Olá marujos!
Hoje foi a última noite do cruzeiro em Mikonos na Grécia. Daqui a gente vai para Dubrovinik mais uma vez, fazer todo o caminho de volta para a Itália e daqui ir para Israel.
Israel vai ser punk, serão 1 mês de cruzeiros, todos de 3 dias e cada cruzeiro com 3.000 pessoas. O restaurante e o buffet estão fodidos, se todos os israelitas tiverem o mesmo apetite dos seguranças (que também são Israelitas) vai precisar de muita gente. Praticamente um aquecimento para o Brasil onde o pessoal geral que não foi ainda está com medo. Confesso que a gente tá botando um terror psicológico também nos caras que são folgados.
Hoje eu consegui, depois do restaurante, ir me trocar e descer para ir para a balada com o pessoal. Foi melhor que da outra vez. Hoje eu reparei que a não tenho mais a sensação de balanço do navio e nem da terra quando desembarco. Tanto na terra quanto no mar, parece terra firme pra mim.
No restaurante teve só 1 sitting o que confesso é bem menos desgastante, principalmente por que agora meus ombros doem muito. É muito peso e ter que fazer várias coisas é desgastante.
Em Mikonos achei uns postais no lixo, novinho. Peguei. O cara da loja nem falou nada, vou ver se mando para casa um deles. Hoje eu descobri algumas coisas interessantes como mais passagens secretas e que na Indonésia, 1 Dólar vale + ou - 1000 unidades da moeda local deles. Na Índia são 1 dólar são 40 unidades da moeda deles, aqui esses caras ganham bem, por isso eles não fazem merda que nem a gente. Quer queira quer não, em casa nós estamos melhor que eles.
A galera nova está sentindo as mesmas coisas que eu senti quando cheguei. Acredito que a idéia de fazer este blog foi a melhor de todas pois assim vocês podem saber como acontece as coisas aqui.
Com a quantidade de braileiros aumentando, hoje eu descolei dois refrigerantes, um no período do almoço e outro no restaurante, mas os hondurenhos e alguns indonesianos gente boa também conseguem descolar de boa, mas eles são bem mais na deles, a gente é mais descarado.
A coca eu dei para o brasileiro novo da linha do buffet, assim como o Alex, um menino indonesiano fez comigo no primeiro dia que eu cheguei. Aquela coca mudou minha vida aqui dentro. Dica: Comprem palmilhas de silicone e meias de compressão, pelo menos dois pares. Todos aqui reclamam muito de dores nos pés e é comum mesmo.
Eu já não sinto mais eles. Pararam de doer, quer dizer, eles doem, mas bem menos. Os ombros é que estão apitando agora. Ah, praticamente 99% dos brasileiros, independente de agência, em todos os lugares do Brasil, se sentem enganados aqui dentro, então por gentileza, já se sintam enganados agora.
Tudo que eu faço aqui, escrevendo é para tentar ser o mais real possível, se bem, como vocês podem ver (ou ler), aqui tem bastante sentimento nessas linhas, não dá para ser 100% objetivo em relação a tudo que acontece aqui por que no começo, tudo que você tinha de referência se perde, tempo, espaço, comunicação, o básico do básico vai embora, como eu disse antes, você volta a ser criança.
Posso dizer que em relação a tempo, espaço, comunicação e necessidades básicas, como comer, dormir, beber, ir ao banheiro eu já me sinto mais seguro. Isto quer dizer que eu consigo administrar melhor as ferramentas que se tem aqui dentro. E marujos, a maior ferramenta que se tem aqui dentro é a ferramenta humana.
Até os chefes precisam de ajuda e vocês, assim como eu também precisam e muito deles, no buffet eu já tenho alguma moral o suficiente para conseguir sair de alguns problemas como chegar atrasado, posso comer e beber na cozinha do buffet e não pega nada (mas sempre na boa, nunca se exibindo ou se ostentando) e assim vai, mas isso a custa de muito relacionamento, dedicação e sobretudo, comunicação em todas as línguas possíveis.
Preciso trabalhar isso na cozinha e com os chefes do restaurante agora. Lá é mais complicado por que eu sou novo e faço muita burrada ainda, mas eu estou trabalhando isso e com um pouco de tempo eu consigo a mesma façanha que no buffet. Só por curiosidade, nada a ver com o assunto, hoje eu fiz as contas e são 275 dias de trabalho pesado. Eu me sinto cansado, mas bem nos 16º dia. Tem gente que não aguenta 1 semana, outros nem mesmo 1 dia. Entendam que o trabalho é pesado, repetitivo e não há tempo para folgas para fazer nada.
Para a minha gatona
Aninha, recado para você, traga ímãs fortes, muitos imãs fortes, todas as paredes são de metal e com um imãs decentes dá para improvisar varais e outras coisas. Traga suco Tang (já que você odeia agua) muita meia, muita roupa de baixo e esqueça roupas de sair. Eu uso sempre a mesma. Não há tempo para escolher. A minha roupa de sair fica guardada na gaveta.
Traga garrafa térmica para manter as coisas quentes ou geladas e uma garrafinha normal de gatorade para àgua. Ah, o banheiro é minúsculo, para tomar banho é muito ruim, mas a pressão da água é boa, você vai gostar. Não é necessário roupa de banho nem nada de roupa de cama, tem tudo aqui. Traga só se possível toalhas pequenas de rosto e pano de chão, será útil.
É possível gostar? Depois da segunda semana acho que sim. Depois que você se situa no tempo e no espaço novamente e aprende o básico do(s) seu(s) trabalho(s). Mas lembre-se que eu sou um eterno otimista. Você, não sei. Como eu sempre te disse gatinha tudo depende de você, e eu do meu jeito, fazendo as minhas coisas, elas sempre dão certo, eu sempre me saio bem. A única coisa que eu posso te falar então é: tome muito cuidado para não absorver os problemas e opiniões pessimistas dos outros ok? Principalmente dos brasileiros a bordo.
E por favor, faça exercícios físicos. Melhore seu condicionamento físico gatona por que você vai sofrer muito se não fizer e eu não quero que você sofra tá? E se puder aprenda italiano. Aos senhores marujos, me vou pois preciso dormir. Tenho apenas 5 horas de sono agora. Fiquem com os deuses gregos.
Até mais marujos!
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