11h28 da manha em Veneza e 06h28 no Brasil
Tenho menos de 10 minutos pra escrever alguma coisa. Estou na Lan House de Veneza.
Essa é a ultima semana. Tudo pela ultima vez. Ultimo drill de passageiro, ultimo drill de crew, ultimo baked alaska, ultimo bari, corfu, mikonos, crepe de mikonos, santorini, pireus, katakolon, dubrovinik, ultimo grupo de passageiros, ultimos passeios, ultimos stresses, ultimo cansaço, ultimas noites na minha cabine, TUDO!
Estou realmente feliz. Mas confesso que vou sentir falta desses lugares e das pessoas maravilhosas que conheci aqui.
Estou voltando pra casa. Ah! E muito chique! Porque agora eu tenho um Iphone, iradooooo!
Talvez esse seja o ultimo post até chegar em casa.
Entao, até mais.
domingo, 28 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Quarta-feira, 17 de Junho de 2008
21h40 de Mikonos e 15h40 no Brasil.
Hoje não quero escrever nada. Só uma nota muito importante:
PREPAREM - SE!!! ESTÁ CONFIRMADO!!!!
DIA 5 DE JULHO, ESTOU SAINDO DESTA NAVE DE VOLTA PRA CASA!
'Graças a Deus!!!
Hoje não quero escrever nada. Só uma nota muito importante:
PREPAREM - SE!!! ESTÁ CONFIRMADO!!!!
DIA 5 DE JULHO, ESTOU SAINDO DESTA NAVE DE VOLTA PRA CASA!
'Graças a Deus!!!
Vou me embora pra Pasárgada - 265º dia - 15h34 brasil, 21h34 local Mykonos, Grécia
Olá marujos,
Essa semana de mudança de Maitre foi um inferno pessoal e profissional para mim. Foram situações muito incômodas que eu tive que lidar mas que felizmnte já passaram. O Sr. Cosic Svetoslav se foi para o bem de todos. A Aninha se conformou com a estadia dela no buffet, mas ainda tem fé de voltar ao restaurante, isso é bom pois acalma o coração dela. Alguns ajustes foram feitos e pessoas que nunca deveriam ter saído do seu posto voltaram ao seu lugar de origem.
De todos confesso que a maior decepção foi esse Maitre D, o Sr. Cosic Svetoslav. Na Infinity, no curso que eu tive, me falaram muito bem dele, que ele era super isso e aquilo, uma pessoa decente, justa e etc. Nada a ver com a realidade que se mostrou aqui onde ele era uma pessoa fraca, sem pulso, vivia pelos seus interesses pessoais e não se importava nem um pouco com a sua equipe. Éramos deixados ao léu e cobrados por erros dele e não nossos.
O Maitre novo é um senhor bem velhinho dos seus 70 e poucos anos de idade, mas que ao contrário do maitre antigo, tem humildade para ouvir a gente. O Hotel Manager cumpriu a palavra dele e eu e a Aninha vamos retornar pra casa juntos no mesmo dia. Que aliás já saiu a data, será dia 5 de julho. São notícias muito boas pois tiram uma carga imensa de ansiedade de cima de mim e da Ana e facilita um pouco a estadia no navio.
Das notícias boas ainda muitas pessoas boas que estavam fora voltaram. Uma boa parte dos indonesianos e hondurenhos que foram embora no final da temporada brasileira estão de volta e isso é bom. Tiveram algumas promoções justas de waiters que viraram Captain Station e assistentes que agora são waiters.
Parece que agora depois da turbulência chega a hora das coisas se ajutarem um pouco. Pena que seja bem no fim do meu contrato, mas de qualquer modo estou feliz com esta experiência só não estou feliz com as dores do meu corpo. Atualmente consegui amenizar as dores do calcanhar e dos pés com novos sapatos e palmilhas e meias kendall que eu esqueci que tinha guardado, mas meu tríceps do braço direito tem me incomodado muito de uns dois dias pra cá. Deve ser por cusa do peso das bandejas talvez.
Ah marujos, estou feliz com a chegada final de tudo isso. Não vejo a hora de poder dormir direito. Sim, vou sentir falta de algumas coisas, mas estas com certeza serão remediadas muito facilmente depois que eu estiver plenamente recuperado.
Me vou agora, mas vocês ficam com o poema do Manuel Bandeira.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Até mais marujos.
Essa semana de mudança de Maitre foi um inferno pessoal e profissional para mim. Foram situações muito incômodas que eu tive que lidar mas que felizmnte já passaram. O Sr. Cosic Svetoslav se foi para o bem de todos. A Aninha se conformou com a estadia dela no buffet, mas ainda tem fé de voltar ao restaurante, isso é bom pois acalma o coração dela. Alguns ajustes foram feitos e pessoas que nunca deveriam ter saído do seu posto voltaram ao seu lugar de origem.
De todos confesso que a maior decepção foi esse Maitre D, o Sr. Cosic Svetoslav. Na Infinity, no curso que eu tive, me falaram muito bem dele, que ele era super isso e aquilo, uma pessoa decente, justa e etc. Nada a ver com a realidade que se mostrou aqui onde ele era uma pessoa fraca, sem pulso, vivia pelos seus interesses pessoais e não se importava nem um pouco com a sua equipe. Éramos deixados ao léu e cobrados por erros dele e não nossos.
O Maitre novo é um senhor bem velhinho dos seus 70 e poucos anos de idade, mas que ao contrário do maitre antigo, tem humildade para ouvir a gente. O Hotel Manager cumpriu a palavra dele e eu e a Aninha vamos retornar pra casa juntos no mesmo dia. Que aliás já saiu a data, será dia 5 de julho. São notícias muito boas pois tiram uma carga imensa de ansiedade de cima de mim e da Ana e facilita um pouco a estadia no navio.
Das notícias boas ainda muitas pessoas boas que estavam fora voltaram. Uma boa parte dos indonesianos e hondurenhos que foram embora no final da temporada brasileira estão de volta e isso é bom. Tiveram algumas promoções justas de waiters que viraram Captain Station e assistentes que agora são waiters.
Parece que agora depois da turbulência chega a hora das coisas se ajutarem um pouco. Pena que seja bem no fim do meu contrato, mas de qualquer modo estou feliz com esta experiência só não estou feliz com as dores do meu corpo. Atualmente consegui amenizar as dores do calcanhar e dos pés com novos sapatos e palmilhas e meias kendall que eu esqueci que tinha guardado, mas meu tríceps do braço direito tem me incomodado muito de uns dois dias pra cá. Deve ser por cusa do peso das bandejas talvez.
Ah marujos, estou feliz com a chegada final de tudo isso. Não vejo a hora de poder dormir direito. Sim, vou sentir falta de algumas coisas, mas estas com certeza serão remediadas muito facilmente depois que eu estiver plenamente recuperado.
Me vou agora, mas vocês ficam com o poema do Manuel Bandeira.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Até mais marujos.
Segunda- feira, dia 15 de Junho de 2009.
19h50 em navegação e 14h50 no Brasil.
Hoje é um dia muito bom. Até quem sabe dizer feliz, porque felicidade aqui é muito relativo. Um dia bom é quando nada de ruim acontece e um dia relativamente feliz é alguma coisa de diferente e boa que acontece, hoje por exemplo é um dia assim.
Hoje dia 15 de Junho, no porto de Bari, felizmente, para a FELICIDADE GERAL DA TRIPULAÇÃO o Sr. Cosic Sveto, Maitre d’Hotel foi embora. Só faltaram os fogos de artifício. Isso pra mim já é uma grande vitória.
Mais um motivo, é que a Diana voltou para o Buffet também. É aquilo que escrevi no outro post sobre isso, se quem sabe trabalhar como eu, tive que voltar, que quem não sabe que volte também.
Outro motivo é que alguns dos meus amigos indonésios que foram embora em Abril voltaram ontem, o Agus, o Alex, o Daddy e além disso, por mais incrível e até quase inimaginável que isso possa parecer, o Daddy, INDONÉSIO, agora é capitan station.
Não sei se isso tem haver com o novo maitre que chegou, mas tem algumas mudanças ocorrendo que são boas na minha opinião. Até ontem, todos os capitan stations eram italianos, o que era muito ruim, pelo fato do tratamento com os outros até pelo poder que eles acreditam que tem pela compania ser italiana. E agora tem o Anibal que é hondurenho, o Daddy que é indonésio, e o Yohan que é romeno. Isso quem sabe faça com que o trabalho seja mais igual e que exista mais respeito.
Amei que o Daddy voltou e agora é capitan station. Ele é um amor e com certeza muito competente.
A convivência com minha nova companheira de cabine está super tranqüila, muito melhor do que poderia imaginar. Ontem fizemos uma super limpeza a noite na cabine e a gente até conversa bastante.
O Buffet é um lugar que eu realmente não gosto, o tempo não passa, todo mundo quer competir mais do o outro, e quando 1 faz merda, todos pagam por isso, e meu corpo todo voltou a doer de ficar tanto tempo parada em pé. Minhas pernas doem demais. Mas já estou me acostumando de novo, dos males o menor já que estou numa linha super tranqüila. Se dependesse de mim, eu voltaria pro restaurante, mas não é do meu poder decidir isso, então eu só espero.
O docinho ( que é como eu chamo o Emannuele, um capitan station mais fofo e mais bonzinho e na minha opinião mais competente que existe nesse navio) foi passar uma semana em casa, e agora está de volta. Contei pra ele hoje tudo que aconteceu nessa semana, que o Sveto me tirou do restaurante e tal, e ele ficou super indignado, disse que vai conversar com o Genaro ( assistente de maitre) pra ele conversar com o novo maitre pra me colocar de volta no restaurante. Que até mesmo ele vai falar com o maitre.
Agora a tarde, o Hotel Manager passou por mim e fez uma cara pra mim e um sinal do tipo “espera que eu vou resolver tudo” e eu só acenei com a cabeça agradecendo. Não sei bem se ele vai fazer alguma coisa, espero que sim, mas pelo menos já é a segunda vez com que ele faz isso, e a partir de hoje o monstro do Sveto foi embora, e quem sabe ele vá mesmo falar com o novo maitre.
Agora só me basta esperar. Minha ansiedade passou, estou mais calma e menos triste, só vou deixar acontecer. Se eu conseguir voltar pro restaurante, ótimo, senão, paciência só faltam 26 dias pra eu voltar pra casa. E como disse o Eddie hoje, no próximo dia 15 eu já não estarei mais aqui.
Estou cansada. Tenho dormido todo dia muito cedo e me sinto cansada demais. Vou tomar um banho e dormir. Vou indo...
Até logo.
Hoje é um dia muito bom. Até quem sabe dizer feliz, porque felicidade aqui é muito relativo. Um dia bom é quando nada de ruim acontece e um dia relativamente feliz é alguma coisa de diferente e boa que acontece, hoje por exemplo é um dia assim.
Hoje dia 15 de Junho, no porto de Bari, felizmente, para a FELICIDADE GERAL DA TRIPULAÇÃO o Sr. Cosic Sveto, Maitre d’Hotel foi embora. Só faltaram os fogos de artifício. Isso pra mim já é uma grande vitória.
Mais um motivo, é que a Diana voltou para o Buffet também. É aquilo que escrevi no outro post sobre isso, se quem sabe trabalhar como eu, tive que voltar, que quem não sabe que volte também.
Outro motivo é que alguns dos meus amigos indonésios que foram embora em Abril voltaram ontem, o Agus, o Alex, o Daddy e além disso, por mais incrível e até quase inimaginável que isso possa parecer, o Daddy, INDONÉSIO, agora é capitan station.
Não sei se isso tem haver com o novo maitre que chegou, mas tem algumas mudanças ocorrendo que são boas na minha opinião. Até ontem, todos os capitan stations eram italianos, o que era muito ruim, pelo fato do tratamento com os outros até pelo poder que eles acreditam que tem pela compania ser italiana. E agora tem o Anibal que é hondurenho, o Daddy que é indonésio, e o Yohan que é romeno. Isso quem sabe faça com que o trabalho seja mais igual e que exista mais respeito.
Amei que o Daddy voltou e agora é capitan station. Ele é um amor e com certeza muito competente.
A convivência com minha nova companheira de cabine está super tranqüila, muito melhor do que poderia imaginar. Ontem fizemos uma super limpeza a noite na cabine e a gente até conversa bastante.
O Buffet é um lugar que eu realmente não gosto, o tempo não passa, todo mundo quer competir mais do o outro, e quando 1 faz merda, todos pagam por isso, e meu corpo todo voltou a doer de ficar tanto tempo parada em pé. Minhas pernas doem demais. Mas já estou me acostumando de novo, dos males o menor já que estou numa linha super tranqüila. Se dependesse de mim, eu voltaria pro restaurante, mas não é do meu poder decidir isso, então eu só espero.
O docinho ( que é como eu chamo o Emannuele, um capitan station mais fofo e mais bonzinho e na minha opinião mais competente que existe nesse navio) foi passar uma semana em casa, e agora está de volta. Contei pra ele hoje tudo que aconteceu nessa semana, que o Sveto me tirou do restaurante e tal, e ele ficou super indignado, disse que vai conversar com o Genaro ( assistente de maitre) pra ele conversar com o novo maitre pra me colocar de volta no restaurante. Que até mesmo ele vai falar com o maitre.
Agora a tarde, o Hotel Manager passou por mim e fez uma cara pra mim e um sinal do tipo “espera que eu vou resolver tudo” e eu só acenei com a cabeça agradecendo. Não sei bem se ele vai fazer alguma coisa, espero que sim, mas pelo menos já é a segunda vez com que ele faz isso, e a partir de hoje o monstro do Sveto foi embora, e quem sabe ele vá mesmo falar com o novo maitre.
Agora só me basta esperar. Minha ansiedade passou, estou mais calma e menos triste, só vou deixar acontecer. Se eu conseguir voltar pro restaurante, ótimo, senão, paciência só faltam 26 dias pra eu voltar pra casa. E como disse o Eddie hoje, no próximo dia 15 eu já não estarei mais aqui.
Estou cansada. Tenho dormido todo dia muito cedo e me sinto cansada demais. Vou tomar um banho e dormir. Vou indo...
Até logo.
Mais exemplos de abusos – muito nervoso para lembrar o dia e a hora.
Olá marujos,
Só queria registrar que hoje o Luigi Cacage, um dos Assistentes do Maitre´D passou a mão na minha bunda. Não gostei disso. Esse pessoal tá ficando muito abusado com as brincadeiras deles. Eu nunca dei nenhuma liberdade para isso acontecer. Eu nunca brinco com ninguém disso, ninguém e vem esse velho cretino fazer isso. Não não. As coisas estão passando um pouquinho dos limites não acham?
Uma notícia boa pelo menos, a Ana estava no buffet e o Hotel Manager, que é a única pessoa que escutou a gente até agora, viu ela lá. Sem ela perguntar nada pediu para ela ter um pouco de paciência que ela já voltaria para o restaurante. Isso é bom. Pelo meno uma pessoa ao nosso favor.
Estou cansado marujos. Meu pés doem muito mas isso é redundante. Meu calcanhar não existe mais. Reveso os sapatos mas não adianta muito, as pernas também doem principalmente o nervo siático. A dor vai até a bunda e as vezes faz falsear minha perna quando eu estou andando ou carregando a bandeja.
Tenho chegado todo dia atrasado pelo menos 5 ou 10 minutos no buffet onde eles fazem o Check-in e o check out (que é uma chamada para ver se você está presente). Hoje o Captain Station italiano Alessandro gritou comigo na frente de todo mundo or causa disso. Virei as costas e sai andando. 05h45 da manhã não tem passageiro tomando café. Ainda mais no Giardino que é minha posição. Aliás os primeiros passageiros começaram a chegar às 07h15.
Comecei a dizer algumas verdades para os passageiros. A grande maioria pergunta como que é a vida dentro do navio, do trabalho e etc. Creio que a maioria dos leitores do blog que não são da família também queiram sabe disso, pois bem. Comecei a dizer que eu sofria alguns abusos, discriminação e até preconceito, que a carga horária e os pagamentos são diferenciados e tudo isso por que eu não sou italiano. Nota. Eu explico isso em italiano para os passageiros italianos.
A maioria fica estática, abismada ouvindo, mas como é de se esperar não fazem nada, só ficam com dó. Cheguei arrancar lágrimas de uma senhora de um grupo de 4 velhinhas italianas que estavam no buffet para quem eu contei essa parte da minha história. Elas disseram que o máximo que podem fazer por mim é rezar para que eu seja forte e consiga aguentar tudo com firmeza até o final. Agradeci.
No fim nem vocês sabem de toda a verdade, não tenho tempo, saco ou simplesmente prefiro esquecer para não relembrar certos momentos que deveriam não acontecer, entretanto acontecem. Os momentos bons ficam registrados nas fotos e a cada vez que eu recebo um obrigado, um sorriso, um aperto de mão ou uma gorjeta dos meus passageiros. Aqueles que o fazem de coração eu recebo com todo amor.
São esses “drops” de alegria que me permite reconsiderar e até mentir pra mim mesmo sobre a real situação daqui e fazer com que eu acorde mais um dia para ir trabalhar com todas as dores e fomes e sedes e humilhações que eu possa um dia jamais tentado imaginar.
Até mais marujos.
Só queria registrar que hoje o Luigi Cacage, um dos Assistentes do Maitre´D passou a mão na minha bunda. Não gostei disso. Esse pessoal tá ficando muito abusado com as brincadeiras deles. Eu nunca dei nenhuma liberdade para isso acontecer. Eu nunca brinco com ninguém disso, ninguém e vem esse velho cretino fazer isso. Não não. As coisas estão passando um pouquinho dos limites não acham?
Uma notícia boa pelo menos, a Ana estava no buffet e o Hotel Manager, que é a única pessoa que escutou a gente até agora, viu ela lá. Sem ela perguntar nada pediu para ela ter um pouco de paciência que ela já voltaria para o restaurante. Isso é bom. Pelo meno uma pessoa ao nosso favor.
Estou cansado marujos. Meu pés doem muito mas isso é redundante. Meu calcanhar não existe mais. Reveso os sapatos mas não adianta muito, as pernas também doem principalmente o nervo siático. A dor vai até a bunda e as vezes faz falsear minha perna quando eu estou andando ou carregando a bandeja.
Tenho chegado todo dia atrasado pelo menos 5 ou 10 minutos no buffet onde eles fazem o Check-in e o check out (que é uma chamada para ver se você está presente). Hoje o Captain Station italiano Alessandro gritou comigo na frente de todo mundo or causa disso. Virei as costas e sai andando. 05h45 da manhã não tem passageiro tomando café. Ainda mais no Giardino que é minha posição. Aliás os primeiros passageiros começaram a chegar às 07h15.
Comecei a dizer algumas verdades para os passageiros. A grande maioria pergunta como que é a vida dentro do navio, do trabalho e etc. Creio que a maioria dos leitores do blog que não são da família também queiram sabe disso, pois bem. Comecei a dizer que eu sofria alguns abusos, discriminação e até preconceito, que a carga horária e os pagamentos são diferenciados e tudo isso por que eu não sou italiano. Nota. Eu explico isso em italiano para os passageiros italianos.
A maioria fica estática, abismada ouvindo, mas como é de se esperar não fazem nada, só ficam com dó. Cheguei arrancar lágrimas de uma senhora de um grupo de 4 velhinhas italianas que estavam no buffet para quem eu contei essa parte da minha história. Elas disseram que o máximo que podem fazer por mim é rezar para que eu seja forte e consiga aguentar tudo com firmeza até o final. Agradeci.
No fim nem vocês sabem de toda a verdade, não tenho tempo, saco ou simplesmente prefiro esquecer para não relembrar certos momentos que deveriam não acontecer, entretanto acontecem. Os momentos bons ficam registrados nas fotos e a cada vez que eu recebo um obrigado, um sorriso, um aperto de mão ou uma gorjeta dos meus passageiros. Aqueles que o fazem de coração eu recebo com todo amor.
São esses “drops” de alegria que me permite reconsiderar e até mentir pra mim mesmo sobre a real situação daqui e fazer com que eu acorde mais um dia para ir trabalhar com todas as dores e fomes e sedes e humilhações que eu possa um dia jamais tentado imaginar.
Até mais marujos.
Quinta- feira, dia 11 de Junho de 2009.
20h00 em navegação e 14h00 no Brasil.
Que Deus me ajude agora! Só faltam 1 mês e 1 dia pra eu voltar pra casa! Bem agora, na reta final, quando tudo poderia estar bem, começou o inferno, e o INFERNO propriamente dito.
Bem, deixa eu contar como e quando tudo começou. Na sexta-feira passada a noite, o Ricardo comentou comigo que tinham mudado todo mundo de lugar no Buffet, que eu ainda continuava na coffee station mas com o Anderson e não com o Lucas. O que seria muito ruim por vários motivos: 1 é que o Anderson é um grande fofoqueiro e ia me dar problemas quanto ao meu horário diferenciado já que eu também trabalhava no restaurante. Mas até aí, ok.
No dia seguinte, mudaram tudo novamente. Ao invés de eu trabalhar com o Anderson, me colocaram numa outra coffee station no Giardino trabalhando sozinha, sem problemas a única coisa é que eu teria que entrar em horário de Buffet, as 5 da manhã todos os dias.
Tudo começaria no domingo, em Veneza. E assim foi. Quando cheguei as 5 da manhã no Buffet relembrei o que era viver o inferno do Buffet. Acordar aquela hora, chegar lá e nem ter a luz do sol, ouvir uma maldita musica muito alta, e todo mundo reclamando e falando mal do outro. Não tinham nem 15 minutos que estava lá fiquei sabendo pela boca de outra pessoa que a Diana ia trocar de cabine e ia entrar a Luciana no lugar dela. Fiquei extremamente revoltada, não porque a Diana ia sair, pelo contrario, porque isso até é um alivio porque poderia ter paz novamente, mas fiquei revoltada porque toda vez que tentei mudar de cabine com outra pessoa, nunca mudei porque nunca encontrei uma pessoa que poderia dar certo morando com a Diana, e eu não queria deixar ela na mão, coisa com que ela nem se preocupou. A Luciana é uma pessoa muito irritada, fala mal de todo mundo, briga com todo mundo, e algumas vezes tive alguns desentendimentos com ela no Buffet, imagina o que seria morar com ela...
Quando terminou o café da manhã vim pra cabine e já não tinha mais nada da Diana na cabine. E logo a Luciana trouxe as coisas dela, tentei ajudar e ser agradável pra ter um clima melhor, mas ela não deu muita brecha então desisti. Eu estava assim, realmente puta da vida.
Daí, após o almoço como sempre, fui pra minha cabine porque já tinha dado meu horário e só voltaria a noite pro restaurante. Dormi e tive um sono muito agitado, acordei bem assustada, e o Igor chegou na cabine com uma cara e disse que tinha uma noticia pra mim. O Luigi havia me procurado durante todo o almoço pra dizer que eu não trabalhava mais no restaurante. Que o maitre disse que todos os Buffet que trabalhavam no restaurante iam voltar pro Buffet já que haviam chegado muitos assistentes novos pro restaurante. Chorei, chorei muito. Mas ele disse que tentou conversar com o Luigi e que ele mandou eu ir a noite pro restaurante e tentar conversar com o maitre. Tentei falar com ele naquela tarde mesmo, e ele simplesmente me ignorou. Daí vi que na lista da escala do restaurante ainda tinham 3 buffet boys que não haviam voltado pro Buffet: Jacinto, Yudi e Diana.
Nessa hora meu sangue subiu e eu só queria ir embora, porque não era justo. Eu, o Jacinto e o Yudi fomos os primeiros Buffet a ir pro restaurante, eu sou a que fiquei lá por mais tempo, há 6 meses consecutivos sem voltar pro Buffet, e eles 2 também ficaram essa média de tempo, mas a Diana estava há pouco mais de 1 mês. Não era justo isso. Era eu que deveria ter ficado e não ela, mas ela ficou, e porque? Porque os chefes velhotes italianos dão em cima dela e ela dá bola, deixa eles acharem que ela quer alguma coisa com eles pra ela ter as coisas, foi assim que ela fez desde que chegou. Com todos, aceitando presentinhos, indo almoçar junto, só pra poder ir pro restaurante. Ela chegou lá, o problema é que ela nem é tão boa assim, pelo contrario, todo mundo com quem ela trabalhou reclama do trabalho dela. E eu, ali, voltando pro Buffet, sendo que até meu próprio garçom pediu que eu não deixasse de trabalhar com ele.
Fui até o Crew Purser pegar um outro papel de sign off, e disse pro Igor que se ele não me colocasse no restaurante de volta eu ia pra casa no próximo Veneza.
Fui pro restaurante a noite, fui falar com ele, e ele simplesmente me disse que ele não precisava mais de mim no restaurante e que se eu não quisesse ficar no Buffet entao que eu fosse pra casa. Na mesma hora fui com o Igor na sala do Hotel Manager pra ele assinar meu sign off pra eu ir embora.
Conversamos com ele, ele pediu pra explicar tudo o que tinha acontecido, e pediu que eu tivesse calma, que eu esperasse essa semana porque o maitre estava indo embora e que quando o outro maitre chegasse ele me colocava no restaurante de novo. E ainda garantiu meu desembarque pro dia 12 de Julho junto com o Igor. Eu disse que eu ia tentar agüentar. Mas está muito difícil eu confesso. Tenho chorado muito, é muito difícil e humilhante voltar pro Buffet ainda mais nessas circunstancias, sabendo que tem uma vagabunda que nem sabe trabalhar no meu lugar.
A única coisa boa que aconteceu nisso tudo, é que agora está confirmado que eu vou embora, e isso me animou um pouco mais. Mas a raiva que eu sinto é muito grande. Estou decepcionada de ter voltado pro Buffet. ODEIO ODEIO ODEIO o Buffet da forma mais intensa que pode existir. Todo mundo trata Buffet boy como o mais lixo do navio, todo mundo acha que manda e desmanda e eu não estou obedecendo ninguém.
Qualquer pessoa que fala eu discuto na mesma hora. Hoje mesmo um capitan station novo que chegou, um italiano IDIOTA, veio cheio de graça pra cima de mim, gritando comigo, disse que o Igor não poderia me ajudar a limpar e tal que ele tinha que ir embora que o horário dele já tinha acabado, eu mandei ele calar a boca e ir fazer o trabalho dele, que ele falava demais, que ele poderia sim me ajudar como sempre ajudou e não era ele, um capitan station de merda que ia falar que não podia. Ele me mandou tomar no cu (em italiano) e eu mandei ele tomar no cu e sair de perto de mim.
Aí pra piorar a situação, o Buffet ta a maior confusão porque colocam a gente numa linha, depois mudam e mudam e mudam... agora eles tão tentando ter controle de uma coisa que eles nunca tiveram controle e nunca vão ter, porque esses italianos são desorganizados e sem cérebro. Agora tem escala pra tudo, café, almoço e até tea time, cada um na sua posição. UM INFERNOOOOO!
Gente, vocês não tem idéia de quanto eu ODEIO trabalhar no Buffet. As pessoas lá se preocupam mais com o que os outros fazem do que o seu próprio trabalho, é uma guerra. O restaurante pode ser o maior stress com oficiais que controlam quantos pratos levar, com passageiro que é chato, mas é infinitamente mais agradável e todo mundo se ajuda.
Meu garçom ficou super chateado também e tentou conversar com o Luigi pra eu não sair do restaurante mas ele disse que tinha que conversar com o maitre.
O maitre novo chegou, é um velhinho que parece ser muito bom. Já chegou demostrando educação e respeito. Infelizmente o demônio do Sveto (atual maitre) ainda não foi embora. Fui conversar com o maitre novo, expliquei tudo pra ele, e ele disse pra esperar porque ele acabou de chegar e não sabe como estão as coisas ainda.
Eu desejo do fundo do meu coração voltar pro restaurante. Eu não quero terminar meu contrato no Buffet, não quero terminar assim me sentindo humilhada. Não quero ficar carregando e repondo comida, limpando linha, estação, varrendo o chão. Eu gosto do restaurante. EU SOU PROFISSIONAL lá que eu sei, sou boa e boa demais. Disso eu tenho muita certeza.
Por isso, que Deus me ajude agora. Eu estou sufocando, agonizando nesse Buffet. Não sei o que vai ser de mim 1 mês e 1 dia lá. É pouco, mas será uma eternidade.
Quanto a menina que mora comigo agora não está sendo tão ruim assim, ela não é tão má assim, só é um pouco stressada. Tá de boa!
E eu só desejo que a Diana e o maitre e esses italianos de merda explodam.
Estou com muita dor de cabeça porque estou com sono. Tenho entrado todos os dias as 5 da manha, não tem mais horário de café da manha, tem que comer algo lá no Buffet rapidinho antes de abrir as linhas, depois tem um pequeno intervalo até o almoço, e daí vai direto até as 6 ou 7 da noite.
Estou cansada, quero ir embora, LOGO!
Vou ficando por aqui pra dormir um pouco. Rezem por mim!
Beijos!
Que Deus me ajude agora! Só faltam 1 mês e 1 dia pra eu voltar pra casa! Bem agora, na reta final, quando tudo poderia estar bem, começou o inferno, e o INFERNO propriamente dito.
Bem, deixa eu contar como e quando tudo começou. Na sexta-feira passada a noite, o Ricardo comentou comigo que tinham mudado todo mundo de lugar no Buffet, que eu ainda continuava na coffee station mas com o Anderson e não com o Lucas. O que seria muito ruim por vários motivos: 1 é que o Anderson é um grande fofoqueiro e ia me dar problemas quanto ao meu horário diferenciado já que eu também trabalhava no restaurante. Mas até aí, ok.
No dia seguinte, mudaram tudo novamente. Ao invés de eu trabalhar com o Anderson, me colocaram numa outra coffee station no Giardino trabalhando sozinha, sem problemas a única coisa é que eu teria que entrar em horário de Buffet, as 5 da manhã todos os dias.
Tudo começaria no domingo, em Veneza. E assim foi. Quando cheguei as 5 da manhã no Buffet relembrei o que era viver o inferno do Buffet. Acordar aquela hora, chegar lá e nem ter a luz do sol, ouvir uma maldita musica muito alta, e todo mundo reclamando e falando mal do outro. Não tinham nem 15 minutos que estava lá fiquei sabendo pela boca de outra pessoa que a Diana ia trocar de cabine e ia entrar a Luciana no lugar dela. Fiquei extremamente revoltada, não porque a Diana ia sair, pelo contrario, porque isso até é um alivio porque poderia ter paz novamente, mas fiquei revoltada porque toda vez que tentei mudar de cabine com outra pessoa, nunca mudei porque nunca encontrei uma pessoa que poderia dar certo morando com a Diana, e eu não queria deixar ela na mão, coisa com que ela nem se preocupou. A Luciana é uma pessoa muito irritada, fala mal de todo mundo, briga com todo mundo, e algumas vezes tive alguns desentendimentos com ela no Buffet, imagina o que seria morar com ela...
Quando terminou o café da manhã vim pra cabine e já não tinha mais nada da Diana na cabine. E logo a Luciana trouxe as coisas dela, tentei ajudar e ser agradável pra ter um clima melhor, mas ela não deu muita brecha então desisti. Eu estava assim, realmente puta da vida.
Daí, após o almoço como sempre, fui pra minha cabine porque já tinha dado meu horário e só voltaria a noite pro restaurante. Dormi e tive um sono muito agitado, acordei bem assustada, e o Igor chegou na cabine com uma cara e disse que tinha uma noticia pra mim. O Luigi havia me procurado durante todo o almoço pra dizer que eu não trabalhava mais no restaurante. Que o maitre disse que todos os Buffet que trabalhavam no restaurante iam voltar pro Buffet já que haviam chegado muitos assistentes novos pro restaurante. Chorei, chorei muito. Mas ele disse que tentou conversar com o Luigi e que ele mandou eu ir a noite pro restaurante e tentar conversar com o maitre. Tentei falar com ele naquela tarde mesmo, e ele simplesmente me ignorou. Daí vi que na lista da escala do restaurante ainda tinham 3 buffet boys que não haviam voltado pro Buffet: Jacinto, Yudi e Diana.
Nessa hora meu sangue subiu e eu só queria ir embora, porque não era justo. Eu, o Jacinto e o Yudi fomos os primeiros Buffet a ir pro restaurante, eu sou a que fiquei lá por mais tempo, há 6 meses consecutivos sem voltar pro Buffet, e eles 2 também ficaram essa média de tempo, mas a Diana estava há pouco mais de 1 mês. Não era justo isso. Era eu que deveria ter ficado e não ela, mas ela ficou, e porque? Porque os chefes velhotes italianos dão em cima dela e ela dá bola, deixa eles acharem que ela quer alguma coisa com eles pra ela ter as coisas, foi assim que ela fez desde que chegou. Com todos, aceitando presentinhos, indo almoçar junto, só pra poder ir pro restaurante. Ela chegou lá, o problema é que ela nem é tão boa assim, pelo contrario, todo mundo com quem ela trabalhou reclama do trabalho dela. E eu, ali, voltando pro Buffet, sendo que até meu próprio garçom pediu que eu não deixasse de trabalhar com ele.
Fui até o Crew Purser pegar um outro papel de sign off, e disse pro Igor que se ele não me colocasse no restaurante de volta eu ia pra casa no próximo Veneza.
Fui pro restaurante a noite, fui falar com ele, e ele simplesmente me disse que ele não precisava mais de mim no restaurante e que se eu não quisesse ficar no Buffet entao que eu fosse pra casa. Na mesma hora fui com o Igor na sala do Hotel Manager pra ele assinar meu sign off pra eu ir embora.
Conversamos com ele, ele pediu pra explicar tudo o que tinha acontecido, e pediu que eu tivesse calma, que eu esperasse essa semana porque o maitre estava indo embora e que quando o outro maitre chegasse ele me colocava no restaurante de novo. E ainda garantiu meu desembarque pro dia 12 de Julho junto com o Igor. Eu disse que eu ia tentar agüentar. Mas está muito difícil eu confesso. Tenho chorado muito, é muito difícil e humilhante voltar pro Buffet ainda mais nessas circunstancias, sabendo que tem uma vagabunda que nem sabe trabalhar no meu lugar.
A única coisa boa que aconteceu nisso tudo, é que agora está confirmado que eu vou embora, e isso me animou um pouco mais. Mas a raiva que eu sinto é muito grande. Estou decepcionada de ter voltado pro Buffet. ODEIO ODEIO ODEIO o Buffet da forma mais intensa que pode existir. Todo mundo trata Buffet boy como o mais lixo do navio, todo mundo acha que manda e desmanda e eu não estou obedecendo ninguém.
Qualquer pessoa que fala eu discuto na mesma hora. Hoje mesmo um capitan station novo que chegou, um italiano IDIOTA, veio cheio de graça pra cima de mim, gritando comigo, disse que o Igor não poderia me ajudar a limpar e tal que ele tinha que ir embora que o horário dele já tinha acabado, eu mandei ele calar a boca e ir fazer o trabalho dele, que ele falava demais, que ele poderia sim me ajudar como sempre ajudou e não era ele, um capitan station de merda que ia falar que não podia. Ele me mandou tomar no cu (em italiano) e eu mandei ele tomar no cu e sair de perto de mim.
Aí pra piorar a situação, o Buffet ta a maior confusão porque colocam a gente numa linha, depois mudam e mudam e mudam... agora eles tão tentando ter controle de uma coisa que eles nunca tiveram controle e nunca vão ter, porque esses italianos são desorganizados e sem cérebro. Agora tem escala pra tudo, café, almoço e até tea time, cada um na sua posição. UM INFERNOOOOO!
Gente, vocês não tem idéia de quanto eu ODEIO trabalhar no Buffet. As pessoas lá se preocupam mais com o que os outros fazem do que o seu próprio trabalho, é uma guerra. O restaurante pode ser o maior stress com oficiais que controlam quantos pratos levar, com passageiro que é chato, mas é infinitamente mais agradável e todo mundo se ajuda.
Meu garçom ficou super chateado também e tentou conversar com o Luigi pra eu não sair do restaurante mas ele disse que tinha que conversar com o maitre.
O maitre novo chegou, é um velhinho que parece ser muito bom. Já chegou demostrando educação e respeito. Infelizmente o demônio do Sveto (atual maitre) ainda não foi embora. Fui conversar com o maitre novo, expliquei tudo pra ele, e ele disse pra esperar porque ele acabou de chegar e não sabe como estão as coisas ainda.
Eu desejo do fundo do meu coração voltar pro restaurante. Eu não quero terminar meu contrato no Buffet, não quero terminar assim me sentindo humilhada. Não quero ficar carregando e repondo comida, limpando linha, estação, varrendo o chão. Eu gosto do restaurante. EU SOU PROFISSIONAL lá que eu sei, sou boa e boa demais. Disso eu tenho muita certeza.
Por isso, que Deus me ajude agora. Eu estou sufocando, agonizando nesse Buffet. Não sei o que vai ser de mim 1 mês e 1 dia lá. É pouco, mas será uma eternidade.
Quanto a menina que mora comigo agora não está sendo tão ruim assim, ela não é tão má assim, só é um pouco stressada. Tá de boa!
E eu só desejo que a Diana e o maitre e esses italianos de merda explodam.
Estou com muita dor de cabeça porque estou com sono. Tenho entrado todos os dias as 5 da manha, não tem mais horário de café da manha, tem que comer algo lá no Buffet rapidinho antes de abrir as linhas, depois tem um pequeno intervalo até o almoço, e daí vai direto até as 6 ou 7 da noite.
Estou cansada, quero ir embora, LOGO!
Vou ficando por aqui pra dormir um pouco. Rezem por mim!
Beijos!
O mar de descriminação – 260º dia – 11h05 brasil, 17h05 local Pireus, Grécia
Olá marujos,
Tenho que dizer a vocês que estou revoltado, frustrado e muito, mas muito, mas muito cansado de testumunhar e ser humilhado, desrespeitado e ofendido por esses chefes e alguns tripulantes italianos. É importante que vocês entendam que isto não acontece uma vez ou outra, isso acontece sempre. Há uma predisposição clara, explícita de facilitação de serviços, comodidades e tratamento quando se trata dos italianos com o resto do mundo.
Hoje eu ouvi um superior meu mandar a Ana se fuder por que eu estava ajudando ela a limpar a linha do buffet. Nota-se que eu já tinha terminado meu serviço. Muita coisa está se revelando agora neste fim de mês e de contrato.
A Ana sem razão ou motivo foi dispensada do restaurante. A ordem é que todos os buffet boys voltassem ao buffet porque com a chegada de novos assistentes de garçom eles supririam a vaga dos mesmos. Acontece que atualmente e já faz uma semana que só a Ana voltou ao buffet. O restante dos buffet boys continuam no resturante e os assistentes de garçom que deveriam estar trabalhando estão a disposição. Isto quer dizer eles só trabalham se for necessário. Adivinhem a nacionalidade de 4 dos 5 a disposição? Adivinhou? Italianos.
Quando eu fui peruntar ao Maitre´D Cosic Svetolav o porque dessa decisão, já que a Ana é a única buffet girl que dos 7 meses de contrato está a 6 no restaurnte com o mesmo garçom, foi a única que retornou a posição, fui informado que ele ão precisava mai do serviços dela.
Agora me expliquem. Que tipo de pessoa não precisa do serviço de outra que é a mais experinte e competente dos buffet boys que estão no restaurante. Nota-se que a Ana nunca se meteu em problemas no restaurante eu já, em vários. Nesse sentido ela é melhor que eu. Com que explicação temos 5 assistentes a disposição e 3 buffet boys ainda trabalhando como assistentes? Que descriminação é essa? Ou voltam todos a posição inicial ou não voltem nenhum ou pelo menos me dêem uma explicção plausível do porque dos 3 buffet boys estejam tarabalhando como assistentes se há 5 assistentes a disposição.
Minha situação não diferente, sou visado e repreendido por todos os hefes italianos em detalhes que nem sequer existem ou são meramente explicitados aos assistentes italianos. Para vocês terem uma idéia dos 10 assistentes novos que chegaram, todos os hondurenhos receberam side job, mas nenhum italiano recebeu. Por que?
Dos meus chefes italianos quese dizem super amigáveis e prontos a atnderem qualquer problema que nós tivermos, nunca recebi nenhuma assistencia. Tudo o que eu ouço é Dont Like go Home ou Não me Interessa ou Agora não posso. Sempre se esquivando de problemas, ou um passando para o outro. Aliás hoje me perguntaram se antes de vir trabalhar aqui eu vivia na selva. Decente.
Eu estou cansado de ser humilhado por essa gnte e confesso que eu tenho me segurado muito para não cometer qualquer besteira visto que falta 1 mês, 2 dias e algumas horas para eu poder sair daqui com tudo pago. Mas nesse momento eu já não me importo mais. Pago tranquilamente minha passagem de volta se for necessário quebrar os dentes de 3 ou 4 por aqui.
Para vocês terem uma idéia eu baixei a constituição panamenha (já que aqui dentro eu sou um trabalhador panamenho, pois o navio é registrado lá) para estudar os direitos trabalhista do pessoal de lá. Nada muito diferente pelo que eu entendi e se por ao pé da letra nessa situação eles, a MSC cumpre tudo direitinho, mas eu cansei de ser tratado como um animal por esses cretinos e descriminado por ser brasileiro.
Cansei de ter que escutar que brasileiro não trabalha direito, é preguiçoso, chega atrasado e tarata mal o cliente. Não é verdade. Nós somos pessoas normais como vocês e fazemos um trabalho superior comparado ao lixo de tratamnto qu os próprios italianos dão ao outros. Vide a temporada barsileira onde todos os italianos tratavam os passageiros como lixo, tudo no navio era de segunda linha e a maioria dos serviços que existem na europa eram vetados ou ainda cobrados a parte. O pior de tudo é que tenho que ouvir que tudo sso é normal. Normal pra quem?
A única coisa é qu no brasil era só falar em polícia federal que eles ficavam mais calmos, aqui na europa nada interessa para eles. Se você quer tarabalhar no navio saiba disso leitores que é assim que vai acontecer. A Ana treme de raiva a todo momento já que ela não suporta o buffet e eu sou obrigado a me aguentar, aguentar ela e os malditos italianos. Sempre eu no meio.
Estou estafado dessa gente metida.
Até mais marujos.
Tenho que dizer a vocês que estou revoltado, frustrado e muito, mas muito, mas muito cansado de testumunhar e ser humilhado, desrespeitado e ofendido por esses chefes e alguns tripulantes italianos. É importante que vocês entendam que isto não acontece uma vez ou outra, isso acontece sempre. Há uma predisposição clara, explícita de facilitação de serviços, comodidades e tratamento quando se trata dos italianos com o resto do mundo.
Hoje eu ouvi um superior meu mandar a Ana se fuder por que eu estava ajudando ela a limpar a linha do buffet. Nota-se que eu já tinha terminado meu serviço. Muita coisa está se revelando agora neste fim de mês e de contrato.
A Ana sem razão ou motivo foi dispensada do restaurante. A ordem é que todos os buffet boys voltassem ao buffet porque com a chegada de novos assistentes de garçom eles supririam a vaga dos mesmos. Acontece que atualmente e já faz uma semana que só a Ana voltou ao buffet. O restante dos buffet boys continuam no resturante e os assistentes de garçom que deveriam estar trabalhando estão a disposição. Isto quer dizer eles só trabalham se for necessário. Adivinhem a nacionalidade de 4 dos 5 a disposição? Adivinhou? Italianos.
Quando eu fui peruntar ao Maitre´D Cosic Svetolav o porque dessa decisão, já que a Ana é a única buffet girl que dos 7 meses de contrato está a 6 no restaurnte com o mesmo garçom, foi a única que retornou a posição, fui informado que ele ão precisava mai do serviços dela.
Agora me expliquem. Que tipo de pessoa não precisa do serviço de outra que é a mais experinte e competente dos buffet boys que estão no restaurante. Nota-se que a Ana nunca se meteu em problemas no restaurante eu já, em vários. Nesse sentido ela é melhor que eu. Com que explicação temos 5 assistentes a disposição e 3 buffet boys ainda trabalhando como assistentes? Que descriminação é essa? Ou voltam todos a posição inicial ou não voltem nenhum ou pelo menos me dêem uma explicção plausível do porque dos 3 buffet boys estejam tarabalhando como assistentes se há 5 assistentes a disposição.
Minha situação não diferente, sou visado e repreendido por todos os hefes italianos em detalhes que nem sequer existem ou são meramente explicitados aos assistentes italianos. Para vocês terem uma idéia dos 10 assistentes novos que chegaram, todos os hondurenhos receberam side job, mas nenhum italiano recebeu. Por que?
Dos meus chefes italianos quese dizem super amigáveis e prontos a atnderem qualquer problema que nós tivermos, nunca recebi nenhuma assistencia. Tudo o que eu ouço é Dont Like go Home ou Não me Interessa ou Agora não posso. Sempre se esquivando de problemas, ou um passando para o outro. Aliás hoje me perguntaram se antes de vir trabalhar aqui eu vivia na selva. Decente.
Eu estou cansado de ser humilhado por essa gnte e confesso que eu tenho me segurado muito para não cometer qualquer besteira visto que falta 1 mês, 2 dias e algumas horas para eu poder sair daqui com tudo pago. Mas nesse momento eu já não me importo mais. Pago tranquilamente minha passagem de volta se for necessário quebrar os dentes de 3 ou 4 por aqui.
Para vocês terem uma idéia eu baixei a constituição panamenha (já que aqui dentro eu sou um trabalhador panamenho, pois o navio é registrado lá) para estudar os direitos trabalhista do pessoal de lá. Nada muito diferente pelo que eu entendi e se por ao pé da letra nessa situação eles, a MSC cumpre tudo direitinho, mas eu cansei de ser tratado como um animal por esses cretinos e descriminado por ser brasileiro.
Cansei de ter que escutar que brasileiro não trabalha direito, é preguiçoso, chega atrasado e tarata mal o cliente. Não é verdade. Nós somos pessoas normais como vocês e fazemos um trabalho superior comparado ao lixo de tratamnto qu os próprios italianos dão ao outros. Vide a temporada barsileira onde todos os italianos tratavam os passageiros como lixo, tudo no navio era de segunda linha e a maioria dos serviços que existem na europa eram vetados ou ainda cobrados a parte. O pior de tudo é que tenho que ouvir que tudo sso é normal. Normal pra quem?
A única coisa é qu no brasil era só falar em polícia federal que eles ficavam mais calmos, aqui na europa nada interessa para eles. Se você quer tarabalhar no navio saiba disso leitores que é assim que vai acontecer. A Ana treme de raiva a todo momento já que ela não suporta o buffet e eu sou obrigado a me aguentar, aguentar ela e os malditos italianos. Sempre eu no meio.
Estou estafado dessa gente metida.
Até mais marujos.
Novidades que eu esqueci ou tive preguiça de contar – 253º dia – 06h55 brasil, 12h55 local Pireus, grécia
Olá marujos!
Tirei 25 minutos de tempo do meu trabalho para vir para cá para a cabine e escrever um pouco já que faz tanto tempo tempo que eu não escrevo um texto direito e decente para vocês. Aqui no navio aconteceram váias coisas assim como fiquei sabendo de várias coisas que aconteceram pelo mundo.
Primeiro gostaria de contar que não estou trabalhando tanto quanto antes, mas não sei se isso é bom ou ruim. Como assim vocês me perguntam e eu digo. Bem, é bom por que não chego ao nível de exaustão que eu estava quando trabalhava frenéticamente sem parar e sem descanso, mas é ruim porque me dá vontade cada vez mais de parar de vez. Estacionar e deixar tudo acabar sabe, de uma vez por todas. Tirar todo aquele cansaço acumulado que está dentro de mim.
Não vejo a hora de voltar pra casa e falta tão pouco mas tudo ainda é tão difícil. Lembram que eu tinha extendido meu contrato mais um mês para sair junto com a Aninha? Pois bem, naquela mesma época ela também tinha extendido o contrato dela para agosto pois ela tinha considerado a data do novo contrato dela aqui no Musica e não o retroativo já feito do Sinfonia o que adicionaria pelo menos 2 semanas a mais pra ela.
Falando assim parece fácil e estúpido falar. Mas esse acordo não acontece com calma com você sentado na sala do seu chefe. Acontece quando você está no meio do serviço carregando correndo uma bandeija com 12 pratos no ombro e que pesam um tonelada, mais o pedido de bebidas de duas mesas que chegaram atrasados na sua cabeça e do nada parece uma pessoa com um papel e caneta na mão pedindo para você assinar a sua data de desembarque. Covardia.
Enfim isso rendeu um grande problema que me gerou 3 visitas a sala do Crew Officer. Minha data de desembarque está já marcada para o dia 05/07. O da Ana no sistema está para 02/08. O agravante nessa história é o seguinte: Agosto é mês de grandes festividades e férias escolares na Itália e uma parte da europa e isso quer dizer que o movimento será grande, equivalente ao carnaval no Brasil onde todos os cruzeiros eram lotados com 3300 até o absurdo de 3500 pessoas.
Nisso eles não deixam ninguém desembarcar por dois motivos: 1,º burocrático e 2º de experiência. Mandar embora uma pessoa na alta temporada significa perder uma mão-de-obra experiente para colocar outra inexperiente e outra, como nesse periodo todos os navios supostamnete estarão lotados fica inviável as transferências. Desembarque só em Setembro então. A não ser que você seja italiano onde TUDO é possível, mas isso é um desabafo a parte.
Por sorte eu fiquei sabendo disso 1 mês e pouco antes de desembarcar por uma fonte segura, um indiano que é Assistente de FB e segundo oficial da cozinha, o Shubamoy Banerjee, mais conhecido mundialmente como Shubo. Voltando ao Crew Purser, depois de ouvir ele gritar comigo, pois ele já estava cansado de me ver ali, ele me disse que aquela lista não era definitiva e que tem mais gente para desembarcar.
Segundo consta ele precisa de uma resposta da MSC em terra para autorizar o desembarque de um certo pessoal, pessoal este que espero que a Ana esteja inclusa. A resposta sai no fim do mês de junho mas enquanto isso a ansiedade mata a Ana e a mim. Tanto que eu voltei a roer as unhas, me desculpem. O medo é que eu vá embora e ela fique até setembro.
Da parte boa, de não trabalhar tanto, aprendi a aprimorar meus perdidos, ainda mais no buffet e praticamente passo 80% do meu tempo ou fazendo nada, ou pouco ou na cabine. A Ana não trabalha mais a tarde já faz uma semana e nada acontece pra ela. Melhor assim, mas confesso que sinto um pouco de inveja da sorte dela.
Não me importo mais com penalidades, sério, e na verdade não tenho recebido nenhuma até agora. A não ser um Tea Time que eu tenho que cumprir hoje, mas como disse não me importo. Prefiro fazer 1 hora de Tea Time tranquilo, sem movimento do que trabalhar pesado 6 horas no dia. Guardo minhas energias para a noite. Acabo usando o sistema penal deles a meu favor.
Já faz mais de uma semana que eu tenho estado com gripe e tosse seca, mas não volto mais no médico, não quero tomar mais injeção. Tenho tomado meus remédios queeu trouxe de casa e repousado o máximo que posso. Ontem em Mikonos eu não queria descer, mas eu o fiz, por mim e pela Ana. Ela merece também.
Enfim eu consegui meus 5 minutos com o Maitre o que deu para agilizar ele enviar a papelada do Sign Off para o Crew Purser e assim todo essa burocracia de retornar a casa e o Sr. Daniel Mello voltou para casa espero que de Air France. Brincadeiras sórdidas a parte, todos nós ficamos muito chateados com a tragédia que aconteceu e muitos estão com medo de voltar pra casa de avião por causa disso, mas enfim, cada um cada um.
Meu celular já apitou umas 5 vezes, vou voltar pro trabalho mais 15 minutos e depois volto. Os meus 25 minutos se extenderam para mais de 45, mesmo assim não me interessa. Obs: Não façam isso em casa!!!
Até mais marujos!
Tirei 25 minutos de tempo do meu trabalho para vir para cá para a cabine e escrever um pouco já que faz tanto tempo tempo que eu não escrevo um texto direito e decente para vocês. Aqui no navio aconteceram váias coisas assim como fiquei sabendo de várias coisas que aconteceram pelo mundo.
Primeiro gostaria de contar que não estou trabalhando tanto quanto antes, mas não sei se isso é bom ou ruim. Como assim vocês me perguntam e eu digo. Bem, é bom por que não chego ao nível de exaustão que eu estava quando trabalhava frenéticamente sem parar e sem descanso, mas é ruim porque me dá vontade cada vez mais de parar de vez. Estacionar e deixar tudo acabar sabe, de uma vez por todas. Tirar todo aquele cansaço acumulado que está dentro de mim.
Não vejo a hora de voltar pra casa e falta tão pouco mas tudo ainda é tão difícil. Lembram que eu tinha extendido meu contrato mais um mês para sair junto com a Aninha? Pois bem, naquela mesma época ela também tinha extendido o contrato dela para agosto pois ela tinha considerado a data do novo contrato dela aqui no Musica e não o retroativo já feito do Sinfonia o que adicionaria pelo menos 2 semanas a mais pra ela.
Falando assim parece fácil e estúpido falar. Mas esse acordo não acontece com calma com você sentado na sala do seu chefe. Acontece quando você está no meio do serviço carregando correndo uma bandeija com 12 pratos no ombro e que pesam um tonelada, mais o pedido de bebidas de duas mesas que chegaram atrasados na sua cabeça e do nada parece uma pessoa com um papel e caneta na mão pedindo para você assinar a sua data de desembarque. Covardia.
Enfim isso rendeu um grande problema que me gerou 3 visitas a sala do Crew Officer. Minha data de desembarque está já marcada para o dia 05/07. O da Ana no sistema está para 02/08. O agravante nessa história é o seguinte: Agosto é mês de grandes festividades e férias escolares na Itália e uma parte da europa e isso quer dizer que o movimento será grande, equivalente ao carnaval no Brasil onde todos os cruzeiros eram lotados com 3300 até o absurdo de 3500 pessoas.
Nisso eles não deixam ninguém desembarcar por dois motivos: 1,º burocrático e 2º de experiência. Mandar embora uma pessoa na alta temporada significa perder uma mão-de-obra experiente para colocar outra inexperiente e outra, como nesse periodo todos os navios supostamnete estarão lotados fica inviável as transferências. Desembarque só em Setembro então. A não ser que você seja italiano onde TUDO é possível, mas isso é um desabafo a parte.
Por sorte eu fiquei sabendo disso 1 mês e pouco antes de desembarcar por uma fonte segura, um indiano que é Assistente de FB e segundo oficial da cozinha, o Shubamoy Banerjee, mais conhecido mundialmente como Shubo. Voltando ao Crew Purser, depois de ouvir ele gritar comigo, pois ele já estava cansado de me ver ali, ele me disse que aquela lista não era definitiva e que tem mais gente para desembarcar.
Segundo consta ele precisa de uma resposta da MSC em terra para autorizar o desembarque de um certo pessoal, pessoal este que espero que a Ana esteja inclusa. A resposta sai no fim do mês de junho mas enquanto isso a ansiedade mata a Ana e a mim. Tanto que eu voltei a roer as unhas, me desculpem. O medo é que eu vá embora e ela fique até setembro.
Da parte boa, de não trabalhar tanto, aprendi a aprimorar meus perdidos, ainda mais no buffet e praticamente passo 80% do meu tempo ou fazendo nada, ou pouco ou na cabine. A Ana não trabalha mais a tarde já faz uma semana e nada acontece pra ela. Melhor assim, mas confesso que sinto um pouco de inveja da sorte dela.
Não me importo mais com penalidades, sério, e na verdade não tenho recebido nenhuma até agora. A não ser um Tea Time que eu tenho que cumprir hoje, mas como disse não me importo. Prefiro fazer 1 hora de Tea Time tranquilo, sem movimento do que trabalhar pesado 6 horas no dia. Guardo minhas energias para a noite. Acabo usando o sistema penal deles a meu favor.
Já faz mais de uma semana que eu tenho estado com gripe e tosse seca, mas não volto mais no médico, não quero tomar mais injeção. Tenho tomado meus remédios queeu trouxe de casa e repousado o máximo que posso. Ontem em Mikonos eu não queria descer, mas eu o fiz, por mim e pela Ana. Ela merece também.
Enfim eu consegui meus 5 minutos com o Maitre o que deu para agilizar ele enviar a papelada do Sign Off para o Crew Purser e assim todo essa burocracia de retornar a casa e o Sr. Daniel Mello voltou para casa espero que de Air France. Brincadeiras sórdidas a parte, todos nós ficamos muito chateados com a tragédia que aconteceu e muitos estão com medo de voltar pra casa de avião por causa disso, mas enfim, cada um cada um.
Meu celular já apitou umas 5 vezes, vou voltar pro trabalho mais 15 minutos e depois volto. Os meus 25 minutos se extenderam para mais de 45, mesmo assim não me interessa. Obs: Não façam isso em casa!!!
Até mais marujos!
quarta-feira, 3 de junho de 2009
A saga de Pérsefone - 252º dia - 16h08 brasil, 22h08 local Mykonos, Grécia
Olá marujos!
Estando na gécia não poderia deixar de identificar uma passagem das antigas histórias para ilustrar o que passamos aqui atualmente. Roubao da wikipedia deixo aqui a história de Persefone.
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades.
Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone.
Acontece que eu e a Aninha estamos passando pelo mesmo problema. Minha data de desembarque já está marcada e fixada no mural, isto é dia 05 de julho. A Ana tendo escolhido a data de desembarque dela em Agosto quando o Maitre passou a lista de desembarque está amargurando ter de esperar para ver se tudo dá certo prara podermos desembarcar juntos.
Já fomos juntos 3 vezes falar com os oficiais responsáveis por isso, mas a única resposta que temos é que temos que esperar até o final do mês de junho para que possa-se definir quem vai e quem fica. Tudo que eu queria era desembarcar junto com ela. Por enquanto ficamos na torcida.
Estou com preguiça de escrever, mas tenho muita coisa pra contar. Por isso vou ficando por aqui. Não vejo a hora de voltar pra casa.
Até mais marujos!
Estando na gécia não poderia deixar de identificar uma passagem das antigas histórias para ilustrar o que passamos aqui atualmente. Roubao da wikipedia deixo aqui a história de Persefone.
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades.
Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone.
Acontece que eu e a Aninha estamos passando pelo mesmo problema. Minha data de desembarque já está marcada e fixada no mural, isto é dia 05 de julho. A Ana tendo escolhido a data de desembarque dela em Agosto quando o Maitre passou a lista de desembarque está amargurando ter de esperar para ver se tudo dá certo prara podermos desembarcar juntos.
Já fomos juntos 3 vezes falar com os oficiais responsáveis por isso, mas a única resposta que temos é que temos que esperar até o final do mês de junho para que possa-se definir quem vai e quem fica. Tudo que eu queria era desembarcar junto com ela. Por enquanto ficamos na torcida.
Estou com preguiça de escrever, mas tenho muita coisa pra contar. Por isso vou ficando por aqui. Não vejo a hora de voltar pra casa.
Até mais marujos!
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