Olá marujos,
Essa semana de mudança de Maitre foi um inferno pessoal e profissional para mim. Foram situações muito incômodas que eu tive que lidar mas que felizmnte já passaram. O Sr. Cosic Svetoslav se foi para o bem de todos. A Aninha se conformou com a estadia dela no buffet, mas ainda tem fé de voltar ao restaurante, isso é bom pois acalma o coração dela. Alguns ajustes foram feitos e pessoas que nunca deveriam ter saído do seu posto voltaram ao seu lugar de origem.
De todos confesso que a maior decepção foi esse Maitre D, o Sr. Cosic Svetoslav. Na Infinity, no curso que eu tive, me falaram muito bem dele, que ele era super isso e aquilo, uma pessoa decente, justa e etc. Nada a ver com a realidade que se mostrou aqui onde ele era uma pessoa fraca, sem pulso, vivia pelos seus interesses pessoais e não se importava nem um pouco com a sua equipe. Éramos deixados ao léu e cobrados por erros dele e não nossos.
O Maitre novo é um senhor bem velhinho dos seus 70 e poucos anos de idade, mas que ao contrário do maitre antigo, tem humildade para ouvir a gente. O Hotel Manager cumpriu a palavra dele e eu e a Aninha vamos retornar pra casa juntos no mesmo dia. Que aliás já saiu a data, será dia 5 de julho. São notícias muito boas pois tiram uma carga imensa de ansiedade de cima de mim e da Ana e facilita um pouco a estadia no navio.
Das notícias boas ainda muitas pessoas boas que estavam fora voltaram. Uma boa parte dos indonesianos e hondurenhos que foram embora no final da temporada brasileira estão de volta e isso é bom. Tiveram algumas promoções justas de waiters que viraram Captain Station e assistentes que agora são waiters.
Parece que agora depois da turbulência chega a hora das coisas se ajutarem um pouco. Pena que seja bem no fim do meu contrato, mas de qualquer modo estou feliz com esta experiência só não estou feliz com as dores do meu corpo. Atualmente consegui amenizar as dores do calcanhar e dos pés com novos sapatos e palmilhas e meias kendall que eu esqueci que tinha guardado, mas meu tríceps do braço direito tem me incomodado muito de uns dois dias pra cá. Deve ser por cusa do peso das bandejas talvez.
Ah marujos, estou feliz com a chegada final de tudo isso. Não vejo a hora de poder dormir direito. Sim, vou sentir falta de algumas coisas, mas estas com certeza serão remediadas muito facilmente depois que eu estiver plenamente recuperado.
Me vou agora, mas vocês ficam com o poema do Manuel Bandeira.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Até mais marujos.
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Um comentário:
Pasárgada é o lugar que amamos, onde nos sentimos bem e somos amados incondicionalmente (muitas vezes sem saber). É onde respiramos livres, saramos as dores do corpo e da alma. É nosso porto seguro. Tem erros e acertos, é onde erramos e acertamos. Mas é o nosso lugar.
Filho, tua Parságada espera pela tua volta!
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