19h05 em Mikonos e 13h05 no Brasil.
Nossa, me superei, nunca mais escrevi mesmo. 25 dias sem escrever. E na verdade é aquilo que já escrevi, é uma mistura de preguiça, com vontade de dormir, e sair, e trabalhar. E ainda agora jogar vídeo game também.
Muitas coisas aconteceram nesses dias todos. Alias, no último dia que escrevi ainda nem tinha acabado a travessia, e agora já estamos no terceiro cruzeiro.
Estou escrevendo agora porque resolvi fugir do Buffet e hoje vamos descer mais tarde em Mikonos e lá tem net wifi free então é sempre bom dar noticias.
Vamos ver o que posso contar.
O primeiro cruzeiro, foi tranqüilo. Desci na maioria dos lugares já, alguns eu conheci e outros nem sai do porto por falta de tempo. Tempo pra mim tem sido uma coisa meio estranha aqui porque é uma coisa até que nem posso reclamar. Ninguem me diz meus horários, entao acabo fazendo meu horário, claro sem esculhambar mas eu sempre faço menos horas de trabalho do que todo mundo, e eu não to nem aí.
Mas ainda sim, estou muito MUITO cansada. Hoje principalmente me sinto muito cansada, minha cabeça está pesada e eu não vejo a hora de ir embora. Se eu pudesse eu ia embora já. Mas ainda faltam 13 cruzeiros pra terminar, e eu vou embora, vou chegar na minha casa antes do aniversário do Pedrinho, se Deus quiser.
No meu aniversário eu fui em Corfu na Grécia. Eu e o Igor pegamos o shuttle bus e descemos numa praça muito linda. Lá também tinha um monastério bizantino do século 11. Entramos pra conhecer. Muito legal, principalmente a visão da cidade lá de cima. Dava pra ver o navio lá de longe.
Num outro dia desci em Dubrovnik correndo, como não encontrei o Igor, fui sozinha. Cheguei num lugar lá que pra mim até agora é o lugar mais legal que conheci. É um castelo. Na verdade o Igor falou que não é castelo porque todo castelo tem fosso e lá não tinha, lá é uma cidade murada ele disse. É realmente impressionante e lindo. Vou postar as fotos de lá hoje no meu Orkut.
Na outra semana consegui levar o Igor lá, foi correndo, menos de 1h pra ir, andar e voltar. E ainda chegamos bem atrasados porque tinha uma fila enorme de passageiros pra voltar pro navio.
Essa semana fomos até a Praça São Marcos em Veneza. Andamos MUITO, muito mesmo. Cada viela que a gente entrava tinha as plaquinhas indicando “Piazza San Marcos” e o mais legal tinha as setas pra 2 lados. Eu não entendia muito porque mas depois entendi que dava mesmo pra ir por 2 caminhos que chegava lá. Veneza é muito legal. É diferente. É exatamente aquilo que a gente vê nas fotos mesmo, mas a sensação de estar lá é muito diferente. Você vê uma cidade sem carros, se ônibus. O transporte lá são embarcações. Vielas muito estreitas com pontes pequenas e barquinhos passando por debaixo. Mas enfim. Andamos, andamos e andamos pelo menos uns 40 minutos pra chegar lá e eu disse pro Igor que precisava valer a pena porque era muito longe. Nossa. E valeu mesmo a pena. Que lugar lindo. Sabe tava falando pro Igor num outro dia, queria poder fotografar aquilo que meus olhos vêem. Voces podem ver as fotos e podem achar lindo. Mas as fotos não passam aquilo que meus olhos vêem. É muito mais do que está nas fotos.
Descemos hoje em Santorini também. É legal. Só o que não gostei muito que pra chegar até a cidade que é no alto das montanhas precisa ir ou de burro ou de teleférico. Claro que fui de teleférico mas dá uma sensação muito ruim. Sei lá me deu uma pressão na cabeça e uma tontura que não me sinto normal até agora.
Lá também é muito bonito. Só vielas minúsculas com todas as casas branquinhas, chão de pedra, e muitas lojas de jóias.
Em Pireus nós descemos também, mas só andamos um pouco ali por perto do porto porque não tínhamos muito tempo. Na próxima vez com mais tempo, vamos até Atenas, disseram que de táxi dá uns 30 minutos e que é muito legal.
Katakolon eu ainda nem desci.
Quanto ao trabalho, aos passageiros. De manhã eu fico na coffee station com o Lucas servindo coffee, café au lê, café com letie, cappucio, aqqua calda per tê ( não é assim que ecreve mas é assim que esse povo fala). Tava até comentando com o Lucas que dá mais ou menos pra saber de onde é a pessoa pelo que ela bebe. Por exemplo:
Alemão toma muito café com um pingo de leite. Mas é um pingo mesmo. Como eles dizem: Coffee with a litlle bite milk. Italiano toma bastante café com leite e eles chamam isso de cappuccino (só se for na Itália que café com leite é cappuccino, porque pra mim, cappuccino é muito mais gostoso!), as mulheres italianas tomam bastante chá, com um pouco de leite. Francês toma muito café preto (maioria homem) e mulher e crianças tomam muito chocolate. E assim vai.
A tarde eu vou pra uma linha qualquer ajudar um pouco e teoricamente meu horário seria das 7 da manhã as 2 da tarde direto. Mas eu vou as 7, as vezes eu vou 6h30, saio quando fecha, por exemplo umas 10h da manhã. Volto umas 11h30, 11h45 mais ou menos e fico até 1h da tarde. E depois só volto a noite pro restaurante.
O legal da coffee station é que você fica famoso. Todo mundo te conhece. É incrível. E lá eu tento um pouco conversar com passageiros.
A noite no restaurante é uma rotina. Sempre as mesmas coisas, a única coisa que muda é passageiro. No cruzeiro passado meu primeiro sitting só tinha Franceses. Daí eu descobri que eu não gosto de franceses. Eles não comem muito não, essa era a única vantagem. Era 2, no máximo 3 pratos. Mas a sobremesa era foda. Se eu tinha 24 passageiros, todos pediam 2 tipos de sobremesa e pelo menos uns 18 pediam queijos. Meu Deus. Era muito ruim! Além disso, eles eram secos, ignorantes e folgados. Um dos problemas também era que eles eram um grupo de uns 50 franceses, daí sentavam onde queriam e isso sempre dá problema, não respeitavam as mesas marcadas e tal.
Já o segundo sitting era um misto de italianos, americanos e alemães. Eles comiam mais, mas era infinitamente mais tranqüilo.
Esse cruzeiro agora. Tá foda!!! Meu primeiro e segundo sitting comem tudo. TUDO! É entrada, sopa, salada, pasta, prato principal e sobremesa. Todos os pratos. O primeiro sitting é só alemão. E por incrível que pareça são muito simpáticos. Brincam o tempo todo com a gente. Já o segundo sitting, tem 2 casais franceses simpáticos, e uns italianos também muito legais. Mas o segundo sitting é pior do que o primeiro. Por mais rápida que eu seja eu não consigo parar um minuto. E eu sempre termino por ultimo. Eu juro, isso nunca aconteceu. Chega um momento que eu não suporto mais entrar na cozinha. É MUITO STRESSANTE.
Eu estou cansada e queria ir pra casa. Queria poder dormir como uma pessoa normal, sonhar coisas boas e não acordar assustada no meio da noite achando que tinha que estar no restaurante, vir pra cabine descansar e nem conseguir achando que alguém poderia estar me procurando lá em cima (já que eu fujo mesmo!). Entre outras coisas que estão me deixando extremamente irritada. Venho pra cabine e não tenho mais paz. Era bom quando eu podia ficar na cabine sozinha e em silencio pra poder dormir. Eu não sinto vontade de conversar mais com algumas pessoas, principalmente pessoas que tentam se mostrar uma coisa que elas não são. Não gosto de mentiras, sabe? Ficar tentando mostrar que fazem uma coisa que elas não fazem. Não quero falar sobre isso aqui. Porque é complicado demais. Mas isso me deixa com muita raiva mesmo. Não tenho mais espaço na minha cabine pra fazer minhas coisas. Não posso mais tomar banho na hora que eu quero, não posso mais dormir em silencio a tarde, não posso mais deixar minha musica ligada ou jogar um pouco de vídeo game. Nem mesmo tenho espaço pra depilar.
Graças a Deus, eu não vim aqui por dinheiro, não vim pra cá por ninguém. Vim somente como experiência de vida e pra conhecer alguns lugares. E não preciso enganar a mim mesma e aos outros sobre isso.
Dinheiro todo mundo precisa, mas mais uma vez, Graças a Deus eu tive uma mãe e um pai que me deram uma educação de ouro. Que me ensinaram que tem mais coisa importante do que isso. Um pai e uma mãe que eu sinto falta todos os dias. Sabe, tem muita coisa boa de estar aqui, coisas que eu jamais faria se isso não estivesse acontecendo. Quando eu teria conhecido esses lugares, quando eu teria aprendido tanta coisa e conhecido tanta gente legal? Mas nada na vida é como estar perto de quem a gente ama. Nada paga isso cara!
Na semana passada, a mãe da Nati (que trabalha no room service) morreu. Eu não vi a Nati e nem tive a chance de dizer nada pra ela. Mas me disseram que ela tava desesperada. No dia seguinte ela foi pra casa. Ficou todo mundo arrasado sabe? Imagina você aqui, já sente falta, e ainda a pessoa morre. Cara, eu fiquei tão mal. Eu não suporto a idéia que um dia eu não vou ter mais meu pai e minha mãe.
Lá de Veneza, eu liguei pro Pedrinho também. Oh saudade desse mulequinho. Ele falou que quer que eu leve pra ele de presente um filhotinho de camelo pra colocar no quintal.
Voltando ao assunto dos passageiros, uma coisa eu preciso deixar muito clara aqui neste blog.
Desde que cheguei no navio, todo mundo enchia a boca pra falar de passageiro brasileiro, que não tinha educação, que não respeitava horário, que comia muito, pedia isso, isso e aquilo, que atrapalhava todo o serviço, enfim...só passageiro europeu que prestava, porque conhece serviço e tal.
PROTESTO!!!! E me revolto! Isso não é uma realidade. O problema é que todo mundo generaliza as coisas. Porque se 1 brasileiro faz uma coisa é porque todos os outros também fazem.
Olha só! Cruzeiro passado, todos os 7 dias de cruzeiro, todos os franceses chegavam muito atrasados. Pediam coisas que nem tinha no cardápio e tinha que se virar pra conseguir. Os italianos pediam maionese, onde eu ia arrumar maionese no restaurante? Educaçao entao quase inexistente, viviam de cara fechada. Na coffee station é um bom lugar pra se medir educação. A diferença do brasileiro é que eles falam todos ao mesmo tempo e ficam te puxando pra servi-los. Esses europeus de merda, não te dão a xícara, ficam com cara de merda, e não sabem pedir o que querem realmente, pedem uma coisa, depois mudam, pedem outra e assim vai.
Comer muito? Mais do que esse cruzeiro pra provar isso. Eles comem demais, demais e demais.
Então parem de pagar pau pra esses europeus, porque eles não são melhor do que ninguém. Na travessia, a maior parte das gorjetas que ganhei foram de BRASILEIROS. Só um velhinho brasileiro deu pra mim e pro meu garçom 420 dólares. 1 único velhinho. E os famosos europeus, se deram foram 10 dólares, 15 no máximo.
Esses famosos europeus que entendem de serviço. É uma mentira. Quem entende de serviço é quem tem berço, quem já nasceu com grana, pode ser brasileiro, espanhol, italiano, Frances, o que for. Porque pobre tem em qualquer canto. E cruzeiro não é mais pra gente rica não. Hoje é acessível pra todo mundo. E você vê claramente quando trabalha com isso, quem tem berço e quem não tem. Não é europeu. São pessoas e não importa de onde elas sejam.
Ai, acho que escrevi demais. Vou baixar as fotos pro computador e deixar tudo arrumadinho pra eu descer em Mikonos jaja. Tô só esperando o Igor chegar.
Até a próxima!!!
