na linha do Giardino, sem nem saber pra onde ir e nem o que fazer, me sentindo mal. De ficar sentada na escada da varanda de fora do buffet, chorando feito doida, assustada.
Lembrei de como achava o Luigi um chefe cretino e depois descobrir que ele era uma ótima pessoa em comparação aos outros chefes. De como eu achava que o Alessandro era algo importante e depois descobrir que ele só era mais um capitan station de merda e não tinha poder algum.
Lembrei da sensação de querer ficar em Santos todas as vezes que estavamos lá. A raiva de trabalhar dobrado porque uns e outros só pensavam em fugir e depois aprender a fugir como todo mundo.
O sono, o cansaço. A vontade de simplesmente não ir trabalhar as 5 da manhã pra abrir aquele buffet. As brigas com os cozinheiros. O medo quando algum oficial passava e a gente tava comendo escondido. O maldito F&B. As mil e uma mudanças desnecessárias e burras. Os meetings até mais tarde atrapalhando nossas horas de descanço.
Foram tantas coisas...o choro, a raiva, quantas vezes soquei aquelas paredes imaginando a cara daqueles italianos infelizes. O maldito drill, 2 vezes na semana. Acordar pra ir pro drill, ódio!!!!!!!!!!!
Hehehehe, engraçado, engraçado demais. Isso passa.
Bjs
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Descobrindo novos recrutadores
Hoje eu estive em São Paulo conhecendo uma agência de recrutamento para trabalhar em navios. A Agência é a Sun&Sea, uma empresa do grupo Nascimento Turismo e trabalha somente com a Royal Caribean e suas marcas agregadas como a Azamara Cruises e a X (Celebrity) Cruises.
Bem de um modo geral há uma notável diferença de atendimento entre a Sun&Sea e as outras agências aqui de Santos. Primeiro é que eles são uma equipe realmente grande, com muitos funcionários e logo de cara o atendimento é diferenciado.
Todos nós ficamos reunidos numa sala de reuniões com um telão onde antes deles fazerem a apresentação da Sun&Sea ficou passando os vídeos institucionais da Royal e algumas clipagens de matérias de cruzeiros da Royal.
Bem na verdade a diferença está toda no atendimento. De resto a qualidade do material, conteúdo e apresentação é exatamente o mesmo do que eu já tive nas outras companhias que eu estive pesquisando.
Depois da apresentação e da fase de tirar as dúvidas foramfeitas pequenas entrevistas de 10 minutos com cada candidato totalmente em inglês. Foram várias pessoas entrevistadas e para quem está procurando emprego, fica realmente claro que a área de cruzeiros marítimos está com defasagem de pessoal. É praticamente certo o ingresso de trabalho dentro de um navio de qualquer que seja a companhia.
Claro a crise mundial deu uma afetada tb no ingresso de novos tripulantes, muitos dos que já estavam trabalhando por medidas de segurança pediram para estender o contrato até a finalização da crise e a recuperação da economia. Mas de maneira geral em minha opinião, os passageiros que estiverem fazendo os cruzeiros durante a crise serão realmente mais seletos o que é uma grande oportunidade para quem vai embarcar.
Da minha parte eu fiz uma série de perguntas referentes a uns objetivos que eu tenho e como é fora do padrão deles eles ficarão de me dar uma resposta dentro de uma semana. Algo me diz que eles não vão me mdar esta resposta mas boto fé que se eles não me contactarem serei eu que irei contactá-los.
Esta semana ainda vou dar uma visita a minha antiga agência para tirar também mais algumas dúvidas referentes a um novo embarque. Assunto esse que particularmente esta cada vez mais delicado. Trabalhar a bordo é pessado, mas é um ciclo vicioso que é preciso saber quebrar.
Não tenho o objetivo de viver de navio, montar uma carreira em cima disso. Mas devido as perspectivas no mercado que eu me formei é muito dificil atuar na área e conseguir um bom trabalho sem QI e isso felizmente o navio não precisa disso.
Bem por enquanto é só,
Até mais marujos!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Organizando um pouco a casa
A quanto tempo não? Pois é... depois de merecidas férias aproveitando algumas coisas muito importantes da vida como estar com os amigos e com a família, chega a hora de voltar a planejar o que fazer da vida. E essa decisão não é menos importante do que qualquer uma das outras que temos feito.
Para os que acompanharam, muito foi aprendido por nós estando embarcado como experiência de vida e isso nos faz pensar se val a pena reembarcar. Lógico, trata-se de toda uma nostalgia e também de uma série de fatores que devemos considerar e é por isso que estou aqui de volta.
Neste tempo de decisão estarei atualizando o blog de modo gradual. Terei tempo, aliás, bem mais tempo para responder as dúvidas do pessoal que nos lê e agradeço mais uma vez por estarem junto conosco.
Para vocês terem uma idéia eu achei muito mais fotos e filmagens e postagens que não foram ao ar e isso tudo vai ir ao blog com certeza, fora ainda as dicas e manuais que eu fiquei devendo para vocês e ah, sim, para todos aqueles que sugeriram, eu penso em tranformar o blog em um livro.
Mas, calma, uma coisa de cada vez. Fiquem espertos porque a Aninha tem muita coisa no Orkut dela e eu estou tentando centralizar as minhas coisas aqui. Então para quem quiser ter uma relação completa da nossa experiência vai ter que dar uma fuçada nos perfis.
Bem, por enquanto é só,
Até mais marujos!
sábado, 18 de julho de 2009
Dois dias em terra – Santos, SP - Brasil
Cheguei em casa e logo após descansar um dia inteiro, fui já para nova viagem mas dessa vez mais próxima, fui para Pirassununga, onde estava tendo uma festa de boas vindas para a Aninha.
Só para não deixar esquecer. A menina que estava do meu lado no avião era a Lourdes de Pelotas/RS, estava fazendo um intercâmbio em Portugal e comoacabou o intercâmbio ela voltou para casa. Ela me mostrou várias fotos dela em diversos lugares do mundo, como França, Itália e Espanha. Menina legal. Do meu outro lado estava o Sr. Hamms, Alemão de visita ao brasil, estava indo para Belém/PA também a negócios, entende pouco de português, mas o que me deixou curioso é o que deve estar acontecendo em Belém para o pessoal ir para lá. Um passageiro também alemão, só que no navio, também tinha me dito que já tinha ido a Belém a negócios...
Enfim, a festa da Aninha durou dois dias e teve muito churrasco e bebida e Guitar Hero! Meu Xbox 360 fez sucesso lá com a galera do interior. Sabe, em terra é muito bom ver as mudanças que ocorreram enquanto eu estava embarcado, principalmente as mudanças em mim.
Tenho um bilhão de dúvidas na cabeça, mas graças a Deus a noites de sono compesaram e meu corpo não dói mais. Amanhã de manhã quero ir na praia, ao banco e a academia O2 pra ver o meu sensei e o resto do pessoal. Já conversei com o Yuri na net (ele estava no México) e foi legal, ele escreveu tudo em espanhol e eu saquei muita coisa.
Sabe, esse tipo de coisa que eu não quero perder, as coisas boas que ficaram dessa experiência única que foi trabalhar embarcado. Confesso que dá vontade de voltar por diversos motivos. Grana, liberdade, experiência e apesar de me enganar pensando que ainda é muito cedo para pensar nisso, cada dia que passa é um peso na consciência.
Como disse são muitas dúvidas ainda que eu tenho, mas de qualquer modo amanhã eu vou conseguir sanar algumas delas. Tenho também, obviamente que mandar uma série de e-mails para meus contatos no navio e organizar melhor o blog. Tenho um pré-projeto de transforamr isso tudo aqui em uma publicação de papel. Por que não?
Vou também tardiamente responder aos comentários de vocês no que diz respeito às duvidas de lá de dentro e ainda escrever mais coisas que eu lembrar. Essas são minhas propostas.
Bem, atualmente estou aqui não conetado em casa por que eu preciso configurar a rede do PC com o laptop. O PC está desfragmentando então vai demorar um tempinho para eu poder fazer isso. Enquanto isso, cá estou eu escrevendo, mas já fiz várias coisas antes disso. Uma delas foi não ver o Fantástico. Trabalhar no navio te deixa MUITO mais seletivo com o que fazer com seu tempo.
Bem me vou por hora.
Até mais marujos!
Não há melhor lugar que o nosso lar – fim de viagem – 18h31 brasil, 23h31 local bem acima de Luxemburgo no avião
Escrevo a vocês do avião. Estou sentado bem no meio novamente na cadeira 36J entre um senhor que parece ser alemão e uma menina espanhola ou algo assim. Ainda não puxei conversa com nenhum dos dois mas temos muito tempo de voô e não é necessário se preocupar.
Estou com sono e daqui a pouco vou tentar me ajeitar mas a cadeira é realmente muito ruim para isso. Tinha até me esquecido como é isso. A aeromoça está passando uns paninhos umedecidos agora, já peguei um e usei. Vão passar 3 filmes daqui a pouco mas sabe-se jesus se eu vou ver. No momento eu estou ouvindo a estação 5 do canal de músicas da luftansa. Tem umas músicas legais, mas eu já estou cansando delas também. Acho que vou jogar um pouco e depois eu volto.
A menina ligou o laptop dela. Invejosa! Huuhahuuhaha brincadeira, depois eu puxo assunto com ela. Tchau procês. Depois eu volto.
Até mais marujos!
Finito la Musica – 287º dia – 15h15 brasil, 20h15 local Frankfurt, Alemanha
Consegui! Terminamos a saga que nos propormos a começar há tanto tempo atrás. Em retrospectiva, conseguimos o lunch off com o Maitre´D em Pireus, o que nos rendeu a nossa ida à Atenas. Combinamos com o Clayton e a Roberta (que é uma menina nova do buffet) para irmos lá.
Pegamos o caminho que conhecíamos e quando nos perdíamos perguntavamos aonde deveríamos ir. Tudo o que sabíamos é que nós teríamos que chegar ao metrô. Chegano no metrô a primeira coisa que foi novidade para mim é lance dos bilhetes.
Existe uns postes para validar o bilhete e do lado o guichê. É tudo aberto e só tem um segurança na porta de boa conversando. Tudo a vista para que você passe direto sem pagar, nota, a passagem custa apenas 1 Euro. Olhando mais atentamente você percebe um aviso em inglês e em grego que se o bilhete não for validado e a sautoridades te pegarem você só paga 60 vezes o valor do bilhete.
Como não era a gente que ia se queimar por 2 euros pagamos com prazer! Chegar em Atenas (Acrópolis) é muito fácil de metrô. De Pireus você vai direto até a Estação Ominia e faz a baldeação para a linha que vai para Agios Demetrios, de lá é só descer na terceira estação que é Acrópolis.
Gente, Atenas é fora de série, saindo do metrô você dá de cara com uma fila que é a entrada para a Acrópolis. A entrada é 12 Euros e dá direito a conhecer 6 atrações diferentes. Duas são dentro da própria Acrópolis.
Tenham em mente entretanto que estamos falando só de ruínas, então a primeira impressão que temos é um pouco decepcionante, mas quando você começa a andar e a ver as ruínas do teatro de Demetrios e as estatuas e todo o resto meu Deus. É fora do comum.
Para aqueles que tem pouco tempo, que foi o caso do Clayton e da Roberta, eu aconselho a esqeuecerem tudo. Subirem desesperadamente as ladeiras da Acrópolis para ver o Pathernon. Não existe palavras para descrever o Pathernon que está conservadíssimo. Aliás durante todo o momento você verá dentro dos sítios vários profissionais restaurando e conservando os monumentos.
Aquelas pilastras enormes a menos de um palmo do meu nariz praticamente me forçaram a tocar no mármore, ignorando os bilhões de menagens de Não Toque espalhadas por lá, eu toquei no mármore e levei uma puta bronca dos seguranças.
Nota que o chão do lugar é todo de mármore também, mas bruto sabe? Fantástico, escorrega muito aquilo lá, mas é muito bonito de se ver. De lá fomos para os outros lugares como o Templo de Zeus e Agora Romana que era um centro comercial antigo. Fomos ainda a outros monumentos que eu não me lembro o nome, mas o melhor de tudo é que todos eles são integrados a cidade e isso torna tudo muito mais bonito.
Ontem, nosso último dia, aproveitamos muito o dia em Dubrovinik em que voltamos à praia, apresentei a gruta e a pedra em que os moleques pularam na semana anterior. Dessa vez pintou por lá a maior galera do restaurante, do cleaner e do buffet.
Tiramos várias fotos mas o ponto alto foi o pessoal pulando da pedra de novo e dessa vez eu pulei. Marujos! É absurdo a altura. Parece que você não cai nunca na agua, dá um frio no estômago, o coração acelera e do nada tchibum! Finalmente agua. A emoção é única, fora de série. Pena que não deu pra filmar meu pulo e do Marcelo por que acabou a bateria e a memória da camera da aninha, mas tudo bem.
Meu último sitting foi tranquilo me despedi de todos do restaurante e servi todos com muito prazer. No Final ganhei um grande abraço e uma gorjeta do Bambang. Minha última. 40 euros! Muito bom, nem esperava tudo isso.
Hoje de manhã nem fomos trabalhar e nos aprontamos e seguimos todos os procedimentos de desembarque. Que claro teve que ter alguma enrolação por parte da organização do navio que não achava de jeito nenhum uma parte da bagagem minha que eu tinha deixado na gangway, mas no fim deu tudo certo.
Pegando as passagens duas surpresas. Um que eu e a aninha iamos em vôos diferentes e o outro é que ela recebeu um 4º Warning e portanto foi desembarcada. Apesar do susto não teve nada demais e a passagem dela já estava em mãos e um Shuttle Bus nos trouxe até o Aeroporto de Veneza.
Na pesagem, nada fora do normal fora o fato que eu tive que comprar mais uma mala para dividir o peso. Crew Members como nós marinheiros tem direito de levar até duas passagens com 23 quilos cada. A minha sozinha estava com 30.
Do aeroporto de Veneza me despedi da Aninha e vim para cá, Frankfurt mais uma vez, e agora estou aqui esperando meu vôo. Aqui em Frankfurt está tudo tranquilo. Tem muitos brasileiros esperando o vôo para voltr para casa. Daqui a pouco espero ver todos vocês!
Adeus MSC MUSICA! Até mais marujos!
Causando o caos no último Mikonos – 285º dia – 20h34 brasil, 02h34 local Mikonos indo para Pireus
Agora entra a parte em que é o último tudo e eu estou me portando de mal a pior com essa raça de italianos filhos da puta que me fizeram sofrer durante minha estadia aqui, tornou-se uma coisa meio que pessoal. Infelizmente as açoes que eu tenho tomado tem também atingido certas pessoas que nada tem a ver com isso mas de qulquer modo de modo geral eu estou ganhando.
Não consigo dormir, minha cabeça não para de pensar m uma série de coisas, a principal delas é voltar para casa e o que fazer depois disso. Neste meio tempo também penso em como suavisar algumas situações e como fuder ainda mais com alguns cretinos ignorantes.
Bem, hoje eu deliberadamente faltei no almoço, que era no buffet. Eu estava escalado para fazer possata que é super de boa, mas como eu também estava cansado demais, com muito sono e muita dor nos ombros e nas pernas acabei decidindo voltar para cabine e dormir maravilhosamente bem.
Neste meio tempo o Luigi ficou me procurando que nem um cachorro louco e enchendo o saco da Ana para saber onde eu estava. No fim das contas, quando voltei ao Buffet para a janta, o Luigi me avisou que eu ganhei um Warning. Toquei um Fod**-se por que eu não vou assinar NADA. Faltam menos de 48 para eu ir embora deste lugar e não vai ser agora que eu vou me preoucupar com isso.
Confesso que depois fiquei um pouco chateado pela Aninha. Ela joga certinho, pelas regras, e ela está certa, e acab respondendo por algumas coisas por mim. Sabe ela briga comigo mas ela não aguentou nada do que eu tive que aguentar aqui, dos 8 meses dela aqui 6 foram uma maravilha pra ela e ela acaba não entendendo uma série de coisas.
Agora a coitada está morrendo de dores na pernas e no ciático. Essas dores que aparecem agora pra ela, já estavam comigo a muito tempo. Mas eu entendo que são dores e que ela precisa descansar e não preguiça como eu tive que ouvir várias vezes. Eu não podia descansar, eusempre tinha que fazer alguma coisa. Ou trabalhar ou sair ou o que seja.
Por falar em chefe ainda no buffet a noite arranjei mais encrenca. A aninha conseguiu uma coca light e eu fui trocar no bar. Aé aí normal, mas acontece que a Captain Station viu e ficou no meu pé me enchendo o saco. Deixa eu explicar uma coisa para vocês. Essa mulher é uma waitress romena que chegou a 28 dias atrás junto com o novo staff do Maitre Novo. Acontece que só por que dá o rabo pro Assistente do Maitre em menos de 1 semana ela virou Captain Station. Hum... fácil subir assim né?
A vaca veio toda cheia de moral querendo se impor pra cima de mim falando se eu sabia quem ela era, que ela é a Sra. Captain Station. Neste momento eu dei risada por dentro. Eu deveria sentir medo? Chorar? Ou imaginar ela com um corselete de couo, máscara e um chicote de nove pontas? Para mim filha você é uma puta mulher feia vestida com uniforme masculino.
De qualquer modo troquei a coca e fugi quando ela me deu uma brecha. Pena que quem me deu esta brecha foi a Ana e oAnibal, que é outro C.Station de boa. Depois eu encontrei a Ana que ficou lá pra me defender e ela me contou que ela inventou que eu roubei a coca do bar e etc, etc etc.
Convenhamos que a Ana também não tem sorte viu?! Já falei pra ela que ela não tem que ficar pra me defender das minhas cagadas senão acaba sobrando pra ela. Bem a parte boa é que no restaurante eu encontrei o Maitre D e ele me disse que o Off de amanhã para mim e para a Aninha (para a gente poder ir para Atenas) já está marcado! Uahuahuahuahauha. Amanhã só alegria e fotos!
Saindo em Mikonos a primeira parada foi no Kadenas Café onde testamos a internet Wi-fi do iPhone da Aninha. É muito legal, pena que tudo se paga para baixar, poucos aplicativos são de graça e nenhuma música é free. Depois fomos ao Boutiksa, que é a creperia que a gente ia toda semana. Comemos nosso crepe e nos despedimos dos nossos amigos. De quebra ganhamos a receita da massa do crepe para tentar fazer em casa. Segredo de estado.
Passeamos pelas ruazinhas gostosas e a Aninha ficou a maior parte do tempo ainda tentando encontrar um presente que agradasse ela para ela dar para a mãe dela e o Pedro. No fim entramos na balada dançamos um pouco e o Jim apareceu (que é um dos donos da Creperia) e pagou uma bebida pra gente. Contatos é tudo, o cara até ofereceu a casa dele pra gente ficar lá nas férias.
Voltamos tranquilamente para o navio e aqui estou deste então rolando na cama tentando dormir um pouco mas a ansiedade não deixa. Pelo menos não estou fisicamente cansado graças ao meu sono matutino. Vou sentir falta de mikonos, mas vou voltar assim que possível para curtir de verdade essa ilha que eu só conheço uma parte da baia.
Vou tentar dormir agora, se bem que já estou vendo que não vai dar certo. Quem sabe ler ajuda a dormir não é?
Até mais marujos!
Só mais uma vez! – 281º dia – 03h31 brasil, 08h31 local Veneza, Itália
Entramos finalmente na última semana de contrato. Esta é minha última Veneza trabalhando graças a Deus. Gente, anteontem voltei a praia de Dubrovinik e dessa vez foi ainda melhor, fomos a dois lugares novos. Um é um pico onde os moleques ficam mergulhando mas é muito alto, tipo uns 15 metros de altura, eu não pulei, mas fiquei dando a maior força pro pessoal pular!
A outra é uma gruta muito legal e muito bonita, mas para chegar lá tem que ir nadando. Nada demais para quem fez 11 anos de natação. O que mais me expanta é que depois de tanto tempo sem nadar eu ainda consigo ser muito mais rápido do que a grande maioria da molecada toda do navio.
De qualquer modo, a gruta é muito legal e o Alisson fez umas filmagens da gente lá, depois quero pegar esse filme com ele. A Aninha palhaça não foi, preferiu ir no castelo pra ver umas coisas lá. Dubrovinik cada vez me encanta mais!
Essa semana é a semana do Não Me Interessa. E já temos várias coisas planejadas entre elas ir para Atenas quando chegarmos em Pireus, ir na alada e pegar a receita de crepe em Mikonos e voltar a praia de “Dudu” e conhecer mais outra praia que tem por lá.
Ah como é bom estar no final dessa jornada. Vou sentir muita alta desses lugares todos que eu fui e de uma parte do pessoal que está aqui. No fim algumas pessoas farão falta, pessoas que eu não gostaria de esquecer e de perder contato, mas aqui é assim mesmo.
Nostalgias antecipadas a parte, deixei meu saco de pancada aqui com o Lucas pra pegar de volta quando estiver no Brasil. Então eu voltarei ao MSC MUSICA mas dessa vez como visitante e só para pegar minhas coisas.
Essa semana que entra a única coisa que eu quero fazer bem é tratar meus passageiros e ter a sorte deles serem bem misericordiosos e darem uma gorjeta bem poupuda no final de tudo assim eu volto pra casa mais feliz, alegre e com mais dinheiro no bolso!
Bem, me vou,
Até mais marujos!
O Início, o Fim e o Meio – 275º dia – 09h55 brasil, 14h55 local Bari, Itália
Na realidade faltariam ainda mais 2 horas para eu poder colocar o pé pela primeira vez neste navio, mas neste momento em retrospectiva faz exatamente 9 meses que eu estou aqui. E assim desde o principio, desta viagem, destes 275 dias, que se fazem deste meu diário de bordo, um grande aniversário.
Obviamente eu não tenho 275 entradas neste diário por razões que eu já expliquei anteriormente em todos os meus posts mas acredito que este tenha feito um trabalho razoável no que se diz respeito a informar vocês o que acontece aqui dentro do navio, principalmente no MSC MUSICA.
É engraçado como olhando para trás você entende o quanto que se passou. Do saber nada sobre nada e agora neste estágio de começar a entender por cima como as coisas realmente funcionam. Como eu disse isso aqui é um universo e existe muita mais coisas entre o mar e a terra do que um dia shakespeare poderia um dia filosofar.
A sensação que eu tenho é que realmente nada se equipara com o viver isso aqui. Toda a informação que eu tive na agência e todas as experiências anteriores que me foram passadas (mal passadas convenhamos, mas mesmo assim) não se equiparam com o que é isso aqui.
Muita gente deve estar pensando que eu exagero, que não deve ser tão dificil assim, que é normal e etc. Bem, entendam que antes de vir para cá eu pensei que trabalhar 17 horas por dia em média seria difícil, mas não impossível.
Acontece que eu não tinha noção do que é dormir apenas 4 ou 3,5 horas por dia, comendo mal, não durante um dia, uma semana ou um mês, mas por 275 dias direto, sem sábados, sem domingos, muitas vezes se conformando e dando graças a deus porque consegui 3 horas de folga quando acontece um off. Isso sim é impossível.
Entretanto me espanta a capacidade do ser humano. Eu não sou o único que aguentei até aqui e tem gente que quer e vai voltar com certeza. Depois do que você aprende aqui tomando porrada neste tempo todo, voltar a trabalhar no navio, por incrível que pareça não é uma má idéia. Entretanto confeso que não é meu desejo, a não ser que seja extremamente necessário.
Enfim este post é para celebrar a grande conquista minha e de todos vocês que torceram pra mim pela finalização do meu contrato. Volto para casa em 13 dias a partir de hoje, mas a sensação de dever cumprido para mim já é fato. Faço o máximo para minimizar minhas falhas neste últimos tempos e ainda hoje começo a preparar as malas.
Enfim me vou, obrigado por tudo.
Até mais marujos!
Vamos a lá praia em Dubrovinik – 268º dia – 10h10 brasil, 15h10 local Dubrovnik, Croacia
Escrevo meio estranho, meio sem vontade de escrever, mas algo que eu não onsigo explicar me movu até o computador e me fez escrever o que escrevo agora. Gostaria de dizer que passei uma excelente manhã em Dubrovinik. Hoje depois do general cleaning encontramos o Ricardo e ele estava combinando de ir na praia de Dubrovinik com uns hondurenhos e mais uns outros moleques.
Engraçado que nesse tempo todo eu nunca tinha ouvido falar na praia de Dudu (que é como eu chamo carinhosamente esta cidade linda) de qualquer modo eu fui junto com a Aninha e o pessoal todo.
Chegar lá é simples, é só pegar o Shuttle Bus até a cidade velha e mais uns 10 minutos de caminhada pelas ruas de Dudu e tá tudo certo. O caminho até a praia já vale por si só. Dubrovinik é muito bem asfaltada e todas as ruas tem flores e árvores muito bonitas. Subimos e descemos uma ladeira em que dava uma visão perfeita dos muros da cidade velha que é fantástica. Tirei muitas fotos com o celular. (60 no total + 1 filme)
A praia em sí não tem areia, na verdade são só pedras, que machucam o pé descalço aliás, mas é muito bonita. Pertinho dali tem uma casa que é um bar, tipo quiosque e uma ducha de agua doce. O lugar todo é muito bonito e a agua é extremamente clara, e gelada diga-se de passagem, tanto que a mais de 5 metros de profundidade dava para ver o fundo perfeitamente, eu sei porque eu mergulhei.
Hoje o dia estava maravilhoso com o tempo bem ameno e sol quente, mas agradável o que proporcionou para todos 1 horinha bem relaxante para nossa vida de crew. Dica para os marujos é exatamente essa. Quando puder e for acessível, vá a praia dar um mergulho no mar, parece que os pesos nas costas e extresses suavisam de um modo que não dá para compreender. Melhor se você estiver em grupo como a gente estava.
Com o pouco tempo que nos restava voltamos, mas já está combinado para semana que vem voltarmos à praia de Dudu dar um mergulho levando mais pessoas. Os gringos vão ficar em choque com a quantidade de brasileiros no lugar.
Beijos a todos vou dormir um pouco.
Até mais marujos!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Terça-feira, 07 de Julho de 2009
Olá pessoal. A vida a bordo chegou ao fim, e nem é por isso que vou abandonar esse blog. Acho que pelo menos um post sobre a chegada de volta em casa é merecido aqui.
Bem, o final da última semana foi um pouco complicado. Os chefes pegando no pé e a gente tentando fugir o máximo possivel pra aproveitar o que podia. Fomos pela última vez na praia de Dubrovnik, e o Igor pulou de cima de uma pedra de uns 15 metros de altura. Que medo!
No dia de ir embora, em Veneza, saimos do navio as 9h30 da manhã. Cheguei no aeroporto por volta das 10h30 da manhã e meu vôo só sairia as 19h05. Putz, foi realmente cansativo.
Eu e o Igor viemos em vôos diferentes. Ele foi por Frankfurt na Alemanha e eu vim por Roma. Era pra eu chegar no Brasil por volta das 5 da manhã, mas meu vôo atrasou 2h em Roma então cheguei as 7h.
Quando cheguei estavam todos me esperando, com uma linda faixa com meu nome, escrito saudades e que me amavam... nossa, meus olhos encheram de lagrimas.
Tudo correu bem, eu estou em casa novamente. E confesso é por melhor que seja, é estranho. Acabou a sensaçao de estar confinada e presa, de dever satisfaçao e nao poder fazer nada errado.
Mas eu sinto um vazio muito grande. As vezes dá vontade de chorar. E não é de saudades. É só um sentimento estranho dentro de mim.
É, amigos, passou... acabou! E em pensar em tudo que passamos por lá, eu sei que saimos vitoriosos, porque NINGUÉM, nunca vai saber na vida o que é passar por tudo aquilo. É diferente de tudo que se vive na vida. Tanto de bom, quanto de ruim.
Foi bom, e eu agradeço ao Igor que me deu suporte e força quando eu mais quis desistir. Ele que sempre esteve do meu lado.
E fica saudades dos que fizeram diferença na minha vida lá dentro.
Um beijo a todos e até um próximo post.
domingo, 28 de junho de 2009
Domingo, 28 de Junho de 2009
Tenho menos de 10 minutos pra escrever alguma coisa. Estou na Lan House de Veneza.
Essa é a ultima semana. Tudo pela ultima vez. Ultimo drill de passageiro, ultimo drill de crew, ultimo baked alaska, ultimo bari, corfu, mikonos, crepe de mikonos, santorini, pireus, katakolon, dubrovinik, ultimo grupo de passageiros, ultimos passeios, ultimos stresses, ultimo cansaço, ultimas noites na minha cabine, TUDO!
Estou realmente feliz. Mas confesso que vou sentir falta desses lugares e das pessoas maravilhosas que conheci aqui.
Estou voltando pra casa. Ah! E muito chique! Porque agora eu tenho um Iphone, iradooooo!
Talvez esse seja o ultimo post até chegar em casa.
Entao, até mais.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Quarta-feira, 17 de Junho de 2008
Hoje não quero escrever nada. Só uma nota muito importante:
PREPAREM - SE!!! ESTÁ CONFIRMADO!!!!
DIA 5 DE JULHO, ESTOU SAINDO DESTA NAVE DE VOLTA PRA CASA!
'Graças a Deus!!!
Vou me embora pra Pasárgada - 265º dia - 15h34 brasil, 21h34 local Mykonos, Grécia
Essa semana de mudança de Maitre foi um inferno pessoal e profissional para mim. Foram situações muito incômodas que eu tive que lidar mas que felizmnte já passaram. O Sr. Cosic Svetoslav se foi para o bem de todos. A Aninha se conformou com a estadia dela no buffet, mas ainda tem fé de voltar ao restaurante, isso é bom pois acalma o coração dela. Alguns ajustes foram feitos e pessoas que nunca deveriam ter saído do seu posto voltaram ao seu lugar de origem.
De todos confesso que a maior decepção foi esse Maitre D, o Sr. Cosic Svetoslav. Na Infinity, no curso que eu tive, me falaram muito bem dele, que ele era super isso e aquilo, uma pessoa decente, justa e etc. Nada a ver com a realidade que se mostrou aqui onde ele era uma pessoa fraca, sem pulso, vivia pelos seus interesses pessoais e não se importava nem um pouco com a sua equipe. Éramos deixados ao léu e cobrados por erros dele e não nossos.
O Maitre novo é um senhor bem velhinho dos seus 70 e poucos anos de idade, mas que ao contrário do maitre antigo, tem humildade para ouvir a gente. O Hotel Manager cumpriu a palavra dele e eu e a Aninha vamos retornar pra casa juntos no mesmo dia. Que aliás já saiu a data, será dia 5 de julho. São notícias muito boas pois tiram uma carga imensa de ansiedade de cima de mim e da Ana e facilita um pouco a estadia no navio.
Das notícias boas ainda muitas pessoas boas que estavam fora voltaram. Uma boa parte dos indonesianos e hondurenhos que foram embora no final da temporada brasileira estão de volta e isso é bom. Tiveram algumas promoções justas de waiters que viraram Captain Station e assistentes que agora são waiters.
Parece que agora depois da turbulência chega a hora das coisas se ajutarem um pouco. Pena que seja bem no fim do meu contrato, mas de qualquer modo estou feliz com esta experiência só não estou feliz com as dores do meu corpo. Atualmente consegui amenizar as dores do calcanhar e dos pés com novos sapatos e palmilhas e meias kendall que eu esqueci que tinha guardado, mas meu tríceps do braço direito tem me incomodado muito de uns dois dias pra cá. Deve ser por cusa do peso das bandejas talvez.
Ah marujos, estou feliz com a chegada final de tudo isso. Não vejo a hora de poder dormir direito. Sim, vou sentir falta de algumas coisas, mas estas com certeza serão remediadas muito facilmente depois que eu estiver plenamente recuperado.
Me vou agora, mas vocês ficam com o poema do Manuel Bandeira.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Até mais marujos.
Segunda- feira, dia 15 de Junho de 2009.
Hoje é um dia muito bom. Até quem sabe dizer feliz, porque felicidade aqui é muito relativo. Um dia bom é quando nada de ruim acontece e um dia relativamente feliz é alguma coisa de diferente e boa que acontece, hoje por exemplo é um dia assim.
Hoje dia 15 de Junho, no porto de Bari, felizmente, para a FELICIDADE GERAL DA TRIPULAÇÃO o Sr. Cosic Sveto, Maitre d’Hotel foi embora. Só faltaram os fogos de artifício. Isso pra mim já é uma grande vitória.
Mais um motivo, é que a Diana voltou para o Buffet também. É aquilo que escrevi no outro post sobre isso, se quem sabe trabalhar como eu, tive que voltar, que quem não sabe que volte também.
Outro motivo é que alguns dos meus amigos indonésios que foram embora em Abril voltaram ontem, o Agus, o Alex, o Daddy e além disso, por mais incrível e até quase inimaginável que isso possa parecer, o Daddy, INDONÉSIO, agora é capitan station.
Não sei se isso tem haver com o novo maitre que chegou, mas tem algumas mudanças ocorrendo que são boas na minha opinião. Até ontem, todos os capitan stations eram italianos, o que era muito ruim, pelo fato do tratamento com os outros até pelo poder que eles acreditam que tem pela compania ser italiana. E agora tem o Anibal que é hondurenho, o Daddy que é indonésio, e o Yohan que é romeno. Isso quem sabe faça com que o trabalho seja mais igual e que exista mais respeito.
Amei que o Daddy voltou e agora é capitan station. Ele é um amor e com certeza muito competente.
A convivência com minha nova companheira de cabine está super tranqüila, muito melhor do que poderia imaginar. Ontem fizemos uma super limpeza a noite na cabine e a gente até conversa bastante.
O Buffet é um lugar que eu realmente não gosto, o tempo não passa, todo mundo quer competir mais do o outro, e quando 1 faz merda, todos pagam por isso, e meu corpo todo voltou a doer de ficar tanto tempo parada em pé. Minhas pernas doem demais. Mas já estou me acostumando de novo, dos males o menor já que estou numa linha super tranqüila. Se dependesse de mim, eu voltaria pro restaurante, mas não é do meu poder decidir isso, então eu só espero.
O docinho ( que é como eu chamo o Emannuele, um capitan station mais fofo e mais bonzinho e na minha opinião mais competente que existe nesse navio) foi passar uma semana em casa, e agora está de volta. Contei pra ele hoje tudo que aconteceu nessa semana, que o Sveto me tirou do restaurante e tal, e ele ficou super indignado, disse que vai conversar com o Genaro ( assistente de maitre) pra ele conversar com o novo maitre pra me colocar de volta no restaurante. Que até mesmo ele vai falar com o maitre.
Agora a tarde, o Hotel Manager passou por mim e fez uma cara pra mim e um sinal do tipo “espera que eu vou resolver tudo” e eu só acenei com a cabeça agradecendo. Não sei bem se ele vai fazer alguma coisa, espero que sim, mas pelo menos já é a segunda vez com que ele faz isso, e a partir de hoje o monstro do Sveto foi embora, e quem sabe ele vá mesmo falar com o novo maitre.
Agora só me basta esperar. Minha ansiedade passou, estou mais calma e menos triste, só vou deixar acontecer. Se eu conseguir voltar pro restaurante, ótimo, senão, paciência só faltam 26 dias pra eu voltar pra casa. E como disse o Eddie hoje, no próximo dia 15 eu já não estarei mais aqui.
Estou cansada. Tenho dormido todo dia muito cedo e me sinto cansada demais. Vou tomar um banho e dormir. Vou indo...
Até logo.
Mais exemplos de abusos – muito nervoso para lembrar o dia e a hora.
Só queria registrar que hoje o Luigi Cacage, um dos Assistentes do Maitre´D passou a mão na minha bunda. Não gostei disso. Esse pessoal tá ficando muito abusado com as brincadeiras deles. Eu nunca dei nenhuma liberdade para isso acontecer. Eu nunca brinco com ninguém disso, ninguém e vem esse velho cretino fazer isso. Não não. As coisas estão passando um pouquinho dos limites não acham?
Uma notícia boa pelo menos, a Ana estava no buffet e o Hotel Manager, que é a única pessoa que escutou a gente até agora, viu ela lá. Sem ela perguntar nada pediu para ela ter um pouco de paciência que ela já voltaria para o restaurante. Isso é bom. Pelo meno uma pessoa ao nosso favor.
Estou cansado marujos. Meu pés doem muito mas isso é redundante. Meu calcanhar não existe mais. Reveso os sapatos mas não adianta muito, as pernas também doem principalmente o nervo siático. A dor vai até a bunda e as vezes faz falsear minha perna quando eu estou andando ou carregando a bandeja.
Tenho chegado todo dia atrasado pelo menos 5 ou 10 minutos no buffet onde eles fazem o Check-in e o check out (que é uma chamada para ver se você está presente). Hoje o Captain Station italiano Alessandro gritou comigo na frente de todo mundo or causa disso. Virei as costas e sai andando. 05h45 da manhã não tem passageiro tomando café. Ainda mais no Giardino que é minha posição. Aliás os primeiros passageiros começaram a chegar às 07h15.
Comecei a dizer algumas verdades para os passageiros. A grande maioria pergunta como que é a vida dentro do navio, do trabalho e etc. Creio que a maioria dos leitores do blog que não são da família também queiram sabe disso, pois bem. Comecei a dizer que eu sofria alguns abusos, discriminação e até preconceito, que a carga horária e os pagamentos são diferenciados e tudo isso por que eu não sou italiano. Nota. Eu explico isso em italiano para os passageiros italianos.
A maioria fica estática, abismada ouvindo, mas como é de se esperar não fazem nada, só ficam com dó. Cheguei arrancar lágrimas de uma senhora de um grupo de 4 velhinhas italianas que estavam no buffet para quem eu contei essa parte da minha história. Elas disseram que o máximo que podem fazer por mim é rezar para que eu seja forte e consiga aguentar tudo com firmeza até o final. Agradeci.
No fim nem vocês sabem de toda a verdade, não tenho tempo, saco ou simplesmente prefiro esquecer para não relembrar certos momentos que deveriam não acontecer, entretanto acontecem. Os momentos bons ficam registrados nas fotos e a cada vez que eu recebo um obrigado, um sorriso, um aperto de mão ou uma gorjeta dos meus passageiros. Aqueles que o fazem de coração eu recebo com todo amor.
São esses “drops” de alegria que me permite reconsiderar e até mentir pra mim mesmo sobre a real situação daqui e fazer com que eu acorde mais um dia para ir trabalhar com todas as dores e fomes e sedes e humilhações que eu possa um dia jamais tentado imaginar.
Até mais marujos.
Quinta- feira, dia 11 de Junho de 2009.
Que Deus me ajude agora! Só faltam 1 mês e 1 dia pra eu voltar pra casa! Bem agora, na reta final, quando tudo poderia estar bem, começou o inferno, e o INFERNO propriamente dito.
Bem, deixa eu contar como e quando tudo começou. Na sexta-feira passada a noite, o Ricardo comentou comigo que tinham mudado todo mundo de lugar no Buffet, que eu ainda continuava na coffee station mas com o Anderson e não com o Lucas. O que seria muito ruim por vários motivos: 1 é que o Anderson é um grande fofoqueiro e ia me dar problemas quanto ao meu horário diferenciado já que eu também trabalhava no restaurante. Mas até aí, ok.
No dia seguinte, mudaram tudo novamente. Ao invés de eu trabalhar com o Anderson, me colocaram numa outra coffee station no Giardino trabalhando sozinha, sem problemas a única coisa é que eu teria que entrar em horário de Buffet, as 5 da manhã todos os dias.
Tudo começaria no domingo, em Veneza. E assim foi. Quando cheguei as 5 da manhã no Buffet relembrei o que era viver o inferno do Buffet. Acordar aquela hora, chegar lá e nem ter a luz do sol, ouvir uma maldita musica muito alta, e todo mundo reclamando e falando mal do outro. Não tinham nem 15 minutos que estava lá fiquei sabendo pela boca de outra pessoa que a Diana ia trocar de cabine e ia entrar a Luciana no lugar dela. Fiquei extremamente revoltada, não porque a Diana ia sair, pelo contrario, porque isso até é um alivio porque poderia ter paz novamente, mas fiquei revoltada porque toda vez que tentei mudar de cabine com outra pessoa, nunca mudei porque nunca encontrei uma pessoa que poderia dar certo morando com a Diana, e eu não queria deixar ela na mão, coisa com que ela nem se preocupou. A Luciana é uma pessoa muito irritada, fala mal de todo mundo, briga com todo mundo, e algumas vezes tive alguns desentendimentos com ela no Buffet, imagina o que seria morar com ela...
Quando terminou o café da manhã vim pra cabine e já não tinha mais nada da Diana na cabine. E logo a Luciana trouxe as coisas dela, tentei ajudar e ser agradável pra ter um clima melhor, mas ela não deu muita brecha então desisti. Eu estava assim, realmente puta da vida.
Daí, após o almoço como sempre, fui pra minha cabine porque já tinha dado meu horário e só voltaria a noite pro restaurante. Dormi e tive um sono muito agitado, acordei bem assustada, e o Igor chegou na cabine com uma cara e disse que tinha uma noticia pra mim. O Luigi havia me procurado durante todo o almoço pra dizer que eu não trabalhava mais no restaurante. Que o maitre disse que todos os Buffet que trabalhavam no restaurante iam voltar pro Buffet já que haviam chegado muitos assistentes novos pro restaurante. Chorei, chorei muito. Mas ele disse que tentou conversar com o Luigi e que ele mandou eu ir a noite pro restaurante e tentar conversar com o maitre. Tentei falar com ele naquela tarde mesmo, e ele simplesmente me ignorou. Daí vi que na lista da escala do restaurante ainda tinham 3 buffet boys que não haviam voltado pro Buffet: Jacinto, Yudi e Diana.
Nessa hora meu sangue subiu e eu só queria ir embora, porque não era justo. Eu, o Jacinto e o Yudi fomos os primeiros Buffet a ir pro restaurante, eu sou a que fiquei lá por mais tempo, há 6 meses consecutivos sem voltar pro Buffet, e eles 2 também ficaram essa média de tempo, mas a Diana estava há pouco mais de 1 mês. Não era justo isso. Era eu que deveria ter ficado e não ela, mas ela ficou, e porque? Porque os chefes velhotes italianos dão em cima dela e ela dá bola, deixa eles acharem que ela quer alguma coisa com eles pra ela ter as coisas, foi assim que ela fez desde que chegou. Com todos, aceitando presentinhos, indo almoçar junto, só pra poder ir pro restaurante. Ela chegou lá, o problema é que ela nem é tão boa assim, pelo contrario, todo mundo com quem ela trabalhou reclama do trabalho dela. E eu, ali, voltando pro Buffet, sendo que até meu próprio garçom pediu que eu não deixasse de trabalhar com ele.
Fui até o Crew Purser pegar um outro papel de sign off, e disse pro Igor que se ele não me colocasse no restaurante de volta eu ia pra casa no próximo Veneza.
Fui pro restaurante a noite, fui falar com ele, e ele simplesmente me disse que ele não precisava mais de mim no restaurante e que se eu não quisesse ficar no Buffet entao que eu fosse pra casa. Na mesma hora fui com o Igor na sala do Hotel Manager pra ele assinar meu sign off pra eu ir embora.
Conversamos com ele, ele pediu pra explicar tudo o que tinha acontecido, e pediu que eu tivesse calma, que eu esperasse essa semana porque o maitre estava indo embora e que quando o outro maitre chegasse ele me colocava no restaurante de novo. E ainda garantiu meu desembarque pro dia 12 de Julho junto com o Igor. Eu disse que eu ia tentar agüentar. Mas está muito difícil eu confesso. Tenho chorado muito, é muito difícil e humilhante voltar pro Buffet ainda mais nessas circunstancias, sabendo que tem uma vagabunda que nem sabe trabalhar no meu lugar.
A única coisa boa que aconteceu nisso tudo, é que agora está confirmado que eu vou embora, e isso me animou um pouco mais. Mas a raiva que eu sinto é muito grande. Estou decepcionada de ter voltado pro Buffet. ODEIO ODEIO ODEIO o Buffet da forma mais intensa que pode existir. Todo mundo trata Buffet boy como o mais lixo do navio, todo mundo acha que manda e desmanda e eu não estou obedecendo ninguém.
Qualquer pessoa que fala eu discuto na mesma hora. Hoje mesmo um capitan station novo que chegou, um italiano IDIOTA, veio cheio de graça pra cima de mim, gritando comigo, disse que o Igor não poderia me ajudar a limpar e tal que ele tinha que ir embora que o horário dele já tinha acabado, eu mandei ele calar a boca e ir fazer o trabalho dele, que ele falava demais, que ele poderia sim me ajudar como sempre ajudou e não era ele, um capitan station de merda que ia falar que não podia. Ele me mandou tomar no cu (em italiano) e eu mandei ele tomar no cu e sair de perto de mim.
Aí pra piorar a situação, o Buffet ta a maior confusão porque colocam a gente numa linha, depois mudam e mudam e mudam... agora eles tão tentando ter controle de uma coisa que eles nunca tiveram controle e nunca vão ter, porque esses italianos são desorganizados e sem cérebro. Agora tem escala pra tudo, café, almoço e até tea time, cada um na sua posição. UM INFERNOOOOO!
Gente, vocês não tem idéia de quanto eu ODEIO trabalhar no Buffet. As pessoas lá se preocupam mais com o que os outros fazem do que o seu próprio trabalho, é uma guerra. O restaurante pode ser o maior stress com oficiais que controlam quantos pratos levar, com passageiro que é chato, mas é infinitamente mais agradável e todo mundo se ajuda.
Meu garçom ficou super chateado também e tentou conversar com o Luigi pra eu não sair do restaurante mas ele disse que tinha que conversar com o maitre.
O maitre novo chegou, é um velhinho que parece ser muito bom. Já chegou demostrando educação e respeito. Infelizmente o demônio do Sveto (atual maitre) ainda não foi embora. Fui conversar com o maitre novo, expliquei tudo pra ele, e ele disse pra esperar porque ele acabou de chegar e não sabe como estão as coisas ainda.
Eu desejo do fundo do meu coração voltar pro restaurante. Eu não quero terminar meu contrato no Buffet, não quero terminar assim me sentindo humilhada. Não quero ficar carregando e repondo comida, limpando linha, estação, varrendo o chão. Eu gosto do restaurante. EU SOU PROFISSIONAL lá que eu sei, sou boa e boa demais. Disso eu tenho muita certeza.
Por isso, que Deus me ajude agora. Eu estou sufocando, agonizando nesse Buffet. Não sei o que vai ser de mim 1 mês e 1 dia lá. É pouco, mas será uma eternidade.
Quanto a menina que mora comigo agora não está sendo tão ruim assim, ela não é tão má assim, só é um pouco stressada. Tá de boa!
E eu só desejo que a Diana e o maitre e esses italianos de merda explodam.
Estou com muita dor de cabeça porque estou com sono. Tenho entrado todos os dias as 5 da manha, não tem mais horário de café da manha, tem que comer algo lá no Buffet rapidinho antes de abrir as linhas, depois tem um pequeno intervalo até o almoço, e daí vai direto até as 6 ou 7 da noite.
Estou cansada, quero ir embora, LOGO!
Vou ficando por aqui pra dormir um pouco. Rezem por mim!
Beijos!
O mar de descriminação – 260º dia – 11h05 brasil, 17h05 local Pireus, Grécia
Tenho que dizer a vocês que estou revoltado, frustrado e muito, mas muito, mas muito cansado de testumunhar e ser humilhado, desrespeitado e ofendido por esses chefes e alguns tripulantes italianos. É importante que vocês entendam que isto não acontece uma vez ou outra, isso acontece sempre. Há uma predisposição clara, explícita de facilitação de serviços, comodidades e tratamento quando se trata dos italianos com o resto do mundo.
Hoje eu ouvi um superior meu mandar a Ana se fuder por que eu estava ajudando ela a limpar a linha do buffet. Nota-se que eu já tinha terminado meu serviço. Muita coisa está se revelando agora neste fim de mês e de contrato.
A Ana sem razão ou motivo foi dispensada do restaurante. A ordem é que todos os buffet boys voltassem ao buffet porque com a chegada de novos assistentes de garçom eles supririam a vaga dos mesmos. Acontece que atualmente e já faz uma semana que só a Ana voltou ao buffet. O restante dos buffet boys continuam no resturante e os assistentes de garçom que deveriam estar trabalhando estão a disposição. Isto quer dizer eles só trabalham se for necessário. Adivinhem a nacionalidade de 4 dos 5 a disposição? Adivinhou? Italianos.
Quando eu fui peruntar ao Maitre´D Cosic Svetolav o porque dessa decisão, já que a Ana é a única buffet girl que dos 7 meses de contrato está a 6 no restaurnte com o mesmo garçom, foi a única que retornou a posição, fui informado que ele ão precisava mai do serviços dela.
Agora me expliquem. Que tipo de pessoa não precisa do serviço de outra que é a mais experinte e competente dos buffet boys que estão no restaurante. Nota-se que a Ana nunca se meteu em problemas no restaurante eu já, em vários. Nesse sentido ela é melhor que eu. Com que explicação temos 5 assistentes a disposição e 3 buffet boys ainda trabalhando como assistentes? Que descriminação é essa? Ou voltam todos a posição inicial ou não voltem nenhum ou pelo menos me dêem uma explicção plausível do porque dos 3 buffet boys estejam tarabalhando como assistentes se há 5 assistentes a disposição.
Minha situação não diferente, sou visado e repreendido por todos os hefes italianos em detalhes que nem sequer existem ou são meramente explicitados aos assistentes italianos. Para vocês terem uma idéia dos 10 assistentes novos que chegaram, todos os hondurenhos receberam side job, mas nenhum italiano recebeu. Por que?
Dos meus chefes italianos quese dizem super amigáveis e prontos a atnderem qualquer problema que nós tivermos, nunca recebi nenhuma assistencia. Tudo o que eu ouço é Dont Like go Home ou Não me Interessa ou Agora não posso. Sempre se esquivando de problemas, ou um passando para o outro. Aliás hoje me perguntaram se antes de vir trabalhar aqui eu vivia na selva. Decente.
Eu estou cansado de ser humilhado por essa gnte e confesso que eu tenho me segurado muito para não cometer qualquer besteira visto que falta 1 mês, 2 dias e algumas horas para eu poder sair daqui com tudo pago. Mas nesse momento eu já não me importo mais. Pago tranquilamente minha passagem de volta se for necessário quebrar os dentes de 3 ou 4 por aqui.
Para vocês terem uma idéia eu baixei a constituição panamenha (já que aqui dentro eu sou um trabalhador panamenho, pois o navio é registrado lá) para estudar os direitos trabalhista do pessoal de lá. Nada muito diferente pelo que eu entendi e se por ao pé da letra nessa situação eles, a MSC cumpre tudo direitinho, mas eu cansei de ser tratado como um animal por esses cretinos e descriminado por ser brasileiro.
Cansei de ter que escutar que brasileiro não trabalha direito, é preguiçoso, chega atrasado e tarata mal o cliente. Não é verdade. Nós somos pessoas normais como vocês e fazemos um trabalho superior comparado ao lixo de tratamnto qu os próprios italianos dão ao outros. Vide a temporada barsileira onde todos os italianos tratavam os passageiros como lixo, tudo no navio era de segunda linha e a maioria dos serviços que existem na europa eram vetados ou ainda cobrados a parte. O pior de tudo é que tenho que ouvir que tudo sso é normal. Normal pra quem?
A única coisa é qu no brasil era só falar em polícia federal que eles ficavam mais calmos, aqui na europa nada interessa para eles. Se você quer tarabalhar no navio saiba disso leitores que é assim que vai acontecer. A Ana treme de raiva a todo momento já que ela não suporta o buffet e eu sou obrigado a me aguentar, aguentar ela e os malditos italianos. Sempre eu no meio.
Estou estafado dessa gente metida.
Até mais marujos.
Novidades que eu esqueci ou tive preguiça de contar – 253º dia – 06h55 brasil, 12h55 local Pireus, grécia
Tirei 25 minutos de tempo do meu trabalho para vir para cá para a cabine e escrever um pouco já que faz tanto tempo tempo que eu não escrevo um texto direito e decente para vocês. Aqui no navio aconteceram váias coisas assim como fiquei sabendo de várias coisas que aconteceram pelo mundo.
Primeiro gostaria de contar que não estou trabalhando tanto quanto antes, mas não sei se isso é bom ou ruim. Como assim vocês me perguntam e eu digo. Bem, é bom por que não chego ao nível de exaustão que eu estava quando trabalhava frenéticamente sem parar e sem descanso, mas é ruim porque me dá vontade cada vez mais de parar de vez. Estacionar e deixar tudo acabar sabe, de uma vez por todas. Tirar todo aquele cansaço acumulado que está dentro de mim.
Não vejo a hora de voltar pra casa e falta tão pouco mas tudo ainda é tão difícil. Lembram que eu tinha extendido meu contrato mais um mês para sair junto com a Aninha? Pois bem, naquela mesma época ela também tinha extendido o contrato dela para agosto pois ela tinha considerado a data do novo contrato dela aqui no Musica e não o retroativo já feito do Sinfonia o que adicionaria pelo menos 2 semanas a mais pra ela.
Falando assim parece fácil e estúpido falar. Mas esse acordo não acontece com calma com você sentado na sala do seu chefe. Acontece quando você está no meio do serviço carregando correndo uma bandeija com 12 pratos no ombro e que pesam um tonelada, mais o pedido de bebidas de duas mesas que chegaram atrasados na sua cabeça e do nada parece uma pessoa com um papel e caneta na mão pedindo para você assinar a sua data de desembarque. Covardia.
Enfim isso rendeu um grande problema que me gerou 3 visitas a sala do Crew Officer. Minha data de desembarque está já marcada para o dia 05/07. O da Ana no sistema está para 02/08. O agravante nessa história é o seguinte: Agosto é mês de grandes festividades e férias escolares na Itália e uma parte da europa e isso quer dizer que o movimento será grande, equivalente ao carnaval no Brasil onde todos os cruzeiros eram lotados com 3300 até o absurdo de 3500 pessoas.
Nisso eles não deixam ninguém desembarcar por dois motivos: 1,º burocrático e 2º de experiência. Mandar embora uma pessoa na alta temporada significa perder uma mão-de-obra experiente para colocar outra inexperiente e outra, como nesse periodo todos os navios supostamnete estarão lotados fica inviável as transferências. Desembarque só em Setembro então. A não ser que você seja italiano onde TUDO é possível, mas isso é um desabafo a parte.
Por sorte eu fiquei sabendo disso 1 mês e pouco antes de desembarcar por uma fonte segura, um indiano que é Assistente de FB e segundo oficial da cozinha, o Shubamoy Banerjee, mais conhecido mundialmente como Shubo. Voltando ao Crew Purser, depois de ouvir ele gritar comigo, pois ele já estava cansado de me ver ali, ele me disse que aquela lista não era definitiva e que tem mais gente para desembarcar.
Segundo consta ele precisa de uma resposta da MSC em terra para autorizar o desembarque de um certo pessoal, pessoal este que espero que a Ana esteja inclusa. A resposta sai no fim do mês de junho mas enquanto isso a ansiedade mata a Ana e a mim. Tanto que eu voltei a roer as unhas, me desculpem. O medo é que eu vá embora e ela fique até setembro.
Da parte boa, de não trabalhar tanto, aprendi a aprimorar meus perdidos, ainda mais no buffet e praticamente passo 80% do meu tempo ou fazendo nada, ou pouco ou na cabine. A Ana não trabalha mais a tarde já faz uma semana e nada acontece pra ela. Melhor assim, mas confesso que sinto um pouco de inveja da sorte dela.
Não me importo mais com penalidades, sério, e na verdade não tenho recebido nenhuma até agora. A não ser um Tea Time que eu tenho que cumprir hoje, mas como disse não me importo. Prefiro fazer 1 hora de Tea Time tranquilo, sem movimento do que trabalhar pesado 6 horas no dia. Guardo minhas energias para a noite. Acabo usando o sistema penal deles a meu favor.
Já faz mais de uma semana que eu tenho estado com gripe e tosse seca, mas não volto mais no médico, não quero tomar mais injeção. Tenho tomado meus remédios queeu trouxe de casa e repousado o máximo que posso. Ontem em Mikonos eu não queria descer, mas eu o fiz, por mim e pela Ana. Ela merece também.
Enfim eu consegui meus 5 minutos com o Maitre o que deu para agilizar ele enviar a papelada do Sign Off para o Crew Purser e assim todo essa burocracia de retornar a casa e o Sr. Daniel Mello voltou para casa espero que de Air France. Brincadeiras sórdidas a parte, todos nós ficamos muito chateados com a tragédia que aconteceu e muitos estão com medo de voltar pra casa de avião por causa disso, mas enfim, cada um cada um.
Meu celular já apitou umas 5 vezes, vou voltar pro trabalho mais 15 minutos e depois volto. Os meus 25 minutos se extenderam para mais de 45, mesmo assim não me interessa. Obs: Não façam isso em casa!!!
Até mais marujos!
quarta-feira, 3 de junho de 2009
A saga de Pérsefone - 252º dia - 16h08 brasil, 22h08 local Mykonos, Grécia
Estando na gécia não poderia deixar de identificar uma passagem das antigas histórias para ilustrar o que passamos aqui atualmente. Roubao da wikipedia deixo aqui a história de Persefone.
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades.
Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone.
Acontece que eu e a Aninha estamos passando pelo mesmo problema. Minha data de desembarque já está marcada e fixada no mural, isto é dia 05 de julho. A Ana tendo escolhido a data de desembarque dela em Agosto quando o Maitre passou a lista de desembarque está amargurando ter de esperar para ver se tudo dá certo prara podermos desembarcar juntos.
Já fomos juntos 3 vezes falar com os oficiais responsáveis por isso, mas a única resposta que temos é que temos que esperar até o final do mês de junho para que possa-se definir quem vai e quem fica. Tudo que eu queria era desembarcar junto com ela. Por enquanto ficamos na torcida.
Estou com preguiça de escrever, mas tenho muita coisa pra contar. Por isso vou ficando por aqui. Não vejo a hora de voltar pra casa.
Até mais marujos!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Quito eu! Pedras como furacão! - 245º dia - 15h59 brasil, 21h59 local mykonos
Primeiramente quero pedir desculpas por confundir a cabeça de vocês. As vezes eu acabo pederdendo a noção do tempo e escrevo dia errado no título. Dessa vez entretanto está tudo certo.
Gui, obrigado pelo conselho. Vou deixar para "butare un´uomo al´mare" na última semana que eu estiver nesse navio. Quanto a minha mãe, mais uma vez obrigado. É que são tantas coisas que acontecem que torna-se praticamente impossível de não se tornar ansioso. Prova disso é que eventualmente eu volto a roer as unhas.
De qualquer modo temos coisas boas também para contar. De um modo ou de outro minha estadia nesta nave é um mais comoda do que no começo. Pelo menos agora eu tenho o XBOX 360 e a aninha do meu lado para ficar jogando, já sei váias coisas que eu posso fazer e conheço muita gente que acaba me ajudando.
Vocês que estão em terra são os principais. Tanto que este post de hoje é dedicado ao Giba, meu grande amigo, só por que a gente destravou a música do Scorpions no Guitar Hero 3. E querendo ou não o que me proporcionou isso foi este trabalho que bem ou mal me permite algumas extravagancias já que eu recebo dinheiro, pouco que seja, pelo menos a cada semana. Ser garçom, na europa e no navio, é muito bom para levantar dinheiro semanalmente.
Conhecer os lugares e as pessoas para mim é muito bom. A cada vez que eu conheço um lugar de verdade que eu só conheceria pela wikipedia ou pelo google eu me sinto revigorado. E quantos convites eu tenho par conhecer a casa dos outros. Praticamente u passageiro por cruzeiro me faz um convite para passar uam temporada na casa deles. E é um convite sério, com endereço, número de telefone, mapa e tudo.
O que me dói é o fato de ter que engolir certas coisas, coisas sem sentido exatamente como o título do meu post em português. Mas que no entender geral, depois que isso acabar, vai ser bom.
Bem marujos por enquanto me vou até mais. To assistindo o jogo do Barça e do Manchester num barzinho de Mykonos.
Até mais marujos!
Terça- feira, dia 26 de Maio de 2009.
É nem é muita novidade que faz tempo que eu não escrevo nada. É que na verdade cada dia que passa eu sinto mais sono e só tenho vontade de dormir. Nem mesmo estou saindo, só as vezes pra comprar os presentes pra todo mundo. Já comprei a maioria dos presentes, pra minha mãe, meu pai, meus irmãos, minha cunhada, meu cunhado, tia, vô, primos e amigos... alguns são bem simples, lembrancinhas mesmo, e outros são bem mais legais.
O que me deixa feliz, é que tenho conseguido comprar tudo isso só com dinheiro das gorjetas que ganho. Nunca mexi nos meus salários e sei que vou sair daqui com dinheiro suficiente pra eu decidir o que fazer da minha vida após essa tortura chinesa...
Isso aqui é um grande aprendizado de vida, isso aqui é uma experiência internacional verdadeiramente global porque a gente vive com tanta gente de tantos lugares diferentes com culturas diferentes que é incrível. Vou sentir falta disso, com certeza, sentir falta dos amigos indonesianos, indianos, hondurenhos que fiz por aqui. Gente que eu nunca mais vou ver. Tenho brincado com o pessoal que eu vou pra Bali visitar eles. Bem que eu iria mesmo, deve ser muito lindo lá.
Muitas coisas aconteceram nesses dias, uma delas é que eu e o Igor entregamos nosso sign off ontem. Isso deu uma sensação muito boa mas eu estou com medo de não me deixarem ir na data que eu quero. Marcamos nosso desembarque pro dia 12 de julho. O problema é que teoricamente meu contrato vence em Agosto, isso sem contar com os dias que fiquei no Sinfonia, e eu coloquei no papel lá que iria embora em Agosto, por isso talvez eles tentem me segurar. Mas todo mundo disse que ninguém vai poder ir embora em agosto porque é começo de nova temporada vai faltar tripulação, é época de férias e festividades por aqui e por isso os cruzeiros estarão cheios e não vão querer tripulação nova bem nessa época. Por isso, antecipei meu desembarque. Eu não quero ficar mais aqui.
Voces não tem idéia de quanto estou cansada, cada vez que acordo desejo poder dormir mais e mais e mais. Não ter que acordar. Quero sossego, quero paz. Não quero mais ouvir esses chefes ridículos falando coisas sem sentido. Exigindo coisas que nem mesmo eles fazem.
Enfim, sei que não me interessa se vão ou não me deixar embora, EU VOU.
Essa semana é a ultima do Daniel e do Maitre, não tenho certeza, mas está todo mundo falando. Não sei se as coisas vão melhorar, mas eu espero que sim.
No restaurante muitas coisas aconteceram durante todo esse mês, tiveram vários grupos. Um grupo espanhol de uma empresa de seguros, essa semana um grupo imenso de 1180 mulheres italianas de uma empresa de cosméticos e até um grupo de brasileiros da Petrobras.
Quando tem grupo o trabalho aumenta bem mais, fica tudo mais corrido. Mas tem algumas vantagens... é refri, água, vinho de graça o tempo todo, etc....
Já há algum tempo o Igor estava trabalhando com o Bambang na estação quase do lado da minha, isso é muito legal porque a gente se ajudava bastante, não só o Igor e tal, mas todos os indonésios se ajudam muito, o Bambang, o Duroman, o Buda... etc... mas aí ontem trocaram o Igor de estação, e colocaram um italianinho idiota que desde que chegou no navio só aprontou comigo e com o Igor. É um filho de uma puta. Colocaram ele com o Bambang porque a estação é próxima da cozinha, e como ele tem problema no pé não pode ficar muito longe. E aí colocaram o Igor numa estação longe pra caramba, alias a ultima estação do restaurante. Sabe, deu uma raiva, primeiro porque esse italianinho é um imbecil. E segundo porque se fosse brasileiro com problema no pé não iam dar 3 dias de off médico e ainda por isso iam falar que brasileiro só inventa dor pra não trabalhar e ainda iam mandar pro Buffet já que no Buffet não precisa andar tanto. Mas claro que não, ele é italiano né? Ele pode.
O Igor está muito chateado e extremamente desanimado, percebo que ele não agüenta mais isso aqui. O problema é que quando tudo fica bem, apesar do cansaço, aí acontece alguma coisa desse tipo, que é revoltante sabe? Porque não é justo. Tinha tanta estação próxima da cozinha, tanto assistente pra trocar e foi logo com o Igor, e é sempre com ele.
É isso que estressa a gente aqui dentro, é isso que se torna desanimador. E depois, todo mundo vem falar de respeito, como assim respeito?
Na hora que mudaram o Igor de estação, o Alessandro começou a sacanear a gente, falava: HÁ HÁ HÁ... apontando pra gente. A primeira vez eu agüentei, na segunda eu apontei o dedo na cara dele e mandei ele calar a boca. E em relação ao italianinho, tudo que posso fazer pra atrapalhar eu faço, roubei todos os talheres dele no outro dia, passo esbarrando... só não faço pior como roubar pratos da estação dele porque eu gosto muito do Bambang e não quero prejudicar ele.
Chega de falar disso... quanto ao convívio aqui dentro. Se é que me entendem... está difícil também. Nada assim de forma escandalosa, pelo contrario, só existe um silencio... eu converso com todo mundo, brinco com todo mundo, mas chego na cabine eu não quero falar, alias, não só dentro da cabine, toda hora eu não quero conversar... sabe, vem querendo sair junto e eu não saio. Vem querendo contar as fofoquinhas maldosas e eu ignoro. Até agora, ia embora em Novembro e simplesmente porque eu assinei meu sign off, também assinou.... vive numa mentira que dá desespero. Foi só o pessoal conversar sobre a idéia de ir pra Irlanda fazer intercambio que aí vem uma outra história mentirosa, pra não ficar por baixo. Engraçado que tudo que acontece comigo e que muitas vezes estou contando pro Igor ou pra qualquer outra pessoa, também acontece com ela e muitas vezes melhor ou pior. É sempre igual a mim. É sempre mentira atrás de mentira... isso me incomoda tanto. Se eu comprei o vídeo game, tambem quer um, se eu vou até tal lugar também vai... mas não é de forma natural... no momento agora estou na cabine deitada com minhas cortinas fechadas pra não interessar o que faço. E ainda sim, fala, pergunta, imita, e me irrita.
Chega de falar disso também.
Quanto aos passeios, Veneza normalmente agora só desço pra ligar pra casa, e estava indo pra comprar presentes, mas acho que já comprei tudo por lá, só quero talvez ir mais uma vez na praça são marcos e talvez no rialto, mas não tenho certeza ainda... em Bari, não tem quase nada, é uma cidade muito diferente e bonita, mas não tem muita coisa pra se fazer ainda mais que todo comercio so abre a partir das 4 da tarde, aí piorou, só quero ir num castelo que tem lá que ainda não fui...
Em Corfu, eu desci num outro dia, e descobri que tem milhares de ruelinhas e milhares de lojas e dá pra comprar muito presente lá. Em Santorini só fui uma vez, talvez eu vá de novo um dia que eu esteja descansada porque o tempo é curto lá e tem que fazer tudo correndo. Mikonos eu sempre desço pra ficar na internet e comer o maravilhoso crepe...
Em Pireus fui numa loja de eletrônicos lá tudooooo de bom, tem tudo que você imagina e os preços são bons... compramos outro jogo do guitar hero. Agora a gente tem o vídeo game, a guitarra e 2 jogos. Eba! Até pensei em comprar um home theater pro meu pai, mas é inviável de levar embora depois porque é maior que uma mala... E lá preciso de um dia com mais tempo pra ir até Atenas... vi cada foto, lindo demais...
Em Katakolon nunca desci... ainda...
Em Dubrovinik provavelmente eu vá mais umas vezes no castelo pra passear direito sem correr tanto, mas é bem difícil por causa do horário.
Enfim... esse é o grande itinerário.
E pra finalizar meu post, vou contar que fiquei sabendo, mas não sei se é verdade, que no dia do desembarque a passagem vem sem data fixa porque eles compram com antecedência, e como tem muita mudança de data de desembarque pra não perder a passagem eles deixam em branco, e se eu quiser chegar no aeroporto e mudar meu vôo pra 1 semana depois ou sei lá até quanto tempo depois eu posso. Talvez pague alguma taxa pequena de mudança de data mas pode, e que eu posso ficar até 3 meses na Itália com o visto que tenho sem estar ilegal... isso quer dizer que posso ficar uma semana ou alguns dias passeando por aqui... quem sabe, vou me informar direitinho sobre isso. Mas o que quero mesmo é ir pra casa...
Oh saudade!!!!!!!!Até mais...
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Do que é respeito – 218º dia – 09h20 brasil, 14h20 local Dubrovinik, Croácia
Tem algo entalado no meu coração. Algo qu infelizmente eu não posso falar pros meus chefes por uma medida de perserverança. Por que eu quero continuar aqui até o limite do limite. Como fe o Zagallo, eles vão ter que me engolir. Digo isso porque ontem foi noite de gala e nada demais aconteceu. Mas há algum tempo tanto o maitre, Cosic Svetoslav quanto o assistente dele o Daniel Augusto Mello ficam me enxendo o saco.
Toda a vez que acontece algo de errado comigo eles brigam comigo normal e depois falam que isso é falta de respeito, que eu não respeito ninguém e etc etc etc. Isso me incomoda. Então aqui eu gostaria de deixar alguns pensamentos meus sobre o que eu tenho dizer sobre respeito.
Respeito meus amigos não é uma questão de estar um dia com a barba por fazer ou por quesem querer a gaveta dos talheres bateu forte contra a bancada. Essas coisas acontecem e não ferem a moral de ninguém. Como é possível vocês virem até mim, dizendo que eu não tenho respeito quando são vocês, os chefes, que passam por mim todos os santos dias e nem sequer me dão bom dia?
Como é possível dar respeito a alguém que prefere jogar paciência no escritório do que ter disponível menos de 5 minutos do seu tempo para falar de algo que interessa tanto a vocês quanto para mim que é a data definitiva do meu desembarque?
É muito estranho falar de respeito com vocês já que o orgulho de vocês aqui dentro desta companhia e fazer parte de uma máfia para arranjar as coisas. Pelo que eu saiba, a máfia é uma organização criminosa, que não respeitas as leis, a família e a moral, mas mesmo assim cobra respeito. Que grande ironia e hipocrisia não? Como é que vocês se atrevem em falar de respeito?
Respeito sr. Daniel e sr. Sveto difere muito de medo. E se é isso que vocês querem que eu tenha de vocês fazendo ameaças de me mandarem para o buffet, crew mess, faxina e etc, vocês estão muito enganados. Há um bom tempo eu não tenho medo de ninguém aqui dentro e vocês estão livres para me colocar em qualquer posição que desejarem, eu desempenharei minhas funções do mesmo jeito, no mesmo nível de realização e satisfação.
Eu tenho sim, muito respeito primeiramente aos passageiros que eu sirvo e em segundo lugar à autoridade de vocês dada a hierarquia deste lugar. Tanto que não há reclamações de passageiros quanto a mim e não há nada que vocês peçam que eu deixe de fazer, que eu não corresponda ou ignore. Muito pelo o contrário. Sempre que solicitado eu sou o primeiro a fazer e sempre que erro eu corrijo no menor tempo hábil possível. Ao contrário de uma imensa quantidade de pessoas aqui dentro.
Respeito senhores é o que eu tenho. Em que todos os colegas e passageiros me chamam pelo nome. Sempre me saúdam e sempre dão bom dia e quando eu solicito algum favor este é feito de bom grado e não por que eu sou chefe. Aqui dentro eu não tenho nenhuma autoridade, mas tenho muito respeito. Por todos. Em quase 8 meses aqui eu sei dar bom dia, por favor e obrigado em pelo menos 12 línguas diferentes. Vocês não.
Então senhores, não me venham me falar de respeito. Voltem para suas funções e continuem usando e abusando da autoridade que lhes compete, tanto comigo contra qualquer outro que eu continuarei a realizar minhas tarefas do mesmo jeito. Agora se querem o meu respeito por vocês, por essa companhia e por suas pessoas, seria muito bom começar por pelo menos um bom dia.
Até mais marujos.
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Primeiramente desculpem por nao escrever mais, é que tenho divido meu tempo entre dormir, trabalhar, jogar video game e ainda assistir Heroes. E além disso rola aquela preguiça mesmo. Na verdade poderia também contar muitas coisas, e todas elas seriam repetitivas porque é sempre a mesma rotina mas ainda sim tem algumas coisas que se descatam como por exemplo minha indignação com certos passageiros pela ignorancia... na coffee station dá pra numerar os casos de burrice humana.
Já no restaurante tudo continua igual também, mesmo ritmo, mesmo garçom, mesmo cardápio, mesma estação, mesmas mesas, o que muda só são os passageiros... e de todos os lugares e tipos... dos que comem pouco ou muito, dos que enchem o saco ou são tranquilos... enfim...
Tô aproveitando essa semana que meu segundo sitting só tem 8 passageiros, isso é MARAVILHOSO... dificulta pra ganhar gorjeta mas é um descanso! Eu mereço.
Em relação aos passeios tudo continua igual também, algumas vezes eu saio, outras eu dormo. Ultimamente tenho dormido bastante porque me sinto muito cansada.
Alguns lugares que ainda quero conhecer, Atenas... Katakolon... ainda nem pude ir.
Gostaria de ir embora, voltar pra casa, pra minha família... pensei em ir no começo de Julho, porque com 7 meses e 20 dias eles já pagam nossa passagem de volta, mas eu ainda não decidi nada, mas provavelmente eu só vá mesmo embora em agosto. Dia 2 de Agosto, em Veneza, eu saio desse navio pra nunca mais voltar.
Tem dias que nem me importo, mas tem dias que é foda. Principalmente pelas regras ridiculas que nunca funcionam e voce tem que cumprir.... por pessoas que não são nada e acham que tem poder, fazem e desfazem da gente... é assim aqui!
Outro dia eu tava no buffet na hora do almoço, aí quando desci pra ir embora, tinha uma tripulante (italiana, eu acho!) levando a mãe dela pra conhecer o navio e talz... ai desci com elas no elevador, e ela abraçou a mãe dela e disse: mamaaaa.... ( com um tom tão gostoso).
Na mesma hora meus olhos encheram de lagrimas sabe? É estranho, eu nao tava triste nem nada, só deu um aperto dentro de mim... aí quando fui pra cabine lembrei que tinha esquecido o meu cartao dentro da cabine, ai sentei no corredor mesmo e fiquei esperando a Diana chegar pra abrir a porta, ai coloquei meu celular pra tocar musica, e começou a tocar Enya... a musica que tocava no treinamento do marca... nossa, caia lagrimas dos meus olhos, sem nem eu querer...
Tem hora que é foda. Mas depois passa....
Vou ficando por aqui... só to escrevendo rapidinho pra dizer que não esqueci de vocês.... e que só faltam mais 75 dias e 10 cruzeiros... e aí FUIIIIII!!!!
Amo vocês, saudades.
Aninha
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Cruzeiro Brasileiro na Europa - 231º dia - 16h22 brasil, 22h22 local Mikonos, Grécia
Essa semana, assim como semana passada, os cruzeios estão tendo muitos grupos. Semana passada foi um grupo de espanhóis de Seguros e essa semana está tendo um evento que na realidade é uma premiação da Petrobrás para os melhores franquiados dos postos BR. O nome do evento se chama a Conquista de Roma. Nota: Roma é o único lugar que o cruzeiro não passa porque é no centro da Itália onde não tem mar. Tsc tsc tsc esses publicitários...
De qualquer modo a característica dos grupos é que eles tem tudo pago e isso permite alguns "furtos" de bebida no bar para nós pobres garçons. e a desvantagem é que o trabalho triplica. Principalmente nas bebidas. Brasileiros então tomam liquidos que nem loucos, principalmente refrigerantes. Franceses é vinho e agua e espanhóis cerveja até as horas.
Da minha parte, tirando o vacumm está tudo um pouco mais tranquilo. Meu italiano está se aprimorando dia a dia com o uso forçado dele por todas as diversas situações que a gente encontra e o indonesiano também melhora mas só pra zoar. Para ajudar ainda mais eu estou tentando aprender um pouco de grego também. As línguas realmente me fascinam.
Eu continuo me metendo em algumas encrencas mas nada que não seja contornado dia após dia. Dias que eu conto para acabar, mas tenho fé em mim e em vocês que torcem por mim. Eu estou tentando postar mais fotos para vocês, mas infelizmente o barzinho que se transormou em Lan House está com a conexão ruim. Tb quem dera.
Muito obrigado mais uma vez pelos comentários a todos vocês. É muito importante pra gente saber das pequenas novidades do nosso lugar de origem. As boas e as ruins. A aninha continua postando fotos no orkut e eu parei de postar lá. Todas as minhas estarão disponíveis aqui no blog. Agora que eu instalei o Picasa fica muio mais fácil de postar pra cá que pro orkut.
Bem vou ficando por aqui. Obrigado mais uma vez a todos.
Até mais marujos!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Em Mykonos até 22h00 - 15h59 brasil, 21h59 local Mykonos, Grécia
Fico muito mas muito, mas muito feliz mesmo por vocês estarem nos acompanhando através o blog. Este post na verdade era para ter sido postado na semana passada mas infelizmente por motivos de força maior não deu.
Agradeço ao Giba, a Juju, ao Gui, à Dna Deborah e a todos os amigos marujos que lêem e deixam comentarios para nós aqui no blog. Fico feliz também com a curiosidade do resto do pessoal que quer trabalhar aqui no navio. Prometo que responderei a todas estas questões com um pouco mais de tempo. pena que tempo aqui é escasso.
Eu estou melhor e a aninha também. Conto aqui os períodos tristes porque no final só ficam as lembranças felizes desta experiência magnifica que é trabalhar num cruzeiro. Magnifíca no sentido de grandeza mesmo.
Neste post quero dizer que amotodos vocês. Sinto poucas saudades como disse, porque tenho todos no meu coração. Momentos e mais momentos que eu penso. "Hum, isso aqui é o Canellas, ou esse cara poarece o Padawan, ou put´z isso aqui pe a cara do Emo" e assim vai.
Para expressar melhor isso eu consegui finalmente compartilhar um album de fotos com vocês no blog e lá eu vou deixando os comentários das minhas experiências. O trabalho é sempre o mesmo, mas analisando melhor consegui relaxar mais. A aninha e eu compramos a guitarra pra jogar Guitar Hero e agora é só alegria.
Um beijo a todos vocês, estamos planejando os presentes que vamos comprar para vocês quando voltarmos. Vou indo pq vai acabar a bateria. Ah e lembrem-se de entar no MSN. Eu estou sempre disponível ao vivo e a cores neste mesmo bat horário.
Até mais marujos!
Da crise mundial e a gripe suina – 221º dia – 09h49 brasil, 14h49 local Veneza, Itália
Estou aqui na cabine da ana dando mais um perdido já que o embarque está tranquilo. Mais uma lista de off saiu e mais uma vez só dá indonesianos é bom porque eles merecem, mas é ruim porque não é só eles que merecem. A cada 15 dias as mesmas pessoas recebem off. Injusto.
Mas injustiça nesse navio é uma coisa natural que você aprende a se revoltar cada vez menos. Eu ia dizer se conformar, mas injustiça é um ato inconformável e isso eu aprendi aqui. Descendo um pouco do navio, falei um pouco com minha mãe e meu pai e com meu vô.
Ah não se preocupem, apesar de gripado, fisicamente estou melhor. Tenho tomado mais agua e tentado dentro da medida do possível comer melhor. A gripe suína também não apareceu aqui no navio. Por medidas de segurança estamos em código azul que amplifica as medidas sanitárias dentro do navio.
Para o pessoal do restaurante muda para a gente praticamente a qtidade de cloro usada na agua que passa de 100ppm para 300ppm. General Cleaning toda semana e o uso de luvas para polir os talheres. De resto normal. Lógico que deveriam ser feitas mais algumas coisas a respeito, mas como sempre tudo é feito pela metade.
Esta semana que passou um grupo de seguros espanhol (Grupo Bilbao) fechou uma parte do navio e foi uma doideira. Para vocês erem uma idéia separaram os garçons e assistentes por nacionalidade. Muita grana os caras deixaram no navio.
A grande maioria dos brasileiros foram trabalhar com os hondurenhos porque é mais fácil de entender o espanhol do que os indonesianos. Se bem que tem indonésia que fala muito bem espanhol. Da minha parte graças a deus foi tranquila essa parte porque além de eu ter ficado com o Bambang, peguei o grupo apenas no almoço o que garantiu algumas coca-colas extras.
Ah quase esqueci de contar que no final acabei ganhando gorjeta novamente depois de tanto tempo sem ver nada. Foram 3 mesas de franceses e duas de alemães + 1 de mexicanos, 1 francês e 3 alemães no outro sitting. Total, apenas 30 euros. (Não se preocupem, os mexicanos não estava gripados).
A crise mundial tá pegando forte e até os alemães que costumavam dar alguma coisa a mais pararam. Em compensação ganhei 50 Kunas do meu garçom. O ruim que eu vou ter que andar com Kuna mão até chegar na Croácia novamente pra fazer o cambio já que essa é a moeda local de lá. E essa piada é especialmente dedicada a Jujubinha, amiga colorida do coração que nunca anda com kuna mão.
Bem marujos me vou.
Até mais marujos!
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Quarta- feira, dia 29 de Abril de 2009.
19h05 em Mikonos e 13h05 no Brasil.
Nossa, me superei, nunca mais escrevi mesmo. 25 dias sem escrever. E na verdade é aquilo que já escrevi, é uma mistura de preguiça, com vontade de dormir, e sair, e trabalhar. E ainda agora jogar vídeo game também.
Muitas coisas aconteceram nesses dias todos. Alias, no último dia que escrevi ainda nem tinha acabado a travessia, e agora já estamos no terceiro cruzeiro.
Estou escrevendo agora porque resolvi fugir do Buffet e hoje vamos descer mais tarde em Mikonos e lá tem net wifi free então é sempre bom dar noticias.
Vamos ver o que posso contar.
O primeiro cruzeiro, foi tranqüilo. Desci na maioria dos lugares já, alguns eu conheci e outros nem sai do porto por falta de tempo. Tempo pra mim tem sido uma coisa meio estranha aqui porque é uma coisa até que nem posso reclamar. Ninguem me diz meus horários, entao acabo fazendo meu horário, claro sem esculhambar mas eu sempre faço menos horas de trabalho do que todo mundo, e eu não to nem aí.
Mas ainda sim, estou muito MUITO cansada. Hoje principalmente me sinto muito cansada, minha cabeça está pesada e eu não vejo a hora de ir embora. Se eu pudesse eu ia embora já. Mas ainda faltam 13 cruzeiros pra terminar, e eu vou embora, vou chegar na minha casa antes do aniversário do Pedrinho, se Deus quiser.
No meu aniversário eu fui em Corfu na Grécia. Eu e o Igor pegamos o shuttle bus e descemos numa praça muito linda. Lá também tinha um monastério bizantino do século 11. Entramos pra conhecer. Muito legal, principalmente a visão da cidade lá de cima. Dava pra ver o navio lá de longe.
Num outro dia desci em Dubrovnik correndo, como não encontrei o Igor, fui sozinha. Cheguei num lugar lá que pra mim até agora é o lugar mais legal que conheci. É um castelo. Na verdade o Igor falou que não é castelo porque todo castelo tem fosso e lá não tinha, lá é uma cidade murada ele disse. É realmente impressionante e lindo. Vou postar as fotos de lá hoje no meu Orkut.
Na outra semana consegui levar o Igor lá, foi correndo, menos de 1h pra ir, andar e voltar. E ainda chegamos bem atrasados porque tinha uma fila enorme de passageiros pra voltar pro navio.
Essa semana fomos até a Praça São Marcos em Veneza. Andamos MUITO, muito mesmo. Cada viela que a gente entrava tinha as plaquinhas indicando “Piazza San Marcos” e o mais legal tinha as setas pra 2 lados. Eu não entendia muito porque mas depois entendi que dava mesmo pra ir por 2 caminhos que chegava lá. Veneza é muito legal. É diferente. É exatamente aquilo que a gente vê nas fotos mesmo, mas a sensação de estar lá é muito diferente. Você vê uma cidade sem carros, se ônibus. O transporte lá são embarcações. Vielas muito estreitas com pontes pequenas e barquinhos passando por debaixo. Mas enfim. Andamos, andamos e andamos pelo menos uns 40 minutos pra chegar lá e eu disse pro Igor que precisava valer a pena porque era muito longe. Nossa. E valeu mesmo a pena. Que lugar lindo. Sabe tava falando pro Igor num outro dia, queria poder fotografar aquilo que meus olhos vêem. Voces podem ver as fotos e podem achar lindo. Mas as fotos não passam aquilo que meus olhos vêem. É muito mais do que está nas fotos.
Descemos hoje em Santorini também. É legal. Só o que não gostei muito que pra chegar até a cidade que é no alto das montanhas precisa ir ou de burro ou de teleférico. Claro que fui de teleférico mas dá uma sensação muito ruim. Sei lá me deu uma pressão na cabeça e uma tontura que não me sinto normal até agora.
Lá também é muito bonito. Só vielas minúsculas com todas as casas branquinhas, chão de pedra, e muitas lojas de jóias.
Em Pireus nós descemos também, mas só andamos um pouco ali por perto do porto porque não tínhamos muito tempo. Na próxima vez com mais tempo, vamos até Atenas, disseram que de táxi dá uns 30 minutos e que é muito legal.
Katakolon eu ainda nem desci.
Quanto ao trabalho, aos passageiros. De manhã eu fico na coffee station com o Lucas servindo coffee, café au lê, café com letie, cappucio, aqqua calda per tê ( não é assim que ecreve mas é assim que esse povo fala). Tava até comentando com o Lucas que dá mais ou menos pra saber de onde é a pessoa pelo que ela bebe. Por exemplo:
Alemão toma muito café com um pingo de leite. Mas é um pingo mesmo. Como eles dizem: Coffee with a litlle bite milk. Italiano toma bastante café com leite e eles chamam isso de cappuccino (só se for na Itália que café com leite é cappuccino, porque pra mim, cappuccino é muito mais gostoso!), as mulheres italianas tomam bastante chá, com um pouco de leite. Francês toma muito café preto (maioria homem) e mulher e crianças tomam muito chocolate. E assim vai.
A tarde eu vou pra uma linha qualquer ajudar um pouco e teoricamente meu horário seria das 7 da manhã as 2 da tarde direto. Mas eu vou as 7, as vezes eu vou 6h30, saio quando fecha, por exemplo umas 10h da manhã. Volto umas 11h30, 11h45 mais ou menos e fico até 1h da tarde. E depois só volto a noite pro restaurante.
O legal da coffee station é que você fica famoso. Todo mundo te conhece. É incrível. E lá eu tento um pouco conversar com passageiros.
A noite no restaurante é uma rotina. Sempre as mesmas coisas, a única coisa que muda é passageiro. No cruzeiro passado meu primeiro sitting só tinha Franceses. Daí eu descobri que eu não gosto de franceses. Eles não comem muito não, essa era a única vantagem. Era 2, no máximo 3 pratos. Mas a sobremesa era foda. Se eu tinha 24 passageiros, todos pediam 2 tipos de sobremesa e pelo menos uns 18 pediam queijos. Meu Deus. Era muito ruim! Além disso, eles eram secos, ignorantes e folgados. Um dos problemas também era que eles eram um grupo de uns 50 franceses, daí sentavam onde queriam e isso sempre dá problema, não respeitavam as mesas marcadas e tal.
Já o segundo sitting era um misto de italianos, americanos e alemães. Eles comiam mais, mas era infinitamente mais tranqüilo.
Esse cruzeiro agora. Tá foda!!! Meu primeiro e segundo sitting comem tudo. TUDO! É entrada, sopa, salada, pasta, prato principal e sobremesa. Todos os pratos. O primeiro sitting é só alemão. E por incrível que pareça são muito simpáticos. Brincam o tempo todo com a gente. Já o segundo sitting, tem 2 casais franceses simpáticos, e uns italianos também muito legais. Mas o segundo sitting é pior do que o primeiro. Por mais rápida que eu seja eu não consigo parar um minuto. E eu sempre termino por ultimo. Eu juro, isso nunca aconteceu. Chega um momento que eu não suporto mais entrar na cozinha. É MUITO STRESSANTE.
Eu estou cansada e queria ir pra casa. Queria poder dormir como uma pessoa normal, sonhar coisas boas e não acordar assustada no meio da noite achando que tinha que estar no restaurante, vir pra cabine descansar e nem conseguir achando que alguém poderia estar me procurando lá em cima (já que eu fujo mesmo!). Entre outras coisas que estão me deixando extremamente irritada. Venho pra cabine e não tenho mais paz. Era bom quando eu podia ficar na cabine sozinha e em silencio pra poder dormir. Eu não sinto vontade de conversar mais com algumas pessoas, principalmente pessoas que tentam se mostrar uma coisa que elas não são. Não gosto de mentiras, sabe? Ficar tentando mostrar que fazem uma coisa que elas não fazem. Não quero falar sobre isso aqui. Porque é complicado demais. Mas isso me deixa com muita raiva mesmo. Não tenho mais espaço na minha cabine pra fazer minhas coisas. Não posso mais tomar banho na hora que eu quero, não posso mais dormir em silencio a tarde, não posso mais deixar minha musica ligada ou jogar um pouco de vídeo game. Nem mesmo tenho espaço pra depilar.
Graças a Deus, eu não vim aqui por dinheiro, não vim pra cá por ninguém. Vim somente como experiência de vida e pra conhecer alguns lugares. E não preciso enganar a mim mesma e aos outros sobre isso.
Dinheiro todo mundo precisa, mas mais uma vez, Graças a Deus eu tive uma mãe e um pai que me deram uma educação de ouro. Que me ensinaram que tem mais coisa importante do que isso. Um pai e uma mãe que eu sinto falta todos os dias. Sabe, tem muita coisa boa de estar aqui, coisas que eu jamais faria se isso não estivesse acontecendo. Quando eu teria conhecido esses lugares, quando eu teria aprendido tanta coisa e conhecido tanta gente legal? Mas nada na vida é como estar perto de quem a gente ama. Nada paga isso cara!
Na semana passada, a mãe da Nati (que trabalha no room service) morreu. Eu não vi a Nati e nem tive a chance de dizer nada pra ela. Mas me disseram que ela tava desesperada. No dia seguinte ela foi pra casa. Ficou todo mundo arrasado sabe? Imagina você aqui, já sente falta, e ainda a pessoa morre. Cara, eu fiquei tão mal. Eu não suporto a idéia que um dia eu não vou ter mais meu pai e minha mãe.
Lá de Veneza, eu liguei pro Pedrinho também. Oh saudade desse mulequinho. Ele falou que quer que eu leve pra ele de presente um filhotinho de camelo pra colocar no quintal.
Voltando ao assunto dos passageiros, uma coisa eu preciso deixar muito clara aqui neste blog.
Desde que cheguei no navio, todo mundo enchia a boca pra falar de passageiro brasileiro, que não tinha educação, que não respeitava horário, que comia muito, pedia isso, isso e aquilo, que atrapalhava todo o serviço, enfim...só passageiro europeu que prestava, porque conhece serviço e tal.
PROTESTO!!!! E me revolto! Isso não é uma realidade. O problema é que todo mundo generaliza as coisas. Porque se 1 brasileiro faz uma coisa é porque todos os outros também fazem.
Olha só! Cruzeiro passado, todos os 7 dias de cruzeiro, todos os franceses chegavam muito atrasados. Pediam coisas que nem tinha no cardápio e tinha que se virar pra conseguir. Os italianos pediam maionese, onde eu ia arrumar maionese no restaurante? Educaçao entao quase inexistente, viviam de cara fechada. Na coffee station é um bom lugar pra se medir educação. A diferença do brasileiro é que eles falam todos ao mesmo tempo e ficam te puxando pra servi-los. Esses europeus de merda, não te dão a xícara, ficam com cara de merda, e não sabem pedir o que querem realmente, pedem uma coisa, depois mudam, pedem outra e assim vai.
Comer muito? Mais do que esse cruzeiro pra provar isso. Eles comem demais, demais e demais.
Então parem de pagar pau pra esses europeus, porque eles não são melhor do que ninguém. Na travessia, a maior parte das gorjetas que ganhei foram de BRASILEIROS. Só um velhinho brasileiro deu pra mim e pro meu garçom 420 dólares. 1 único velhinho. E os famosos europeus, se deram foram 10 dólares, 15 no máximo.
Esses famosos europeus que entendem de serviço. É uma mentira. Quem entende de serviço é quem tem berço, quem já nasceu com grana, pode ser brasileiro, espanhol, italiano, Frances, o que for. Porque pobre tem em qualquer canto. E cruzeiro não é mais pra gente rica não. Hoje é acessível pra todo mundo. E você vê claramente quando trabalha com isso, quem tem berço e quem não tem. Não é europeu. São pessoas e não importa de onde elas sejam.
Ai, acho que escrevi demais. Vou baixar as fotos pro computador e deixar tudo arrumadinho pra eu descer em Mikonos jaja. Tô só esperando o Igor chegar.
Até a próxima!!!
Duas horas que valem uma vida – 215º dia – 05h17 Brasil, 10h17 local Bari, Itália
Hoje estamos em Bari e faz um frio intenso, nada fora do normal dos padrões europeus mas finalmente tirando a adrenalina eu sinto na pele o frio eu é. Ontem eu a Aninha descemos em Veneza mais uma vez e conhecemos afinal um lugar magnifíco.
Trata-se da Praça de São Marco ou em italiano Piazzale San Marco. Para chegar lá nós andamos legal, saímos do navio e fomos a pé até a Piazzale Roma (Praça de Roma) o que dá 1,5 km no mínimo. Lá é o começo da jornada.
Atravessamos a ponte modernosa que tem lá e chegamos novamente aos becos de Veneza que nós dois já conhecíamos separadamente. Agora era a rimeira vez que estávamos juntos em Veneza. Para os casais apaixonados que lêem nosso blog, esqueçam o clima romântico, dessa vez para nós era mais de aventura.
Sempre com o tempo correndo atrás da gente seguimos pelas váias indicações que tinham nas ruas confusas de Veneza até chegar em alguns lugares onde a placa indicava para dois lugares diferentes tipo Piazzale S.Marco e uma seta para esquerda e outra pra direita. Muito confuso. Na dúvida seguíamos o fluxo de pessoas.
No caminho muitas lojas de máscaras e sorveterias. As máscaras uma mais incrível que a outra, com certeza minha mãe iria adorar e eu vou conseguir uma pra ela. Os sorvetes de massa são muito gostosos. A massa é diferente da nossa, mais compacta sei lá, só sei que é muito boa.
Depois de atravessar umas 4 pontes e passar por milhares de vielas não chegamos a lugar nenhum. A Aninha até comentou que era bom essa praça valer a pena porque se fosse uma pracinha do doce ela ia ficar muito decepcionada. Andamos mais um pouco e perguntamos mais um pouco. Meu italiano básico adquirido no navio ajuda bastante nisso.
Mais uma ponte, mais viela e mais gente e de repente abre-se uma clareira a frente. Era ela a Praça de S.Marco. Quando eu olhei eu me surpreendi. Que coisa magnífica! Uma basílica inteira de mármore com centenas de colunas e detalhes, estatuas e vitrais e mosaicos.
Foi aí que andando um pouco eu reparei o quanto eu era ignorante. Nós estavamos numa viela que dava só para a face leste da basílica (que já era enorme). Quando eu vi ela de frente eu pirei. A basílica é colossal, a quantidade de detalhes e obras de arte que estão nela é fora do normal.
Na minha cabeça passaram um trilhão de perguntas. Como foi feita? Quem fez ou melhor, quantos o fizeram? Quanto tempo levou? Na época não tinham máquinas modernas, como eles ergueram aquilo? Quantas vezes foi restaurada e assim vai. Perguntas que não davam tempo de ser respondidas pelo pouco tempo que eu tinha lá fora.
Andando mais um pouco encontro no meio da Praça de S.Marco que é um pátio muito amplo cercado por um prédio por assim dizer com arcos e mais esculturas. Todas as colunas perfeitamente simétricas, todas elas iguais cercando o pátio. No começo do pátio à direita uma torre alta e o relógio.
Do outro lado ainda no pátio mais um relógio que marca a posição das estrelas e os signos do zodíaco. Ao lado da basília do lado oposto de onde entramos tem saída para o mar e no mar duas colunas de pelo menos 20 metros formam a entrada. Em cima de uma coluna uma esfinge guardando um livro e em cima da outra nada, mas talvez tivesse algo lá a algum tempo atrás.
A Aninha tirou várias fotos e eu não levei meu celular porque estava carregando. Vale a pena vir a Veneza para conhecer a Praça que é patrimônio da humanidade e refletir que se há muito tempo atrás nós conseguiámos construir um lugar de enorme beleza como essa porque nós, a humanidade, passamos tanto tempo fazendo coisas tão desagradáveis?
Fizemos um filme do lugar que também entrará aqui no blog. Só estamos esperando dar certo nossa saída em Mikonos para podermos postar. Ah esquei de dizer que mais impressionante ainda foi a aninha achar o caminho de volta sem errar! A Ana tem uma memória espacial muito boa.
Até mais marujos!
