Olá marujos,
Há dois dias atrás eu estive em Santos pela última vez na temporada brasileira, passei em casa reví algumas coisas que eu precisava, conversei com meu pai, conversei com a minha mãe, com meu vô e conversei com a Ugly (minha cadela) e só não conversei com meu irmão porque ele não tava lá na hora.
Eu e a aninha fizemos um carregamento de coca-cola, novas provisões que viam de casa, do meu pai e da minha mãe e ainda saímos para comer com a Tati e o Piti. Confesso que enquanto estava em casa tudo parecia um pouco normal que nem das últimas vezes que estive lá.
Minha ficha só caiu que seria a última vez que eu estaria naquela cidade, naquela casa, com aquelas pessoas quando voltei pro navio. Logo depois de voltar teve Drill e me lembrei da minha mãe falando que estaria lá no deck dos pescadores me esperando pra dar tchau.
Quando o navio começou a andar, uma onda de nostalgia enorme começou a bater em mim e comecei a ficar ansioso. Minha cidade passando pelos meus olhos em uma panorâmica lenta. Sai do meu posto e fiquei perto da borda esperando. Enquanto isso um senhor de idade ficou perto de mim e começou a puxar conversa. Conversei, mas nem prestava atenção.
O céu foi ficando mais escuro, e a ponte dos práticos chegou bem perto de nós. Pedi licensa pro velho que eu estava conversando e subi pro 16º andar perto da escada pra poder enxergar melhor o pessoal que estava me esperando pra dar tchau quando chegasse o deck do pescador.
O deck chegou e eu não enxerguei ninguém, mas em questão de segundos eu vi perto do canto esquerdo pra que está em terra e a direita da minha visão, entre os postes de luz, uma lanterna, que acendia e balançava, naquele momento eu sabia, que entre aquela multidão escura de sombras e braços, lá estava ela, o meu pontinho de luz me saudava, ali estava a minha mãe.
E eu fiquei lá, com meu boné amarelo em mãos choacoalhando prum lado e pro outro, esperando que talvez também ela me visse, não sei se ela me notou, mas eu sei que eu a vi. E naquele momento, até durante toda a partida do navio eu chorei.
O pessoal que estava lá perguntava o porque eu chorava e eu por dentro sabia que chorava de uma saudade de 5 meses antecipada e de uma felicidade garantida quando retornasse.
Só respondi pra eles isso, que meu pontinho de luz estava lá me esperando, que aquele pontinho de luz que se movia de um lado para o outro era a minha mãe, e eu sabia e sei, que não importa onde eu esteja, que não importa o quão difícil a situação possa estar e que também ela pode ter seus defeitos, que ela pode não entender várias coisas, mas isso não importa.
Desci as escadas e voltei pra cabine, encontrei a Aninha e choramos e ficamos um pouquinho juntos. No final tudo ficou bem, eu me sentia renovado. O peso físico e mental que estava comigo tinha saído e eu me sentia bem, muito bem novamente. Abri meus presentes e recomecei tudo de novo, sapatos, palmilhas, tudo. Este post então é um lembrete, uma homenagem e um poema.
Sempre que eu me sentir fatigado como estava eu vou com certeza me lembrar daquela imagem que eu vivi. Lembrar que no meio do tumulto e da escuridão, a minha mãe, a minha família, os meus amigos, as pessoas que eu amo, todos eles vão estar lá no deck do pescador, representados pela minha mãe e por aquele pontinho que se movia e me saudava. O meu pontinho de luz.
Até mais marujos.
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2 comentários:
Juntos, somos a claridade:
eu, um pontinho...
você, outro...
e assim seguimos rumoà luz!
Este foi o texto mais lindo que já li na vida!
Bjs. Mamãe.
De pontinho de luz em pontinho de luz iluminamos as pessoas que amamos e as que estão ao nosso redor. Você é meu pontinho de luz, também. Este texto foi o mais lindo que já li, até hoje (pelo que há em sua essência).
Por aqui, dias lindos, ensolarados!
Conheça o máximo que puder, aproveite muito essa oportunidade.
Muita paz e alegria! Beijos gingantescos pra você e para a Aninha.
Mamãe Maravilhosa.
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