Olá marujos,
Só queria registrar que hoje o Luigi Cacage, um dos Assistentes do Maitre´D passou a mão na minha bunda. Não gostei disso. Esse pessoal tá ficando muito abusado com as brincadeiras deles. Eu nunca dei nenhuma liberdade para isso acontecer. Eu nunca brinco com ninguém disso, ninguém e vem esse velho cretino fazer isso. Não não. As coisas estão passando um pouquinho dos limites não acham?
Uma notícia boa pelo menos, a Ana estava no buffet e o Hotel Manager, que é a única pessoa que escutou a gente até agora, viu ela lá. Sem ela perguntar nada pediu para ela ter um pouco de paciência que ela já voltaria para o restaurante. Isso é bom. Pelo meno uma pessoa ao nosso favor.
Estou cansado marujos. Meu pés doem muito mas isso é redundante. Meu calcanhar não existe mais. Reveso os sapatos mas não adianta muito, as pernas também doem principalmente o nervo siático. A dor vai até a bunda e as vezes faz falsear minha perna quando eu estou andando ou carregando a bandeja.
Tenho chegado todo dia atrasado pelo menos 5 ou 10 minutos no buffet onde eles fazem o Check-in e o check out (que é uma chamada para ver se você está presente). Hoje o Captain Station italiano Alessandro gritou comigo na frente de todo mundo or causa disso. Virei as costas e sai andando. 05h45 da manhã não tem passageiro tomando café. Ainda mais no Giardino que é minha posição. Aliás os primeiros passageiros começaram a chegar às 07h15.
Comecei a dizer algumas verdades para os passageiros. A grande maioria pergunta como que é a vida dentro do navio, do trabalho e etc. Creio que a maioria dos leitores do blog que não são da família também queiram sabe disso, pois bem. Comecei a dizer que eu sofria alguns abusos, discriminação e até preconceito, que a carga horária e os pagamentos são diferenciados e tudo isso por que eu não sou italiano. Nota. Eu explico isso em italiano para os passageiros italianos.
A maioria fica estática, abismada ouvindo, mas como é de se esperar não fazem nada, só ficam com dó. Cheguei arrancar lágrimas de uma senhora de um grupo de 4 velhinhas italianas que estavam no buffet para quem eu contei essa parte da minha história. Elas disseram que o máximo que podem fazer por mim é rezar para que eu seja forte e consiga aguentar tudo com firmeza até o final. Agradeci.
No fim nem vocês sabem de toda a verdade, não tenho tempo, saco ou simplesmente prefiro esquecer para não relembrar certos momentos que deveriam não acontecer, entretanto acontecem. Os momentos bons ficam registrados nas fotos e a cada vez que eu recebo um obrigado, um sorriso, um aperto de mão ou uma gorjeta dos meus passageiros. Aqueles que o fazem de coração eu recebo com todo amor.
São esses “drops” de alegria que me permite reconsiderar e até mentir pra mim mesmo sobre a real situação daqui e fazer com que eu acorde mais um dia para ir trabalhar com todas as dores e fomes e sedes e humilhações que eu possa um dia jamais tentado imaginar.
Até mais marujos.
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Um comentário:
Quem manda ser gostoso?
WMM.
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