Olá marujos!
Apesar de ter descoberto algumas coisas no passar dos dias, hoje eu decidi escrever um pouco sobre a parte underground do navio. Como todas as informações vão e vêm muito rápido, na primeira semana não dá para saber muita coisa, mas com o passar do tempo as coisas ficam mais claras.
Primeira coisa que vocês devem ter em mente é que o ser humano é igual em qualquer lugar e em qualquer problema haverá soluções. Vou apontar o problema e como algumas pessoas conseguem solucionar.
O primeiro problema é: isto aqui é um lugar confinado em qu seu espaço pessoal é diminuto e compartilhado. Na verdade existem casos de pessoas de sexo diferente que compartilham a cabine.
Desconfio que existem cabines de 4 pessoas em que só moram 2. Soube de um caso de uma cabine onde só vão casais para transar. Não sei onde fica mas os comentários são de fontes boas. Oficiais tem taras por corredores e lugares pouco frequentados a noite, mais de um “cleaner” noturno (incluindo cleaners mulheres) comentaram no crew mess que já viu oficiais se pegando no meio do corredor.
Comer comida de passageiro é proibido. Nada aqui é proibido, principalmente comer. O negócio que pega são com os oficiais do F&B (food and Beverage) Management que são responsáveis por todo o esquema de higienização de comida e etc.
Alguns alto oficiais também implicam de vez em quando. Geralmente não dá nada além de uma advertência verbal.
Warning. Situação delicada pois depende de quem você é, o que você faz, como se comporta e quem você conhece. Se fosse levado ao pé da letra meeeesmo eu já estaria com pelo menos 3 warnings e portanto desembarcado.
Tenho motivos para ter pelo menos uns 9 warnings, que incluiriam: perder o name tag (badge); andar sem name tag por 1 semana; comer na cabine, no restaurante, no buffet e na popa do navio; entrar com roupa de civil no crew mess; chegar atrasado no trabalho; em meetings (isso é pesado, não se pode brincar com isso) e em drills; trabalhar com unifome sujo e etc.
A parada é que pelo menos no restaurante e no buffet, com um bom relacionamento com o Head Waiter e os Ass. HeadWaiters (que são geralmente os italianos com jaqueta vinho e branca respectivamente), está tudo certo. Você ouve uma puta bronca (ou não) e não passa disso.
No setor de cozinha, um muleque teve que assinar warning porque chegou 3 minutos atrasado. Doidera, mas é assim que é. Na real eles (os chefes) usam muito o warning como terror psicológico e funciona.
Drogas e Alcoól. Viciado aqui é mato, na estação do meu lado no restaurante trabalha um italiano magricelo que é chegado em cocaína. Me perguntou se é possível no Brasil arranjar pó pra ele. Disse que procurando ele acha.
Ele me perguntou se dá para trazer para o navio. Disse que eu não, mas talvez alguns paisanos meus possam, mas eu não conheço. Ele me disse que na Itália é fácil por isso pra dentro do navio, o problema é fora por que ele não conhece ninguém. Triste, mas é a realidade.
Maconha aqui é muito falada, mas nunca vi ninguém ou comentários de ninguém usando aqui dentro. Cigarro aqui é como bala, praticamente 99% do pessoal fuma, no crew bar existe área para não fumantes, o que é hilário já que o lugar é fechado.
Entrar com bebida de fora é complexo. Não conheci ninguém ainda que tenha feito isso. O que acontece muito é o pessoal tomar vinhos roubados de passageiros e tal. Uma pena por que neste caso eu gostaria muito de comprar uma garrafa de Johnny Walker Blue Label por 78 U$ em Haifa para revender no Brasil por R$ 500,00.
Sexo. Todo mundo comenta que é difícil, mas entre as meninas (por incrível que pareça) é onde há os comentários mais comuns. Sem muito esforço eu já descobri entre os brasileiros quem ficou com quem, quem dormiu com quem e com quantos.
A real é que aqui as mulheres tem poder. Como a grande maioria do pessoal é homem (proporção 80 - 20) elas podem escolher em paz e até as feias, gordinhas e indonesianas – brincadeira, existe sim indonesiana gata e indonesiano bonito – acabam se dando bem aqui no navio.
Limpeza da cabine e Cabin Inspection. Meu companheiro de quarto paga 15 euros por mês para um muleque cleaner paisano dele, ele é indonesiano, passar na cabine e limpar 2 vezes por semana. Hoje ele reclamou por que o moleque não veio.
Os brasileiros pegam um aspirador de pó e passam no quarto as vezes. Os indianos NUNCA limpam o quarto e no caso dos hondurenhos, depende da pessoa. É bem útil pegar fronhas e lençois a mais para fazer piquenique no quarto, assim não suja nada e a inspeção fica de boa.
O Rafael Greghi levou uma advertência por escrito por que a lata de lixo tava cheia e o chão estava sujo. Não era warning, mas ficou nisso também, só susto. Eu me sinto mal porque nem lixo eu tiro, mas também o Rai é de boa e eu tento não sujar muito. Bem por enquanto é só.
Até mais marujos!
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