Olá marujos!
Cada vez mais está sendo difícil para mim acordar, então comecei a dormir em todos os momentos disponíveis que eu tenho. Para vocês term idéia em 30 minutos eu tirei 3 sonecas de 5 minutos que pareceram uma eternidade.
Hoje pela manhã no buffet foi tudo tranquilo, exceto pelo fato que o novo Maitre D´Hotel fica rondando tudo a todo momento. Na real nada demais, é só você ter que ficar mais ligeiro quando for fazer algo “errado” como pegar yogurt.
Como estamos em 4 na linha agora tudo fica bem mais simples. Os muleques novos, brasileiros que chegaram, estão pegando algumas coisas aos poucos, mas confesso que eles ainda tem alguns vícios do pensamento errôneo que se faz do resto das pessoas como os indonesianos e hondurenhos.
Hoje eu perguntei pro Rafael Siu (o Capo) – nota: capo é chefe em italiano – o que significa “off” porque eu ouço todo mundo falar de off, mas eu não sei nem o que é isso. Foi engraçado por que ele ficou meio desconfortável em falar, mas me disse que o off é um momento de folga de 4 horas para poder descansar e etc.
Perguntei o que precisa fazer para se ter um off e ele explicou que é ele que dá essa folga e que ainda tem tempo para isso. Coisas interessantes que eu descobri sobre o “off”: No buffet o off é de 4 horas. No restaurante 6h.
O capo de cada sessão é responsável por dar o off, se por cargas dagua eu continuar nesse esquema buffet/restaurante posso dar a sorte de talvez pegar 10h de off (o que sinceramente acho muito improvável, mas possível).
Enfim, hoje eu notei que devido a convivência constante com os italianos eu já “capito” (entendo) algumas frases em italiano por osmose. Atualmente tem um cozinheiro, o Ignacio (O nome dele por mais estranho que pareça, fala-se “Inhácio”) que me ajuda muito a aprender italiano.
Toda hora eu pergunto, “Scuzie Ignacio, como se ditche X in italiano” e esse X geralmente é algo em inglês que eu falo, ou aponto. O problema é que o inglês dele é “molto scazo” muito fraco e fica difícil as vezes se fazer entender, mas ele é bem paciente comigo e eu ajudo ele com inglês e algumas coisas em português só por curiosidade.
Ah, aproveitando marujos já vos digo para treinarem bastante pronúncia e ouvidos. A maioria dos indonesianos tem muita dificuldade para falar certas palavras em inglês e eles tem uma mania de repetir tudo 3 vezes (mas eu descobri o por quê disso).
Por exemplo, na maioria das vezes, quando eles falam o fonema F deles é bem mais próximo de um P: “Fést” (rápido) eles falam “Pést” e 3 vezes. Então é sempre “Pést, pést, pést!” Trazer e levar é sempre “bring” não ouvi nenhum deles encaixar um “take” na frase corretamente. “Bring Pirófila, Cámóun, Bring, bring, bring!”
Estou dando ênfase nos indonesianos porque é a grande maioria que fala inglês aqui. Os indianos também falam inglês e com fonemas melhores que os indonesianos, mas o problema é que eles, pelo menos aqui, não são de falar muito com ninguèm.
Os hondurenhos e italianos não se preocupam muito em falar inglês, mas entendem tudo. Alguns falam com o sotaque deles com ênfase nas vogais e falando todas as palavras como se fossem oxítonas, principalmente os italianos.
Da parte do crew é isso. Da parte dos passageiros preparem-se para muitos italianos, seguidos de alemães e franceses empatados, seguidos de espanhóis, portugueses e alguns brasileiros (pasmem, eles existem! Mas só ví 4 brasileiros fazendo cruzeiro no navio)
No restaurante tivemos um treinamento para o Baked Alaska (mas creio que foi tarde demais) e o tive uma pequena falha de comunicação com o Maitre D e o Headwaiter Maurício que me rendeu um comentário entre eles me chamando de retardado mental. Sim. Os italianos são educados nesse naipe. Pelo menos os chefes (ou alguns deles para dizer a verdade). Nessa semana estamos atendendo clientes da alemanha, da frança (nos 2 sittings, o que me faz pensar seriamente em aprender um pouco de francês) e australianos/ingleses/americanos.
Da parte dos passageiros a maioria é bem legal e atenciosa. Todos reparam que eu ainda não tenho jeito em retirar as coisas da mesa e acabam me ajudando puxando o prato até mim ou pondo os talheres no lugar certo ou ainda deixando o prato preparado pronto para que eu retire melhor.
No cruzeiro passado, só um grupo de italianos me zoou muito, mas acabou me ajudando também, mas não sem antes de ouvir algumas gracinhas, mas nada ofensivo, pelo menos para mim.
Enfim, já estou pegando algumas manhas do restaurante e agora eu não atrapalho mais o Marabaya. Na real agora a gente está trabalhando bem em equipe. Hoje eu ganhei até uma garrafa dagua no final do trampo, fiquei feliz. Uma garrafa daquela agua custa uns 9 Euros por aí. E é a mais vagabunda que tem por aí.
No final do sitting eu como sorvete até cansar. O pessoal pega comida e outras coisas, mas eu só fico nos hipercalóricos, deixo a comida na hora do buffet mesmo. Dá para fazer isso de boa, mas é preciso saber o tempo certo de pegar.
O ideal é pegar o prato que você quer quando a sua última mesa está pegando a sobremesa e você sabe que não vai ter inspeção dos oficiais logo depois de fechar o restaurante. Aí você entoca o prato dentro da sua Station e já era. Sem ninguém por perto dá pra comer na cozinha mesmo, mas com a passagem secreta que o Duran me ensinou eu já saio direto no Crew Mess e alí é área livre, só não pode fumar.
Marujos, as coisas aqui são puxadas, mas eu já estou começando a me acostumar. A prova de fogo é a primeira semana onde tudo é muito difícil, depois com as ferramentas certas e com pensamento positivo você acaba até gostando.
Não vejo a hora de ganhar mais gorjetas! Hoje fiquei sabendo que o Marcelo e a Juliana da Infinity chegaram aqui, fiquei feliz, vou tentar ajudar eles do melhor modo possível. Vou dormir agora.
Até mais marujos!
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