domingo, 25 de janeiro de 2009

Quinta-feira, dia 01 de Janeiro de 2009

13h em Ilha Bela
Primeiro dia do ano, e FELIZ ANO NOVO pra todos, principalmente pra minha família e meus amigos, pras pessoas especiais na minha vida.
Tudo tem sido muito diferente nessa semana. No último dia em Santos, dia 26, o Daniel (chefe português) me convidou pra trabalhar no restaurante. Aceitei, com muito medo mas aceitei. Só que nesse cruzeiro de réveillon tinha mais passageiros do que a capacidade dos 2 restaurantes, então abriram o Giardino como restaurante a noite. O que por um lado é bom e por outro é ruim. Bom porque é um ambiente bem mais calmo do que o restaurante e ruim porque parte dos passageiros estavam descontentes em estar lá. Muitos depois se convenceram que lá era bom também.
Pra mim foi tudo muito louco, aliás está sendo ainda. Tenho um waiter que na verdade é capitan station que estava fazendo função de waiter porque estava em falta de waiters (vai vendo!!) e era eu e o Anderson como assistentes dele. Temos um total de 8 mesas e em média 50 passageiros. Desses, no primeiro sitting vem umas 5 mesas e no segundo também umas 5 a 6 mesas. Mas as mesas maiores, 4 mesas com 6 passageiros e 1 com 8 passageiros. É loucura.
No meu primeiro dia, estava nervosa, mas o que me deixou bastante mal foi o balanço do mar que durante a noite é mais intenso porque o navio acelera mais. Senti bastante, minha cabeça balançava muito e parecia que o cérebro ia junto, e vomitei. Neste dia também fiquei um pouco perdida sem saber muito o que fazer, porque ainda não tinha entendido todo o processo. Nada difícil mas com muita ordem pras coisas acontecerem.
No segundo dia, estava cansada e com a sensação que não ia agüentar o pique do restaurante mas coloquei na minha cabeça que eu ia até o final desse cruzeiro pelo menos pra ver se valia a pena e se eu ia curtir. Desde entao tudo fluiu numa boa. Chego todo dias as 18h, e o Giovanni, meu waiter que é italiano não está ainda, começo arrumar todas as mesas, fazer set up, algumas vezes ele chegou e estava quase tudo pronto. Durante todo o jantar eu pego as bandejas de comida, sirvo as mesas e limpo as mesas. Tudo muito simples mas tudo muito rápido. O Anderson ficou mais levando as louças sujas pra lavar. Eu sempre tiro pedido das bebidas no começo o que me ajuda a conversar com os passageiros.
Tem uma mesa com 3 casais que me deram muito trabalho no primeiro dia porque eles queriam vinho, mas aí agora todos os outros dias eu já ia buscar o vinho pra eles e eles todos me chamam pelo meu nome, me elogiam muito. Mais umas 3 mesas me chamam pelo meu nome, isso é muito importante.
De alguma forma eu percebi que estava ganhando moral com o Giovanni, ele começou a me elogiar pras mesas e me dar refrigerante no final. Ante ontem, dia 30 no final do jantar, o Paulo, que é assistente de maitre disse que ele e o David (um outro italiano que é capitan station) me observaram trabalhando, que eu sou muito profissional, que eles gostaram muito do meu trabalho e que vão conversar com o maitre pra eu realmente descer pro restaurante. Fiquei super orgulhosa. Nesse mesmo dia, depois de eu arrumar tudo, fui lá no O’Leandro restaurante que o Igor trabalha pra encontrá-lo e quando entro lá tem numa mesa jantando o Maitre, o Paulo, o Daniel, e todos os capitan station, incluindo o Alessandro, o Giovanni e o David, aí o Giovanni me chama até a mesa, brinca comigo e me elogia pro maitre... nem acreditei, fiquei com vergonha. Mas enfim... agora é só esperar e ver o que vai dar.
Ontem foi réveillon e foi noite de gala. Muito bom se não tivesse sido o caos generalizado. Ontem foi realmente bagunçado. Os passageiros do primeiro sitting chegaram muito tarde, atrasou tudo. Os do segundo sitting queriam acabar rápido por causa dos fogos mas tinha muitos muitos passageiros e aí virou bagunça. Além de ter o Baked Alaska que é muito legal, mas ajudou a complicar mais tudo. O baked Alaska é o bolo em chamas. Apaga-se todas as luzes do restaurante e os assistentes caminham entre as mesas com o bolo pegando fogo e depois serve pros passageiros. Agora imaginem o caos. Começou o Baked Alaska e 3 mesas da minha estação ainda estavam comendo a entrada.
Enfim, 5 pra meia noite todos os passageiros foram embora, e do jeito que estava tudo ficou, subimos até o 14º andar pra ver os fogos. O Igor apareceu lá, fiquei muito feliz. E estavam todos, chefes, nós, italianos, brasileiros, hondurenhos, indonesianos, indianos comemorando 2009, vendo os fogos de Copacabana. Liguei pra minha família. Fiquei muito feliz de ter conseguido falar com eles.
Foi um réveillon estranho, confesso, mas não ruim. Com direito a ver os fogos em alto mar da poupa do deck 14 (the Best!) com champagne, fotos e meu amor comigo.
E depois quando terminou fizemos um multirao de limpeza. Arrumamos tudo num piscar de olhos. Vim pra cabine me trocar pra ir pra festa no Crew Bar. Lá, estava bombando muito. Muita musica. Dancei muito. Desejei “Happy New Year”pra todo mundo, em inglês, português, aprendi até em indiano e indonesiano mas já esqueci.
Enfim, hoje é o ultimo dia de cruzeiro, ultimo jantar e quem sabe ganhar gorjeta. Já ganhei 15 dolares de gorjeta. Vamos ver!
E que 2009 seja de muita força, determinação, garra, paciência, perseverança pra sobreviver a mais 7 meses a bordo e que depois que eu possa desfrutar de tudo isso.
Preciso dormir. Amanhã minha família vai entrar no navio! Estou feliz, mas preciso descansar.
Fui.

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