domingo, 25 de janeiro de 2009

Terça-feira, dia 20 de Janeiro de 2009

12h02 em navegação rumo a Salvador (mais uma vez!)
Nossa 11 dias sem escrever. Na verdade por preguiça mesmo. Quando eu não saio, eu só quero saber de dormir. Tenho muito sono. Muitas e muitas coisas aconteceram nesses últimos dias. Lembra que eu tava no restaurante trabalhando sozinha com uma mesa? Então tudo mudou e várias vezes.
Muita gente está desembarcando, então me tiraram da mesa e me colocaram como assitente do Alessandro, ok. Foi bom. Ele por ser Capitan Station é meio folgado, eu tinha que fazer o meu trabalho e algumas vezes o dele tambem. Sinceramente nem me importava muito porque eu aprendia mais o que um waiter faz. No outro cruzeiro seguinte o primeiro dia fiquei de assistente dele, só que no dia seguinte uma senhora de uma das nossas mesas não gostou do atendimento dele, fez uma reclamação e pediu pra que fosse mudado o garçom, e então colocaram o Giuseppe que também é capitan station no lugar dele. Fiquei meio receosa porque no cruzeiro de réveillon ele estava trabalhando com o Jacinto e eu via o tempo todo ele entrando na cozinha gritando com ele, pegando os pratos na cozinha puto da vida. Mas foi muito bom trabalhar com ele, nós trabalhamos muito bem juntos. Ele foi super tranqüilo. Estavamos com 4 mesas. Uma de 9 pessoas, uma de 7, e duas de 4 pessoas. No final ele me elogiou muito e disse que em 1 mês eu estou pronta pra ser waitress. Fiquei super feliz. Nessa mesma semana o Paulo que é assistente de maitre (já falei dele nos posts anteriores, que ele me ajudava bastante e me elogiava muito também) foi transferido pro Opera. O que foi muito ruim, porque com certeza ele era o melhor dos assistentes de maitre. No mesmo dia, no lugar dele chegou um outro que eu sinceramente não recordo o nome agora, mas ele é muito parecido fisicamente com o Maitre. A gente brinca que ele é o irmão do maitre. Ele é muito legal também. Eu costumo conversar, falar bom dia, boa tarde, boa noite, brincar com todos os chefes, acho que por isso que ganho uma certa moral. Todos eles gostam de mim.
Mas voltando nas minhas mesas. Uns dois dias depois trabalhando com o Giuseppe, chegou uma leva gigantesca de hondurenhos e aí o Giuseppe saiu e entrou um waiter hondurenho, o José Luis Cabrera. Ele trabalha há 16 anos em navio. A primeira vez que veio de navio ao Brasil foi em 92, eu só tinha 7 anos, nem imaginava o que era isso ainda.
Foi tranqüilo trabalhar com ele também. De todas as mesas eu tive 2, com passageiros muito legais. Uma família de Curitiba, no segundo sitting e uma outra família no primeiro sitting.
No Buffet continua tudo igual como sempre. E eu tenho muita dificuldade de acordar. Está cada dia pior. Me sinto muito cansada de manhã.
Nesse ultimo Santos, eu desci, fui pra casa, e minha família estava lá mais uma vez e eu fiquei muito feliz por estar com eles. E principalmente por ver meus primos. Fui na praia com eles, brinquei muito com o Pedro e com a Bel. Estão lindos! Por algumas horas com eles, tive a sensação que tudo isso aqui não existia. Que minha vida era aquela ali que eu gostava tanto, de estar com eles, de viver daquela forma. Mas no final tem que ir embora e voltar pro navio, voltar pra essa vida.
Não estou reclamando, mesmo porque agora tudo está acontecendo da forma que eu queria. Estou no restaurante, tenho moral com todo mundo, trabalho super bem, enfim... mas é que no fundo não vejo a hora de voltar pra casa. Não sentir mais dores nas costas e dores nos pés.
Mas voltando ao assunto restaurante. Esse cruzeiro novo começou e o primeiro dia fiquei com meu waiter hondurenho. No dia seguinte no Buffet tinha uma lista dos nomes do pessoal que era do Buffet e foi pro restaurante que estavam voltando pro Buffet. E só o meu nome não estava lá. Nossa que alivio. Desci pra ver meu horário do restaurante quando olhei a tabela de horários quase morri do coração porque não tinha visto meu nome lá. Procurei pelo meu waiter e eu não estava mais como assistente dele. Putz! Aí vi meu nome lá, e novamente com a 1 mesa sozinha. Cara, que felicidade!
Cheguei mais cedo pra montar o set up das mesas, fazer tudo direitinho. Aí o Alessandro chamou um menino hondurenho que detalhe se chama NORMAN (achei o máximo!) e colocou ele como MEU ASSISTENTE! Aí foi demais pro meu coração.
No começo fiquei meio sem graça de mandar ele fazer as coisas, mas depois fluiu. Trabalhamos direitinho. Foi muito legal.
A mesa no primeiro sitting são duas famílias diferentes. A primeira é um casal com duas filhas pequenas e a outra é mais um casal com um filho e uma filha adolescentes. Foi bem tranqüilo. No segundo sitting o Alessandro me deu uma apavorada porque ele ficou falando que eram pessoas de dinheiro, que só pediam vinho, e que o atendimento era assim assim assado e ele no começo ficou lá (na verdade mais enchendo o saco) e ele perguntou se eu sabia abrir vinho, eu disse que sim mas tava com medo. Aí ele disse que se eu não abrir vinho não posso virar uma verdadeira “camareira” (= waitress). Ai pedi pra ele abrir o primeiro pra eu ver. Mas nem tive que abrir outro ainda bem. Mas hoje com certeza vou ter que abrir. Tudo bem, vamos que vamos!
Enfim. Foi tudo isso que aconteceu até agora.
Hoje encontrei a senhora que mora no meu prédio que joga baralho com meu pai, aqui no navio.
Ah, esqueci de contar, falaram que de 15 em 15 dias vai ter festa pra gente no Crew Mess. No último cruzeiro, tem um dia que nós ganhamos uma hora, porque em Salvador não tem horário de verão e entao deram festa, maior baladona, muito legal. E ontem também teve, mas nem fui porque estava com muita dor de cabeça.
Ontem o navio estava em Buzios e o Armonia estava lá também. A tarde fui lá no Armonia conhecer e visitar o pessoal que fez curso comigo que está lá. Vi a Marcia, o Kaique, a Rosana. Todo mundo por lá. Bem diferente o esquema de trabalho por lá.
Cansei de escrever. Estou com dor nas costas e um pouco de sono. Vou descansar.
Até!

Terça-feira, dia 06 de Janeiro de 2009

12h50 navegando e quase chegando em Recife
Olá pessoas. Estou com um pouco de preguiça de escrever mas vamos lá.
Nesses primeiros dias do ano algumas coisas aconteceram. Primeiro que dia 2 minha família veio conhecer o navio. Meu pai, minha mãe, meu irmão e minha cunhada. Andei por todo navio com eles. É realmente tudo muito lindo. Pena que nem tudo que reluz é ouro.
Fui pra casa também e comi o bacalhau que só minha mãe sabe fazer.
Outra novidade: emagreci quase 15 kilos. Impressionante!!!Isso quer dizer que, se você pretende emagrecer, pare agora com malhação, boa alimentação e remédios. Venha agora mesmo trabalhar no MSC Musica. “Eu agarantio”
E mais uma novidade pra finalizar é que continuo trabalhando a noite, só que muitas coisas aconteceram. Terminou o cruzeiro de ano novo e no final eu ganhei de gorjeta 70 dólares, mais 70 reais. De uma mesa só eu ganhei 60 dólares. Um pessoal muito legal, principalmente o Sr. Celso e a sua esposa Vera. Atendi pessoas muito legais.
Começou o novo cruzeiro e me colocaram a noite pra trabalhar no restaurante a La carte (pago!) com o Antonino. Aí cheguei lá, comecei a ajudar a fazer o set-up das mesas, mas eu tava meio chateada de estar ali, queria mesmo era ir pro restaurante. Passou um tempo o Mauro (capitan station) chegou e me mandou descer pro O’Leandro ajudar o Salvatore porque o assistente dele tava doente. Eu fiquei meio com medo no começo mas tudo fluiu maravilhosamente bem. Aliás, todo mundo olhava pra mim carregando a bandeja com vários pratos e me elogiavam. Os indonesianos todos me cumprimentaram. Fiquei muito feliz.
No dia seguinte fui de novo trabalhar com o Antonino, e mais uma vez tava mal de estar ali, porque lá é muito chato, ninguém vai lá comer, porque logicamente se você paga um cruzeiro que tem restaurante incluso, porque cargas d’agua você vai pagar pra comer em um outro restaurante diferente? Ah vá! Se aparece alguém lá é muito. Ai, fiquei 5 horas lá parada olhando pro teto. Isso é revoltante. Poxa, muita gente no navio com certeza gostaria de estar lá pra não fazer nada, mas eu nem queria não. No outro dia, o Igor conversou com o Pedro (um menino do Buffet) e ele disse que estavam ameaçando ele que se ele não fosse pro restaurante era pra ele pedir sign off e ele não quer ir. O Igor me contou e fomos falar com o Daniel. Falei pra ele que eu queria ir pro restaurante, que ficar no a La carte com o Antonino eu não queria mais porque era muito chato. Aí na mesma hora ele ligou pro maitre e ele me colocou no Le Maxim e melhor, me colocou pra ficar cuidando sozinha de uma mesa, ou seja faço papel de waitress e de assistent. Eu monto set-up, tiro pedido de bebida, de comida, pego os pratos na cozinha, sirvo nas mesas, tiro as mesas, enfim, tudo. É muito legal!
Meu primeiro sitting tenho 6 passageiros, que não vieram até agora, então no primeiro sitting eu fico ajudando o Alessandro (capitan station) na estação dele. E no segundo sitting é uma mesa com 9 pessoas. No primeiro dia foi um pouco confuso, mas foi muito bom. O casal da mesa me elogiou pro Paulo (assistente de maitre) e no final ele me elogiou muito, disse que por ser meu primeiro dia no restaurante eu me sai muito bem e que tenho uma segurança muito grande diante da mesa. Fiquei super feliz. Ontem, meu segundo dia foi melhor. Minha mesa tem um casal jovem (uns 40 anos), um outro casal mais velho (uns 60 anos), uma menina de uns 18 anos, um menino de uns 17 anos também, um menino de uns 15 anos, um outro de uns 12 anos e uma menininha de uns 5 anos.
O menino mais novo é que me dá mais trabalho, porque ele não pede tudo quando eu vou tirar o pedido, e depois fica pedindo um prato por vez. Isso atrasa tudo. O resto é bem mais tranqüilo.
Enfim, é isso. Enquanto não tem definido meus horários eu faço do jeito que eu quero e ninguém fala nada. Eu entro as 8 da manha no Buffet, saio meio dia, volto as 6 e meia da tarde e saio lá pela meia noite e meia, uma hora. Quando eu termino eu ainda vou na estação do Igor ajudar ele a terminar tudo.
Ontem desci um pouquinho em Salvador só pra comprar um mini ventilador com o Igor e ir no supermercado comprar refri, bolacha e uns itens de limpeza que a Diana pediu pra limpar o quarto.
Daqui a pouco o Igor sai do trabalho e vou convidá-lo pra passear em Recife. Quero ir a algum lugar legal. Mas só precisa cuidado porque aqui é perigoso. Muito assalto.
É isso aí por hoje.

Quinta-feira, dia 01 de Janeiro de 2009

13h em Ilha Bela
Primeiro dia do ano, e FELIZ ANO NOVO pra todos, principalmente pra minha família e meus amigos, pras pessoas especiais na minha vida.
Tudo tem sido muito diferente nessa semana. No último dia em Santos, dia 26, o Daniel (chefe português) me convidou pra trabalhar no restaurante. Aceitei, com muito medo mas aceitei. Só que nesse cruzeiro de réveillon tinha mais passageiros do que a capacidade dos 2 restaurantes, então abriram o Giardino como restaurante a noite. O que por um lado é bom e por outro é ruim. Bom porque é um ambiente bem mais calmo do que o restaurante e ruim porque parte dos passageiros estavam descontentes em estar lá. Muitos depois se convenceram que lá era bom também.
Pra mim foi tudo muito louco, aliás está sendo ainda. Tenho um waiter que na verdade é capitan station que estava fazendo função de waiter porque estava em falta de waiters (vai vendo!!) e era eu e o Anderson como assistentes dele. Temos um total de 8 mesas e em média 50 passageiros. Desses, no primeiro sitting vem umas 5 mesas e no segundo também umas 5 a 6 mesas. Mas as mesas maiores, 4 mesas com 6 passageiros e 1 com 8 passageiros. É loucura.
No meu primeiro dia, estava nervosa, mas o que me deixou bastante mal foi o balanço do mar que durante a noite é mais intenso porque o navio acelera mais. Senti bastante, minha cabeça balançava muito e parecia que o cérebro ia junto, e vomitei. Neste dia também fiquei um pouco perdida sem saber muito o que fazer, porque ainda não tinha entendido todo o processo. Nada difícil mas com muita ordem pras coisas acontecerem.
No segundo dia, estava cansada e com a sensação que não ia agüentar o pique do restaurante mas coloquei na minha cabeça que eu ia até o final desse cruzeiro pelo menos pra ver se valia a pena e se eu ia curtir. Desde entao tudo fluiu numa boa. Chego todo dias as 18h, e o Giovanni, meu waiter que é italiano não está ainda, começo arrumar todas as mesas, fazer set up, algumas vezes ele chegou e estava quase tudo pronto. Durante todo o jantar eu pego as bandejas de comida, sirvo as mesas e limpo as mesas. Tudo muito simples mas tudo muito rápido. O Anderson ficou mais levando as louças sujas pra lavar. Eu sempre tiro pedido das bebidas no começo o que me ajuda a conversar com os passageiros.
Tem uma mesa com 3 casais que me deram muito trabalho no primeiro dia porque eles queriam vinho, mas aí agora todos os outros dias eu já ia buscar o vinho pra eles e eles todos me chamam pelo meu nome, me elogiam muito. Mais umas 3 mesas me chamam pelo meu nome, isso é muito importante.
De alguma forma eu percebi que estava ganhando moral com o Giovanni, ele começou a me elogiar pras mesas e me dar refrigerante no final. Ante ontem, dia 30 no final do jantar, o Paulo, que é assistente de maitre disse que ele e o David (um outro italiano que é capitan station) me observaram trabalhando, que eu sou muito profissional, que eles gostaram muito do meu trabalho e que vão conversar com o maitre pra eu realmente descer pro restaurante. Fiquei super orgulhosa. Nesse mesmo dia, depois de eu arrumar tudo, fui lá no O’Leandro restaurante que o Igor trabalha pra encontrá-lo e quando entro lá tem numa mesa jantando o Maitre, o Paulo, o Daniel, e todos os capitan station, incluindo o Alessandro, o Giovanni e o David, aí o Giovanni me chama até a mesa, brinca comigo e me elogia pro maitre... nem acreditei, fiquei com vergonha. Mas enfim... agora é só esperar e ver o que vai dar.
Ontem foi réveillon e foi noite de gala. Muito bom se não tivesse sido o caos generalizado. Ontem foi realmente bagunçado. Os passageiros do primeiro sitting chegaram muito tarde, atrasou tudo. Os do segundo sitting queriam acabar rápido por causa dos fogos mas tinha muitos muitos passageiros e aí virou bagunça. Além de ter o Baked Alaska que é muito legal, mas ajudou a complicar mais tudo. O baked Alaska é o bolo em chamas. Apaga-se todas as luzes do restaurante e os assistentes caminham entre as mesas com o bolo pegando fogo e depois serve pros passageiros. Agora imaginem o caos. Começou o Baked Alaska e 3 mesas da minha estação ainda estavam comendo a entrada.
Enfim, 5 pra meia noite todos os passageiros foram embora, e do jeito que estava tudo ficou, subimos até o 14º andar pra ver os fogos. O Igor apareceu lá, fiquei muito feliz. E estavam todos, chefes, nós, italianos, brasileiros, hondurenhos, indonesianos, indianos comemorando 2009, vendo os fogos de Copacabana. Liguei pra minha família. Fiquei muito feliz de ter conseguido falar com eles.
Foi um réveillon estranho, confesso, mas não ruim. Com direito a ver os fogos em alto mar da poupa do deck 14 (the Best!) com champagne, fotos e meu amor comigo.
E depois quando terminou fizemos um multirao de limpeza. Arrumamos tudo num piscar de olhos. Vim pra cabine me trocar pra ir pra festa no Crew Bar. Lá, estava bombando muito. Muita musica. Dancei muito. Desejei “Happy New Year”pra todo mundo, em inglês, português, aprendi até em indiano e indonesiano mas já esqueci.
Enfim, hoje é o ultimo dia de cruzeiro, ultimo jantar e quem sabe ganhar gorjeta. Já ganhei 15 dolares de gorjeta. Vamos ver!
E que 2009 seja de muita força, determinação, garra, paciência, perseverança pra sobreviver a mais 7 meses a bordo e que depois que eu possa desfrutar de tudo isso.
Preciso dormir. Amanhã minha família vai entrar no navio! Estou feliz, mas preciso descansar.
Fui.

Quarta-feira, dia 24 de Dezembro de 2008

08h08 da manhã em navegação chegando em Ilhéus.
Hoje é véspera de Natal. Quem diria? Eu via o catálogo com os cruzeiros da MSC antes de embarcar e ficava empolgada de ver os lugares que iria passar. Todo mundo perguntava: onde vai passar o natal? E o ano novo? E eu dizia achando o máximo. Não é que não seja, mas realmente não é aqui que gostaria de estar passando essas datas. Não combina trabalhar no Natal. Não combina não estar com a família e com os amigos nessas datas. E ainda bem que eu tenho o Igor aqui.
Não estou triste, mas tenho a impressão que a noite vou ficar. Odeio ficar sozinha, e acho que principalmente num dia como esse, que vou estar pensando em tudo que está acontecendo na minha casa. O amigo secreto entre os primos. Esconder os presentes e quando der a hora do papai Noel chegar, ver a felicidade do Pedro. Jantar com minha família. Nada parecia assim tão importante e essencial antes, mas agora faz a diferença.
Sei que vou chorar. Aliás, as lagrimas começam a escorrer dos meus olhos agora. Falaram que vai ter uma festa pros tripulantes, mas nada passa de boatos até agora. Menos mal que comprei uma caixa de Bis e coca cola. Já é alguma coisa.
O que realmente me deixa assim, é saber que não é mais um dia normal mas aqui será. Todos os dias serão iguais. Natal, Ano Novo, meu aniversário, simplesmente mais um dia. E isso não é bom.
Sinto falta da minha família. Minha mãe, meu pai, meus irmãos. Minha tia, meus primos, minha cunhada. Ontem fiquei a noite toda vendo as fotos que tenho no computador. Parece tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
Não sei o que será deste meu dia, só sei que meu coração vai estar lá na minha casa. E quero imaginar eu podendo abraçar todo mundo e desejando feliz natal pra todos. Eu não quero nunca mais na vida passar o Natal longe de vocês. Que esse seja o primeiro e último.
Enfim, como não sei se vou escrever amanhã, desejo a todos, minha família, amigos, todos que lêem o blog um FELIZ NATAL. Repleto de felicidade e presentes.
Agora preciso voltar pro Buffet, outra hora escrevo mais sobre esses últimos dias. Algumas coisas aconteceram, como: eu agora trabalho no Giardino, eu fui numa praia lindona em Buzios, enfim.
Até mais!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mais uma vez, uma passadinha rápida.

Estou em Salvador (mais uma vez! aff) e passei aqui na Lan House pra saber como está o mundo, ver meu e-mail, orkut, e conversar um pouquinho no msn! quanta saudade disso.

Tenho alguns posts pra colocar. Se der tempo, no próximo Santos eu coloco.

Tenho muitas novidades. Estou bem. O Igor está um pouco gripado e como é cabeça dura, gosta de sofrer, não toma remédio. Mas já está melhorando.

O trampo continua o mesmo sempre, cansativo demais. E é isso ae!

Beijo!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Don´t Like, Go Home - 119º dia - 10h41 local Santos, em casa

Olá Marujos!

Cruzeiro tranquilíssimo dessa vez mas 0 de gorjeta, pra não falar que eu não ganhei nada, eu e o Nello ganhamos umas camisetas de Ilhéus de uns passageiros nossos no 2º sitting, isso foi legal. De resto, desde ontem eu não tenho passado muito bem.

Sabe, algumas coisas vão acumulando e você não tem bem por onde sair e isso não é bom. Eu gostaria muito as vezes de sair e ir treinar karatê um pouco só poder gritar em paz sem parecer um louco (mais do que já tem lá dentro), mas em questão de prioridades, treinar está bem abaixo da linha.

Ontem eu fiquei com uma dor de cabeça imensa que me levou a um estado de confusão constante. A parte ruim é que eu errei várias coisas e o Nello ficou muito puto comigo e com razão. Não gosto de ver ele mal comigo porque ele é uma das poucas pessoas que são boas lá dentro de coração e eu acho que acabei passando um pouco do limite por que eu snto que a vibração da gente está estranha, o clima não tá muito legal.

Fora isso tem o meu cansaço físico e mental que hoje chegou a um nível crítico. Não me importo muito com mais nda sabe? Meio que estou tocando um foda-se pra tudo, mas isso interfere intrísicamente com o trabalho do Nello e do Supriadi. Ah vocês não conhecem o Supriadi I Gede né?

Ele é um indonesiano baixinho gente boa mas muito técnico e extremamente exigente e eu gosto muito dele também. Foi um dos primeiros indonesianos a me ratar como ser humano naquele navio ainda nas 2 primeiras semanas quando eu tava com o Marabaya e só errava 99% das coisas.

Então o Supriadi trabalha comigo no almoço porque o Nello fica na pasta service no deck 13 neste período. Então, como eu fiquei um pouco desleixado com as coisas, se o Supriadi encontra algum talher sujo por exemplo ele fica muito chateado e hoje em especial o Supriadi falou om o Nello sobre isso e ele veio conversar comigo.

Eu fiquei mais down ainda mas sei que a culpa é minha. Tudo que eu queria é ter mais tempo pra poder descansar e comer bem, mas isso tem se tornado cada vez menos frequente. Minha alimentação há mais de um mês no navio tem sido a base de sorvetes a noite e yougurt pela manhã. Comida quente nem sei mais o que é. Carne só aqui em casa. Complexo.

Vou indo nessa, preciso comer aqui em casa, me arrumar e voltar pro navio porque 12h30 tenho que estar de volta no restaurante. Nota: ontem fui dormir as 3h00 (perdemos uma hora na navegação) e fui voltar as 5h00 pro café da manhã e assim estou desde a 5h00 em pé com dois pães e um yougurt na barriga. Bem, fui.

Até mais marujos!

Warning for you my friend – 118º dia – 10h25 local Costa Brasileira indo para Santos

Olá marujos!

Ontem vi meu nome na lista de pessoas que tomaram warning e fiquei intrigado me perguntando o por quê. A sensação é interessante por que você acaba somatizando tudo o que possívelmente você pode ter feito de errado durante este tempo todo que você trabalhou e imaginando quem o o porque disso. Essa espectativa é a pior parte.

Imaginei que talvez fosse a puta discussão que eu tive com o Sous Chef na cozinha do Buffet à dois dias atrás sobre não ter pão na linha que deixou o Roni (nome do sous chef indonesiano) putasso da vida. Ele chamou o chefe dele e os cambau e todo mundo discutiu, mas eu sai na razão.

Pensei que talvez fosse por furar a fila do restaurante inúmeras vezes para poder pegar os pratos mais rápido e não fazer meus passageiros terem de esperar 25 min para comer um prato. Sei lá, ontem antes de dormir eu fiquei pensando em várias coisas...

Acabei descobrindo que tomei um Warning por uma coisa mais besta que estas todas e que me fez abrir os olhos para duas coisas importantes. Durante os drills (treinamentos de segurança inúteis) eu confesso que acabo abusando de certas situações.

Já fui no drill de chinelo, ouvi música alta no celular, discuti com oficial que implicou comigo por que eu tava há 2 metros fora do meu lugar só pra ficar na sombra e não no sol de rachar de 42 ºC de Salvador etc.

O oficial na dele só anotando os números. E eu lá, achando que tava na razão, mas no fundo eu sabia que não estava. De qualquer modo, hoje quando fui no Human Resource Office e eles me encaminharam para o Saffety Office eu tinha a certeza absoluta que era alguma coisa a ver com o Drill.

Lá eu debati com ooficial contando uma mentirinha. Ele disse que eu tava tomando um warning pois eu estava conversando com alguém no celular. Disse que era um engano, meu celular tem um despertador e eu peguei o celular para desabilitar o alarme. Essa passou, mas mesmo assim minha ficha no safety é corrida e essa eu não sabia.

Eles tem tudo lá. E aí ele me disse que eu já fui no dril de chinelo, que já discuti com oficial, que não fiquei na posição correta, etc, etc etc, baixou a lista completa e isso foi bom pra saber o quanto eles sabem de mim e eles sabem.

De qualquer modo resisti até o final em assinara porra do warning até ele me ameaçar a ligar po oficial e depois me pegar 3 vezes no mesmo dia e me desembarcar. Naquela hora eu achei improvável e ia pedir pra ele chamar o oficial mesmo e sustentar minha mentira do celular, mas pensando melhor depois eu vi que aquele era apenas o warning verbal (em que você tem que assinar de qualquer modo 3 x) e que naquela situação em que eu não estava sozinho na sala não valia a pena arriscar.

Tomeu meu 1º Warning no 118º dia, há apenas 2 semanas e 5 dias completar metade do contrato. Tenho mais 3 warnings na manga então matematicamente eu posso continuar aprontando na mesma frequencia que está tudo certo!

A primeira informação importante é que com o Safety é bom não brincar. Apesar da pouca frequencia de convivência, e creio que é isso que dificulta um pouco a saída de algumas situações, é só com eles que o Warning é realmente levado a sério.

A segunda informação importante é que trabalhando bem, na cozinha, você pode tocar o terror, esculhambar, fazer que nem o Ceará fez várias vezes, chegar atrasado, bêbado, mandar o F&B Manager tomar no cú junto com o Maitre´D e NADA vai acontecer, só vão te deslocar de lugar até você se adaptar a um posto novo. Porque na real eles não tem muita gente para por no lugar (Ou eles encherem o saco mesmo e te mandarem embora mas a paciência deles é enoooooooooooooorme).

Bem estou com tudo aqui de boa, meu warning assinado e meu próximo passo é fazer os próximos drills direitinho para poder ganhar moral com o oficial que faz o check in de boa e ainda reverter esse quadro e 2º encher ainda mais o saco do Roni por que ele é um pé no saco e folgado que pensa que é algum “capo” e não é.

Até mais marujos!

Recadinho importante! – 115º dia – 09h59 local Maceió, AL

Oi gente! Surpresa! Aqui é a Aninha na cabine do Igor esperando o aviso “Charlie Alfa – Charlie Alfa- Only for exercise!” do drill de tripulantes. Estou com meu colete e meu bonezinho amarelo surrado ridiculo e vim aqui dar um recado importante.

IMPORTANTE: Meus dias aqui se tornam cada vez melhores e parte disso é pela presença do Igor na minha vida, que me ajuda, está comigo sempre que pode, me dá muito amor e carinho. E hoje ele está de OFF a tarde e nós vamos sair em Maceió. EBA!

Saudades de todos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Feliz 2009 – Parte 2 – 100º dia – 10h25 local Ilha Bela, SP

Olá marujos!

Feliz 2009 e tudo de bom para vocês. Aqui estou eu de volta vivo em partes e muito cansado de outra mas estou bem. Consegui matar alguns minutos do meu horário de trabalho para poder dormir um pouco e no fim estou aqui na cabine da aninha com meu notebook só prara poder escrever a vocês.

Ano passado o primeiro sitting foi caótico. Na verdade eu reparei que em festas, e principalmente em noites que tem camarão e lagosta, tudo vira um caos. Parece que esse pessoal nunca viu ou comeu lagosta na vida. Tem gente que pede só pra ver cara do bichinho e comer que é bom, nada.

Enfim, some isso ao fato de ser final de ano + Baked Alaska e então nós temos a combinação de muitos pratos, pouquíssimo tempo e uma tensão ilimitada devido a ansiedade de ver o ano novo. Some um ingrediente novo que é um sitting inteiro contaminado pelo mau humor e alta criticidade de uma mesa (minha mesa 1) que reclamou de todas as comidas no cruzeiro inteiro.

O resultado foi um primeiro sitting muito confuso, com várias reclamações e algumas improvisações que acabaram gerando algumas insatisfações por parte de todos. Para vocês terem uma idéia eu não peguei o Alaska no 1º sitting, só servi depois e depois do Alaska ainda teve uma mesa com Main Course.

Começo do 2º sitting foram as portas abertas, os passageiros sentados na mesa com o Nello pondo o pão na hora e eu trazndo as taças na Tray de Taças direto da cozinha. TOTALMENTE fora do protocolo de atendimento. O bom é que o pessoal do nosso 2º sitting é super gente boa, bem humorados e levaram tudo na esportiva.

Todos foram também super inteligentes, pediram só uma entrada, um main course e a sobremesa (que era o Alaska). Bem rapidinho pra dar tempo de ver os fogos. Resumo da ópera: 1º sitting em 2h20m; 2º sitting em 45 min e com folga.

O FDP do Nello me abandonou (em partes) com todas as coisas sujas pra lavar e foi embora dizendo que ele tinha que servir champagne pro pessoal no 13º andar. Se é verdade ou não eu não sei. Só sei que eu abandonei tudo na lavadora e hoje eu me viro pra pegar e montar a estaçõ toda de novo. Sem problemas.

Saindo do restaurante fui direto pro Buffet encontar a Aninha. Chegando lá já não tinha quase ninguém, mas encontrei ela que me levou pro14º andar pra ver os fogos junto com os chefes todos. Aí teve contagem regressiva, feliz ano novo em uns 6 idiomas diferentes, todo mundo ligando pra casa, todo mundo vendo os fogos em Copacabana (que coisa mais bonita gente ver os fogos do mar).

Eu tentei ligar pra casa várias vezes, mas ninguém atendia. Deixei um recdo na secretária do Ary e a única pesso que eu consegui ligar foi a minh vó Nilda que também falei pouco porque a a ligação caia. Fazer o que?

Mas foi tudo muito bonito. Brasileirada, Italianada, Hondurenhada, Indonesianada, Indianada tudo junto cantando e vendo os fogos pipocarem no céu do RJ. Teve até a participação especial do Norte Coreano do bar e do pessoal do Nepal. Feliz Ano novo em tudo quanto é parte do mundo em tempo real, muita energia diferente no mesmo lugar. Foi gostoso.

Falando em energia, depois do trampo teve que ter a festa do Crew de fim de ano no Crew Bar. Gente que que foi aquilo! Todo muito muito loko dançando e pulando e era Techno Italiano e era Funk carioca e era uns Beats Latinos, tudo muito doido. Foi feliz ano novo pra tudo quanto é lado de novo e de novo. E todo mundo dançando até virar agua pura.

Saindo de lá fomos pra cabine eu e a aninha namorar um pouco né? Porque a gente tb é filho de Deus. E daí fomos dormir porque tinhamos que acordar cedo (08h00) e trabalhar duro porque o ano começa mas o trabalho continua e o sono permanece.

E por falar em sono vou descansar um pouco. Porque mais um ano vem aí!

Feliz ano novo família! Feliz ano novo a todos!

Feliz ano novo marujos!

Feliz 2009 – 100º dia – 00h57 local Copacabana, RJ

Olá marujos!

Feliz 2009! Noite ferrada no ano passado mas agora é hora de se divertir vou pra festa do Crew no Crew Bar com a Aninha. Fui!

Até mais marujos!