Há uns dias sem escrever... e sinceramente por 2 motivos: falta de vontade (leia-se animo) e cansaço. Tudo é real e assustadora agora. SIM. ASSUSTADOR!
Eu sei que nunca fui das pessoas mais fortes na vida, mas isso aqui, acho que tem que ser forte ao cubo, ou muito mais. Como conversei com o Igor, espero que essa sensação ruim toda acabe, porque sinceramente é muito difícil.
Deixa eu contar o que aconteceu nos últimos dias...
No dia 2 saimos as 18h de Genova e fomos de onibus ( alias, um ônibus muito ruim, diga-se de passagem, que nem inclinava o banco). Foram 12h muito longas e loucas de viagem. Sem condições de dormir, entre as dores no corpo e a falta de espaço, alguns cochilos e o desespero de saber que iríamos chegar e trabalhar cansados. Aconteceram alguns detalhes na viagem que depois eu conto senão vocês vão ficar preocupados desnecessariamente e nem foi nada demais.
Chegamos em Bari as 6h da manha, fomos pra estação de cruzeiros, e ficamos lá morrendo de sono, fome e cansaço durante um bom tempo até o navio chegar no porto. Voces não tem idéia da minha felicidade quando vi naquele marzão lindo o Musica chegando. Mal sabia o que me esperava!!!
Entramos no navio por volta de uma meio-dia, eu acho, nem faço idéia da hora. Ai estava esperando no corredor do Crew Purser pra entregar toda documentação quando passou um moço vestido com uniforme do restaurante, e como tava comprimentando todo mundo vi que era brasileiro e perguntei se ele conhecia o Igor. Na hora ele disse que sim, e me perguntou se eu era a namorada dele... ai ele foi embora. De repente... ele apareceu lá correndo. Tinha fugido do restaurante por 5 minutinhos pra me ver. Nossa. Fiquei tão feliz em vê-lo.
Ele foi embora e eu continuei tentando entender o que aqueles italianos queriam, muita confusão. Depois de um bom tempo sem entender nada, porque não tinham entregado nosso crew card, encontrei o Igor de novo sem querer no corredor, era o tempo livre dele entre o almoço e o jantar, daí ele me levou ate o carinha que pega o uniforme, me mostrou a academia, a laundry, a sala de reunião, me explicou mais ou menos como eu consigo não me perder no 4º andar (que é o andar por onde andam os tripulantes, enfim). Aprendi tudo e nem me perco.
Tentamos ir pegar nosso Crew Card de novo, e dessa vez o Capitao Darma entregou. E a gente tava em cabine de passageiro de novo, porque ainda não tinham sido liberadas cabines de tripulantes por quem iria desembarcar. Daí fomos nós lá pro quarto 14039, detalhe, no 14º andar. Cabine gigante. Detalhe que eu fui conhecer a cabine de tripulante do Igor, e o tamanho total da cabine dele era do tamanho do banheiro da cabine de passageiro que eu estava. Show de bola!
Enfim, sei que colocamos uniforme e fomos ate o Buffet, mas só foi eu e a Diana, mais ninguém apareceu o que me deixou com um pouco de raiva depois porque todo mundo foi descansar e eu fui atrás da Diana, desesperada que tinha que ir pro Buffet, que tinham avisado e tal, e talvez nem precisasse mesmo. Depois fui pra cabine, era 8 da noite eu já tava dormindo muito.
Enfim, a rotina desses últimos dias é assim. Acordo 4h30 da manha pra chegar no Buffet umas 5h15... chegando lá tem que fazer set up das mesas, arrumar as linhas (onde coloca as comidas) tem varias linhas de vários tipos de comida, acho que fica difícil escrever porque não vão conseguir imaginar. Nesses dias já fiquei enrolando talher em guardanapo de pano, fiquei na linha de doces , na linha dos frios (salada) e dos quentes (pratos quentes em geral). Na verdade isso é uma bagunça louca. Não tem o mínimo de organização, eu vou pedindo pras meninas que já estão no Buffet há mais tempo pra elas me dizerem o que fazer e vou fazendo, mas não tem sequencia nem ordem, nem sentido, nem nada. É só um bando de gente fazendo um monte de coisas.
Meus horários não batem com os do Igor. Eu entro as 5h15 e ele entra as 7h, eu fico no Buffet e ele no restaurante. Ele tem horários intercalados, o meu é direto, so com pequenos momentos de pausa, isso se estiver tudo pronto, caso contrario o café enrosca com o almoço, que enrosca no tea time. É louco demais. E por isso o Igor vai ate o Buffet me falar um oi quando dá tempo pra ele, alem disso ele ta todo preocupado comigo porque eu não consigo comer.
É verdade, eu não sinto fome, sinto dor no meu estomago, e muita vontade de vomitar. Principalmente no segundo dia a noite, o navio balançou muito, mas muito mesmo, pra mim que não tinha sentido essa sensação, foi péssimo, tudo subia e descia... Jesus Cristo. Eu tava numa linha de bolachas na hora do Tea Time, e eu não tava bem, entrei pra cozinha na mesma hora e as meninas ( que por sinal a maioria tudo gente boa, a Vania, a Dani, entre outras que não lembro o nome porque não muitas) me deram banana pra comer e me mandaram ficar sentada e não fazer nada. Fiquei bastante nervosa, comecei a chorar. Alias, chorar é normal. Só eu pensar que eu choro. Parece que o peito ta fechado, e por isso que dói tanto. Mas eu espero que passe.
Pensei bastante (em 15 minutos livre!) que eu tive hoje sobre ficar aqui 9 meses. Sinceramente, não sei se dá. Vou tentar, mesmo. Rezo o tempo todo pra Deus não me deixar desistir e todo mundo com quem converso fala que isso é normal nos primeiros 15 dias, mas eu não sei, porque é difícil de verdade.
Eu sabia que seria difícil, mas não tinha idéia do quanto. Não é medo de trabalhar, mas é uma loucura generalizada.
Outra coisa, mãe, pai, tati, gui, ainda bem que vocês não conseguiram comprar pra vir pro Musica, porque eu como vivencia interna de um restaurante daqui, sabendo do que acontece, não recomendo. É tudo muito sujo. Muita muita muita comida boa é jogada fora enquanto a gente tripulante tem que comer um lixo de comida que servem no Crew Mess. A sorte mesmo é que lá sempre dá pra comer algo. É tudo muito escondido. Tem capitão andando pela cozinha, se eles te pegam comendo, eles brigam e pode dar até warning, mas é fácil comer. O pessoal já tem vários esquemas. Hoje por exemplo quando tava levando a pirófila (agora eu sei o que é uma pirófila!) cheiaaa de abacaxis lindos pro lixo, antes de chegar lá, comi vários. Que inclusive foi meu almoço de hoje. Porque como eu disse, nem sinto fome e sinto muita vontade de vomitar principalmente de manha.
Agora de pouco a Paola (uma menina lá do Buffet que ajuda o Capitao, que é um bundão e mais perdido do que a gente) ela organizou um pouco melhor quem vai ficar em cada lugar. Isso facilita. Mas ela me colocou na linha dos grills sozinha, disse que amanha vai colocar alguém pra me ajudar, mas depois vou ficar sozinha, meu que medo. Além disso, to fudida, porque é onde eu me sinto pior, porque aquele cheiro de ovo e bacon me dá muita ânsia. Já até falei com ela que não me sinto bem e se eu precisar eu troco com alguém, ela disse que tudo bem, mas vamos ver né.
O Igor tem me ajudado bastante nos momentos que conseguimos nos ver. Paramos ontem dia 5, em La Valleta ( Espanha) mas nem descemos até daria tempo de ficar uns 30 minutos em terra mas eu nem me sentia bem, e o Igor disse que também queria descansar então fomos pra proa do navio, onde tem a nossa big piscina e ficamos lá sentados conversando. Saudade de conversar com ele.
Essa noite sonhei com minha mãe e meu pai. Estavam em casa fazendo festa de aniversário pra mim. Nem sei porque desse sonho, mas foi bom! O duro mesmo é acordar 4 h30 da matina.
O Igor trabalha a noite, das 7 até umas 11 ou mais as vezes. Essa hora eu já to quase no meu 10º sono, mas ele sempre passa na minha cabine pra falar boa noite. Nós somos praticamente vizinhos, fiquei feliz com isso, porque tanta cabine nesse navio e a maioria das pessoas foram pra outros corredores e eu fui pro mesmo que o dele. Minha cabine é 3079 e a dele 3071. Ele mora com um indonesiano que nem vi ainda. E eu moro com a Simone.
Acho que se deixar tem mais um monte de coisa pra escrever, mas to com vontade de dormir. Entao vou logo me despedindo, porque ainda vou tomar um banho.
Beijos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário